COMO ATRAIR A JUVENTUDE PARA A POLÍTICA?

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OUT/2001: revolução via torpedo em MANILA (FILIPINAS)


Saliento novamente que ser de esquerda e ser politizado não significa ser partidarizado ou sindicalizado: essas duas instâncias tradicionais da democracia representativa consagradas pelo modelo republicano têm-me tirado do sério há um bom tempo porque elas precisam ser severa e dramaticamente transformadas a fim de voltarem a fazer sentido inseridas em uma sociedade de fluxos na qual o espaço público é midiatizado e as demandas mais bem-sucedidas são aquelas reivindicadas para o microambiente e realizadas por atores da própria comunidade e também por outros atores solidários à causa que, normalmente, compartilham situação semelhante.

Tais atores não dependem da boa vontade de governos ou megaempresas que enganam a todos com a propaganda da “responsabilidade social”: eles matam a cobra e mostram o pau, literalmente.

Isso significa que o discurso de “não ser contra ninguém mas, sim, a favor da nossa coletividade” exige jovialidade (não de idade, mas de atitude), engajamento e dedicação. Além disso, o ideal seria adotar uma postura jamais de confronto irreconciliável nem tampouco de apoio ou adesão a uma pessoa ou partido, já que a resistência pós-moderna implica também em não querer tomar o poder, questionando-o sistematicamente como se fosse sempre de oposição.

É isso o que atrai a gurizada que não faz parte de DCEs, partidos e sindicatos (que são a esmagadora maioria da população).

Todavia, em situações extremas, mesmo quando o partido ideológica e programaticamente mais encaixado com os nossos valores literalmente se vendeu, é fundamental que se vote nele salientando o constrangimento tácito em relação àquilo que ele deixou de ser enquanto instituição, enquanto símbolo e, sobretudo, aquilo que deixou de ser enquanto identidade.

O meu lado revolucionário, preconceituoso, intolerante, radical, intempestivo e romântico remete a uma realidade que jamais saberei se seria feliz ou infelizmente vivida por mim. É isso o que me faz investir dois anos praticamente sem ganhar dinheiro e sem emprego formal qualificando-me a fim de poder multiplicar esse conhecimento para uma geração que não possui mais nem pais ou avós oriundos da ditadura militar.

A crise partidária e sindical não está só no pensamento único da mídia corporativa e de seus poderosos financiadores e parceiros neoliberais, nem tampouco na inócua briga entre tecnófilos x tecnófobos ou entre administradores x sociólogos: está, sobretudo, no não-reconhecimendo do deslocamento do espaço público – da ágora. Grande parte dos teóricos da esquerda que atuam como intelectuais orgânicos de entidades partidárias e sindicais baseados tão-somente em autores clássicos tendem a crer em despolitização e em esvaziamento ao invés de procurarem inserir-se no espaço público dos meios de comunicação como produtores independentes e marginais com um discurso atual.

Eles estão, portanto, DESENCAIXADOS, pois seus valores identitários remetem à REVOLUÇÃO FRANCESA, ao MAIO DE 1968 e às DITADURAS NA AMÉRICA LATINA. Tais períodos históricos de luta fazem sentido à medida que servem de referência e de exemplo de mobilização e de coragem no enfrentamento ao poder hegemônico.

NEGRI e HARDT vão mais além: dizem que a forma mais eficiente de resistir ao império é utilizar-se das mesmas armas que este império se utiliza para manter-se hegemônico. Portanto, não é combinando com os colegas de trabalho em greve uma manifestação diante do PIRATINI quando a YEDA está no 21º andar do TOBOGÃ que vai fazer com que os transeuntes do Centro se toquem de que aquela manifestação deveria lhes dizer respeito: é como o arco e flecha dos ameríndios contra os mosquetões e canhões dos conquistadores europeus ou como os pilotos KAMIKAZES japoneses em PEARL HARBOR que, ingenuamente, não sabiam que sua ofensiva não faria nem cócegas perto das bombas que o ENOLA GAY despejou covardemente em HIROSHIMA e NAGASAKI.

Independentemente da concentração de veículos midiáticos nas mãos de poucos proprietários, há de se discutir por que diabos a gurizada conseguiu fazer o  então presidente das FILIPINAS JOSEPH ESTRADA SENTAR NA BONEQUINHA (isso mesmo: xô, tchau, sem-vergonha!) em outubro de 2001 reunindo MILHARES vestidos de preto defronte ao palácio do governo em Manila através de uma rede imensurável, descentralizada e auto-organizada através da transmissão de torpedos via celular, com a seguinte mensagem: “GO 2 EDSA WEAR BLACK

No último fim de semana, ocorreu a primeira GRANDE manifestação jovem e politizada em rede, auto-organizada horizontalmente através da blogosfera ativista carioca: saiu até foto e matéria na FOLHA DE S. PAULO!

