AUSTRALIAN OPEN, 2009, NADAL, FEDERER, AMIZADE, ADMIRAÇÃO, RIVALIDADE

Para mim, definitivamente, ainda está pra nascer um esporte individual que conquiste o lugar que o TÊNIS conquistou no meu coração ao longo dos anos.

Atualmente, o que é mais admirável e marcante neste esporte é a fidalguia sem frescura, o respeito sem medo, a admiração e o elogio que superam de longe a mera atitude protocolar exigida pela organização dos torneios e  por uma espécie de ética informal existente entre os jogadores. Como se tudo isso ainda não bastasse, o tênis ainda nos brinda com rivalidades ferrenhas que não descambam para a violência, para a arrogância e tampouco para a provocação.

Os dois maiores jogadores da atualidade (que, possivelmente, tornar-se-ão os melhores de todos os tempos pelo menos até o surgimento de um fenômeno ainda improvável) são o suíço ROGER FEDERER (ROGER EXPRESS para os íntimos), que completará 28 anos, e o espanhol RAFAEL NADAL (que também atende por RAFA ou TORO MIURA), que ainda está a alguns meses de completar apenas 23 anos.

Juntos, ambos somam 26 finais de GRAND SLAM (os quatro maiores torneios do mundo: AUSTRALIAN OPEN, ROLAND GARROS, WIMBLEDON e US OPEN). FEDERER venceu 13 títulos em 18 e NADAL venceu 6 em 8. O natural de BASEL foi o quinto jogador mais jovem a atingir seis títulos de GRAND SLAM e o BALEAR é o segundo, ficando logo atrás do inesquecível sueco BJORN BORG, que foi o grande responsável por eu me apaixonar pelo tênis.

O que esses dois têm de tão especial? É algo que vai muito além da garra, da superação, dos sucessivos recordes, da técnica, da força física e da força mental: ao contrário do futebol que, hoje, em sua fase empresarial, garante que nenhum clube da mesma cidade dependa mais da rivalidade com outros clubes locais para crescer ou afundar-se por si mesmo, o tênis ainda apresenta espaço suficiente para que os dois atuais líderes do ranking mundial desde 2005 não deem o menor espaço para que outros tomem seus respectivos lugares.

Ao contrário do que parece, a supremacia neste caso não é enfadonha: um só consegue crescer mais e mais em função da qualidade pessoal e técnica do outro. São dois homens admiráveis, respeitáveis e, acima de tudo, incrivelmente boa praça.

Nos últimos cinco confrontos em finais entre NADAL e FEDERER, deu o espanhol. Para desespero do suíço, a cada ano que passa, NADAL fica cada vez mais difícil de bater no saibro parisiense e – pior – tem-se superado de maneira até inesperada por muitos, já que passou a derrotar FEDERER no seu piso predileto, a sua segunda casa, a grama sagrada da Grande Londres.

No cimento australiano, outro território federeriano, no último domingo, assisti a uma vitória quase improvável de NADAL, que havia vencido a semifinal apenas 36h antes de seu compatriota FERNANDO VERDASCO em 5h22min de jogo.

Tudo mandava contra o jovem espanhol: primeiro, ele abusa dos golpes fortes por ser muito musculoso e impetuoso. Isso tende a comprometer tendões, ligamentos e articulações. Apesar das cada vez mais frequentes provas em contrário, ele ainda é considerado imaturo por – apenas supostamente –  não saber dosar sua energia. Segundo, ele não é especialista em saque e voleio junto à rede, que são as características mais importantes para se vencer na quadra dura, que castiga o corpo do tenista em demasia por não amortecer nenhum impacto. E terceiro, que FEDERER, desde o US OPEN em agosto de 2008 pouco antes da OLIMPÍADA DE BEIJING, não se apresentava de maneira tão consistente e confiante.

Olha… Perto da final de WIMBLEDON em 2008, considerei a final do AUSTRALIAN OPEN de 2009 bem menos ofensiva, um pouco menos técnica e mais repleta de erros por parte dos dois atletas. De qualquer forma, é impossível haver um jogo ruim entre ambos. No entanto, sobrou emoção e carinho em uma medida que jamais havia presenciado em esporte algum e em tempo algum, seja através de videotape, seja na minha contemporaneidade.

Parece que o MIURA pegou o jeito do FEDERER EXPRESS: a cada novo encontro, o outrora todo-poderoso e aparentemente frio, calculista e controlado tenista saxão tem perdido um pouco mais da sua antigamente inabalável confiança. Por outro lado, o treinamento exaustivo do latino rumo à superação de suas deficiências técnicas tem dado resultados rápidos.

Enfim… Eu chorei copiosamente ao vivo, na reprise da segunda à noite e em quase todas as vezes em que assisto a esse trecho da cerimônia de premiação. Nunca havia visto um jogador pedir desculpas por ter vencido o outro! Além disso, o vencedor torce para que o derrotado consiga superar o recorde de 14 títulos de GRAND SLAM do estadounidense PETE SAMPRAS simplesmente porque considera FEDERER como o melhor de todos os tempos e porque acha que o suíço merece.

Digamos assim: por eu também ser latino, obviamente tenho uma inclinação maior a torcer por NADAL. Porém, não fico triste nem brabo com seus erros, assim como não fico ironizando nem sendo sarcástico quando FEDERER erra. Bem dizendo, eu só quero que ambos joguem cada vez melhor e que não se machuquem e nem deixem de ser como são. Eu quero partidas de tênis memoráveis, decisões inesquecíeis, superação de lado a lado.

Domingo, lá pemas 11:40h quando o jogo terminou, eu me abracei na LU e chorei, dizendo que eu não queria que ninguém tivesse perdido este jogo.

Infelizmente, o esporte profissional de alto nível destrói o corpo do atleta e compromete a sua qualidade de vida após a aposentadoria. Patrocinadores, parentes, torcedores e a imprensa especializada exigem demais do lado emocional de alguém que, por mais rico e por mais bem patrocinado e assessorado que seja, não deixa de ser um humano cheio de virtudes e defeitos como qualquer um de nós.

Por conta de todos esses compromissos econômicos e da matriz agonística que a civilização ocidental herdou dos gregos, todo esporte, ao final de uma campanha, necessariamente apresenta um campeão e um vice-campeão. Para ser vice, mesmo tendo ganhado quase tudo (ou tudo) até chegar à grande decisão, é preciso sair derrotado no resultado das regras do jogo.

A sensação de impotência de FEDERER multiplicada por sei lá quantas vezes após uma sucessão de derrotas para NADAL dá dó de se ver. E o impensável constrangimento de evitar comemorar efusivamente, de vibrar pela conquista e de considerar-se no topo do OLIMPO que o espanhol demonstrou por carinho, por amizade, por respeito e por admiração a seu oponente foram emoções que eu jamais esquecerei.

Aliás, os dois não podem ser considerados rivais, adversários, inimigos ou concorrentes: eles são, isso, sim, OPONENTES. Eles não se odeiam, não se comparam entre si, não se desdenham, um não esquece do outro, mas cada um procura fazer a sua parte da melhor maneira possível sempre.

Enfim, a diferença mais significativa entre os dois é estarem em lados opostos dentro da quadra.

Bem que todos os demais esportes e a política poderiam ser assim, né?

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