ARENA: FIM DO GRÊMIO COMO CLUBE É CULPA DO CONSELHO

Projeto atual, obediente ao Plano Diretor, compativel com a realidade do clube, de propriedade do próprio GRÊMIO

Projeto atual, obediente ao Plano Diretor, compatível com a realidade do clube, de propriedade do próprio GRÊMIO

POR QUE A ARENA NÃO FAZ SENTIDO:

1) A Itália reformou parte de seus estádios para a Copa de 1990 e não construiu nenhum novo estádio;

2) A França só construiu o Stade de France. Nem mesmo o lendário Velodrome de Marseille foi coberto;

3) A Arena da Baixada tem ingressos caríssimos, o público elitizou além da conta e o estádio raramente lota. A idéia do “multiuso” foi por água abaixo à medida que Curitiba é um centro menor, pouco atrativo, assim como Porto Alegre, para atrair uma quantidade de shows musicais, teatrais, circenses e de outros esportes capaz de pagar o investimento e gerar lucro. É a lei da oferta e da procura em seu estado básico;

4) A FIFA jamais exigiu da África do Sul estádios cobertos, estacionamentos para milhares de automóveis, metrô, zilhões de linhas de ônibus ou coisa parecida: seu caderno de encargos é realista de acordo com a realidade de cada país. As melhorias urbanas devem ser sustentáveis, com mais metrô, mais hidrovias, mais ferrovias, energia solar e eólica, diminuição de automóveis e concreto – jamais por causa da Copa do Mundo mas, sim, por necessidade;

5) Por acaso alguém ainda estava iludido achando que a propriedade do estádio no Humaitá seria do GRÊMIO? Se o estádio não é nosso, logo, por que diabos o futuro proprietário teria a necessidade, o interesse ou a obrigação de agir como se fosse um clube? Às favas com as gerações de trouxas que, ao invés de consumidores irracionais de todo e qualquer produto pintado de azul, branco e preto inventados por eles, ainda têm o desplante de terem o clube de futebol como ponto-chave de sua identidade como porto-alegrenses e como fãs de futebol;

6) Em várias entrevistas no rádio, todo e qualquer integrante da gestão Odone (principalmente o executivo Antonini) que falava sobre a questão do associado na Arena sempre dava respostas evasivas, tergiversava e, não-raro, gaguejava;

7) Um amigo economista experiente, alto executivo de uma empresa de capital misto do ramo petroquímico, afirmou que, em condições econômicas normais com base no tamanho de Porto Alegre e na atividade comercial e industrial da cidade, a Arena não sai. Pra ela sair, só mesmo com capital de risco (o conselheiro Cacaio Azambuja defende essa hipótese; eu, não, por causa das aventuras proporcionadas por Bandeira e Guerreiro) ou com propriedade de terceiros (e terceiros ligados ao carlismo baiano, definitivamente, são inconfiáveis ao extremo);

8) Seja porque o GRÊMIO está com a corda no pescoço, seja porque não existe outra área disponível para a construção de um estádio de futebol em Porto Alegre, não importa: mudar o Plano Diretor para construir espigões na já feia e insalubre capital gaúcha é falcatrua, é velhacaria, é pôr os interesses de alguns poucos que desejam colocar um clube de futebol na frente dos interesses econômicos, sociais e ambientais de quase 1,5 milhão de habitantes;

9) A reunião da Chapa 3 para as eleições do Conselho Deliberativo no final de setembro de 2006 trouxe muitos esclarecimentos na palavra dos hoje conselheiros Roberto Sommer, JORGE DEBIAGI (cujo modus operandi empresarial sou VEEMENTEMENTE CONTRA na questão do PONTAL DO ESTALEIRO, mas concordo com ele em relação ao GRÊMIO) e Paulo Roberto Ferrer. Estranhamente, aquela combatividade e a oposição que a chapa GRÊMIO IMORTAL E UNIDO ofereciam naquele pleito e que me convenceram a votar neles foi parcialmente perdida: na época, para mim, eles ainda representavam uma alternativa de resistência à política megalomaníaca, irresponsável e oportunista proporcionada pelos movimentos GRÊMIO NOVO e GRÊMIO INDEPENDENTE (bem como o BLOG LOBISTA vinculado ao primeiro), pela contaminação dos suspeitos da FRAUDE DO DETRAN nesta gestão (quem acompanha o RS URGENTE já sabia disso antes mesmo da bomba estourar em 2008) – todos amigos de ODONE que, por sinal, indicou BANDEIRA para a presidência mais malfadada da história do clube e que é amigo de GUERREIRO. Enfim, todos esses e mais os conselheiros omissos e falsamente opositores ao grupo citado neste parágrafo também são responsáveis pela aceitação da parceria não apenas com a OAS, mas com a presepada inicial da TBZ (outra empresa ‘idônea’, como podem ver).

O tipo de “MODERNIDADE” pregado por essas pessoas é comprovadamente falimentar e clientelista: observem bem COM QUAL TIPO DE EMPRESA ELES GOSTAM DE FAZER ACORDOS.

CADÊ A COMBATIVIDADE? CADÊ A OPOSIÇÃO? CADÊ O INTERESSE DO ASSOCIADO?! Ou, melhor: PORTO ALEGRE VAI TORNAR-SE UM LUGAR AINDA PIOR DO QUE JÁ É PRA SE VIVER.

No final das contas, apesar da discordância meramente pontual em determinadas questões, a esmagadora maioria do Conselho Deliberativo do GRÊMIO infelizmente não faz oposição, não critica publicamente, não esclarece as suas posições perante o associado que elegeu facções inclusas nas chapas e tem feito apenas um tímido movimento na direção de preservar os direitos do associado em geral.

Mesmo aqueles com quem concordo deveriam deixar de lado a covardia de vociferar em dezenas de blogs sem mostrar a cara. Afinal de contas, tem gente que sabe muito mais do que eu – um simples associado – que prefere a comodidade e o oportunismo de posicionar-se às escondidas. Opinar sem ofender e apresentar fatos sem mentir é o mais pleno exercício de cidadania e não o contrário. Por isso, admiro muito a coragem e o desprendimento do associado EDUARDO BERNARDON, responsável pelo melhor esclarecimento a respeito do papel de otário que manter-se sócio do GRÊMIO representará caso a OAS da família ACM respaldada pela gestão ODONE tome conta da vida do TRICOLOR.

Meu amigo GUGA TÜRCK e o pessoal do GRÊMIO

Como sempre, abro espaço neste blog para a manifestação dos conselheiros que não merecem ser jogados em uma vala comum, isto é, que não merecem ser incluídos na (até prova em contrário) necessária generalização que estou fazendo. Mas peço argumentações racionais, didáticas, reflexivas e especializadas, porém sem um tecnicismo desnecessário e sem abusar do apelo retórico.

Minha discordância é programática, técnica e ideológica. Pra quem ainda pretende enganar alguém com a retórica de que não deve-se ideologizar ou politizar a vida, recomendo conhecer mais sobre História, Ciências Sociais e Comunicação. Afinal de contas, tudo na vida é política (até mesmo o amor, o altruísmo e o hedonismo), toda aplicação técnica de qualquer área do conhecimento é ideológica e relacionada ao contexto sócio-econômico e cultural.

Estou profundamente decepcionado: afinal de contas, mesmo que haja profissionais capacitados e pessoas honestas no Conselho, infelizmente, sua maioria pensa de maneira oligárquica e excludente, ao passo que os fragários possuem diversos projetos de responsabilidade social e desenvolveram um modelo de negócio capaz de alavancar o seu crescimento sem jamais deixar de deter a propriedade de seus bens ou de jogar pelo ralo os direitos de seus associados.

Se o NOVO ESTÁDIO OLÍMPICO MONUMENTAL não sair com um projeto semelhante ao oferecido pelos arquitetos simpatizantes do GRÊMIO ACIMA DE TUDO no próprio lugar do OLÍMPICO, a vida do GRÊMIO e o prazer de torcer pelo clube correrão por entre os dedos como grãos de areia.

Sinceramente, ao contrário do que o respeitável e experiente conselheiro ANTÔNIO CARLOS AZAMBUJA (um senhor que já li e ouvi bastante e que encontrei algumas vezes porém sem ter o prazer de conversarmos pessoalmente) já escreveu no site do MOVIMENTO GRÊMIO UNIDO, ainda não considero inexorável a possibilidade de termos que mudar para o Humaitá: afinal de contas, ninguém contava com a pressão do FÓRUM DE ENTIDADES nem com o veto do prefeito José Fogaça contra o PONTAL DO ESTALEIRO, mas os vereadores da “bancada do concreto” tiveram que recuar.

Dizem que não se deve acusar nem ser pessimista até prova em contrário. Todavia, estamos no Brasil. E, seja em momentos de maior ou de menor crescimento, sob qualquer ideologia predominante em cada um desses momentos, HONESTIDADE e TRANSPARÊNCIA nunca foram O FORTE dessa CULTURA.

JAMAIS PODEMOS NOS ESQUECER DOS PODERES QUE DESEJAM LIQUIDAR COM A AUTONOMIA DO GRÊMIO E COM A QUALIDADE DE VIDA NA CIDADE.

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Prof. M.S. @heliopaz | @unisinos | @comdig | @agexcom | @jetunisinos | @cultdigitalunis | @gremiosempre | http://bitly.com/tNhPU3

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Publicado em ATIVISTAS
14 comentários em “ARENA: FIM DO GRÊMIO COMO CLUBE É CULPA DO CONSELHO
  1. marcelo disse:

    Precisamos sim de modernização, quanto o olímpico dá de prejuízo ao clube por ano? Quantos dias de renda temos? Alguem ja fez esse levantamento? Se ouvíssemos sempre essas pessoas nem o olimpico teríamos construído, porque não teria dinheiro pra fazer time, se a arena é o fim do clube porque outros clubes brasileiro estão copiando o grêmio, parece aqueles vendedores de redes que dizem que os grandes mercados vão fechar, engraçado que neste ano foi o segmento comercial que mais cresceu, parece choro vermelho que terá uma área comercial seis vezes menor que a arena, tem alguém que nunca foi ao shoping, ou que nunca precisou de hotel? Deve ter! Parabéns pela coragem de crescer de se modernizar, o projeto só é valioso porque tem o nome do grêmio quem vai tirar o nome do grêmio pra desvalorizar, do outro lado só ganharam título fora do país porque teve um empresário com visão de futuro e empreendedor que todos sabemos , que teve a coragem de montar um time e usar uma insttituição respeitada ainda, e alguém lembra desse detalhe? não só lembram que ganharam tudo mas esqueceram como foi.

  2. Silvio disse:

    Caro Hélio, estava pesquizando um texto do Prof. Salvo e casualmente acesso a tua página da internet. Tardiamente. Mas,como gremista e sócio do Grêmio (ainda glorioso e imortal), concordo plenamente com tuas observações. Não preciso dizer mais nada. Espero que as nossas preocupações não se materializem. O sonho não pode acabar. Não é verdade. Saudações tricolores.

  3. Jorge Fernando disse:

    parabens pela opiniao corajosa. enfim um lucido conversando sobre o assunto Arena, pois o resto se esconde.
    quando a arena preis explodir, todos vao dizer que eram contra, mas agora ficam em cima do muro e tem medo de enfrentar a torcida apaixonada e sem informação.
    pois que se informa tem certeza que o negocio é ruim mesmo.

  4. […] competente, consagrado ou dos sonhos da torcida tricolor, está a nossa PENÚRIA FINANCEIRA (+ AQUI). Tudo o que consideramos falho em nossos jogadores permanecerá falho enquanto nossas dívidas […]

  5. Cláudio,

    Nem apelação, nem baixo nível: é o temor de quem lida com dinheiro de maneira consciente.

    Um processo por debaixo dos panos como o desta parceria com as suspeitíssimas TBZ e OAS e com um pequeníssimo banco português (que depois saiu da jogada para a entrada do Santander) repete a mesmíssima lógica da parceria com a ISL, na qual o parceiro pode quase tudo e o clube não pode quase nada.

    Se eu estiver enganado, aplaudo, ponho a minha viola no saco e todos seremos felizes para sempre.

    []’s,
    Hélio

  6. Claudiopoa disse:

    “Arena: fim do grêmio como clube” é o supra sumo da apelação. Muito baixo nível!

  7. […] irá acontecer com o Grêmio caso o contrato proposto seja aprovado. Em um ótimo artigo no blog do Hélio Paz, o Jorge Vieira deixou um comentário […]

  8. […] se eu defendo a ORLA; se quero o NOVO OLÍMPICO na Azenha e se apelo para que não arrefeça o ímpeto da ajuda aos irmãos de SANTA CATARINA, nada […]

  9. Caro Cláudio,

    Infelizmente, não existe a menor possibilidade de eu concordar com opiniões como a tua, pois ela é completamente desprovida de dados científicos.

    comprovados na economia (na micro, que é a que precisa crescer e não a macro, que é de exportação de commodities e da concentração da monocultura, do latifúndio e dos meios de comunicação sob a forma de um perigoso pensamento único, aceito sem debate nem discussão), na política (empresários e políticos desonestos) e na sociedade (déficit habitacional, sobretudo).

    Não existe atraso ou progresso. Não no modo de produção capitalista, que se reinventa sempre com o intuito de manter o status quo nas mãos de oligarquias e de aumentar a exclusão. Considerar algo como atraso ou como progresso quando existe corrupção, monopólio, burocracia e uma falsa democracia é contribuir para a insustentabilidade de Porto Alegre, hoje a pior capital pra se viver de Belo Horizonte para baixo.

    Portanto, se a gestão anterior do GRÊMIO contou com políticos e funcionários públicos vergonhosamente em investigação (alguns já foram processados) e com empresas clientelistas que financiam campanhas para escapar de licitações para pôr o preço que quiserem elevando as tarifas de serviços, não há como não temer pelo futuro do clube à medida que os parceiros escolhidos são definitivamente desonestos como, por exemplo, Odebrecht, OAS, o pequeno banco português e a TBZ.

    O modelo do novo estádio na área do Olímpico proposto pelos arquitetos da equipe de Plínio Almeida não é megalomaníaco, respeita o Plano Diretor (prédios de 68m a 72m no Humaitá e na Azenha; outros, um pouco mais baixos mas não menos grotescos na Cidade Baixa, no Menino Deus e em Petrópolis) e, acima de tudo, mantém o patrimônio nas mãos do clube.

    []’s,
    Hélio

  10. Claudiopoa disse:

    Nunca tinha visto tanto ranço ideológico e idéias tão retrógradas juntas como nesse texto. Parabéns, já pode se considerar um ícone da vanguarda do atraso gaúcho.

  11. Gremioacimadetudo disse:

    Caro Hélio.
    Sensacional a matéria, publicamos lá nos comentários do blog no post “QUEREMOS QUE O SÓCIO DECIDA”

  12. Jorge Vieira disse:

    Será que conseguiremos parar essa patrola como foi com Britto? Faço votos que sim, mas tenho um certo ceticismo. O Britto produziu muitos inimigos políticos e agora tem muita grana em jogo. Esse jogo é muito mais pesado.

    Hélio, se entendi bem o Imortal vira um tipo de marca, como o Nike. No Brasil o estádio identifica o clube é um espaço de interação dos torcedores. Tirar o estádio é acabar com essa troca entre os torcedores, surge então uma nova situação como marca, um produto. Não seria um passo para vender a marca? Pode ser uma loucura, mas o caminho fica aberto. Afinal quem é o dono da marca?

  13. […] Claro que essa é uma questão polêmica. Aqueles que defendem a permanência do clube no Olímpico também possuem opiniões bastante coerentes, como o artigo postado pelo caro Hélio Paz. […]

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