Isso significa que o PIG não pode esconder, blindar, ignorar ou distorcer a la vonté todo e qualquer foco de resistência às forças que o sustentam, pois movimentos que emergem e pegam o poder coercitivo, o poder jurídico, o poder político e o poder econômico todos com as calças na mão não podem ser ignorados.

Uma forma bastante eficiente de conclamar a gurizada é através da IRONIA e da IRREVERÊNCIA: isso explica o fato de o CQC de MARCELO TAS (uma adaptação brasileira bem-sucedida de uma fórmula que iniciou na ARGENTINA e espalhou-se para a ESPANHA) e de blogs como a NOVA CORJA possuírem uma audiência crescente, atraindo o interesse de pesquisadores da área.

O discurso precisa ser LEVE, gerando INDIGNAÇÃO e ENVOLVIMENTO através da ALEGRIA de ser SOLIDÁRIO, FAZENDO FESTA ENQUANTO COBRA E PROPÕE.

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4 comentários em “COMO ATRAIR A JUVENTUDE PARA A POLÍTICA?
  1. Hélio Sassen Paz disse:

    PAULO AUGUSTO,

    Isso é importantíssimo e pode, sim, ser uma manifestação bem-sucedida: afinal de contas, ao contrário das manifestações anteriores na CÂMARA e nas ruas, agora temos QUASE UMA SEMANA pra dispersarmos nossas informações e chamamentos na blogosfera.

    Quero estar na FEIRA DO LIVRO colaborando com a panfletagem do FÓRUM DE ENTIDADES neste final de semana.

    []’s,
    Hélio

  2. Paulo Augusto disse:

    Hélio:
    Acho que chegou o momento de por em prática tua proposta de ativismo em rede. Dia 12 é a votação do Pontal do Estaleiro, e já está tudo armado: vereadores “comprados”, o Mendes louquinho para dar umas cacetadas.
    Mas com uma mobilização, nos moldes que tens proposto pode reverter este quadro, reunindo uma massa de cidadãos e entidades que marchem pacificamente até a câmara, para legitimamente exercer o seu poder de pressão.
    Vamos então conclamar aos blogueiros amigos e entidades de cidadania que passem a fazer esta convocação e a organização da coisa, tipo local de concentração, horário, etc…
    Abraços,

  3. Hélio Sassen Paz disse:

    Felipe,

    Eu acho o Eduardo honesto, bem intencionado e tão idealista quanto a maioria de nós. Ele é bastante inteligente, gosta de um bom papo, tem uma bonita família e é um excelente profissional que teve a coragem e o desprendimento de assumir e idealizar uma ONG com propósitos bastante nobres. Pra mim, tudo isso é inquestionável.

    Todavia, nunca concordei com o fato de ele negar-se a falar mal de Lula ou do PT e também por não reconhecer que José Dirceu e Marta Suplicy não merecem a defesa que ele faz deles.

    Fico triste quando várias pessoas tentam dar-lhe sugestões e apresentar-lhe novas formas de enxergar e de debater e ele rebate dizendo que ele já tem quase meia década de vida, que já ralou bastante, que tem uma família que ele defende com unhas e dentes, etc.

    Isso significa que há, sim, uma vaidade em excesso que ele não consegue reconhecer. E que há, sim, dentro do seu discurso de esquerda, contradições bastante conservadoras à medida que ele reivindica por uma mídia independente e abrangente mas, na prática, executa as mesmas omissões e restringe-se a tão-somente ler não mais do que meia dúzia de sites de notícias e blogs como os do Rovai, do Nassif, do Azenha, do Amorim e do Mino (que também leio, porém leio dezenas de outros, mais independentes e menos ligados às corporações de mídia).

    Ele ficou muito bravo comigo quando, certa vez, sugeri a ele que lesse mais blogs de outros estados ou de outros tipos de temática relacionadas à crítica da mídia corporativa, economia e política, pois estava postando seguidamente que achava que São Paulo reverberava por todo o país como se o resto não fosse multicultural ou não tivesse pujança econômica através de matrizes econômicas diferentes do industrialismo e da cultura executiva paulistana.

    Os poucos gaúchos esclarecidos e de esquerda ainda praticam uma militância política-partidária autofágica porque não se deram conta de que pessoas, sindicatos, partidos e a lei de representatividade parlamentar e de declaração da verba de campanha estão falidos porque vivem lutando de uma forma inócua.

    Aqui, se critica muito o lulo-petismo de resultados, pois ninguém tem paciência pra ver o Brasil melhorar bastante antes de morrer. E criticar o governo não é aderir ou imitar o discurso da direita.

    Nós já tivemos 4 prefeituras e 1 governo do estado petistas, que fizeram muito e também erraram feio. Eles pegaram uma capital e um estado ultra-reacionários e uma mídia de massa mais concentrada e mais forte localmente do que a Rede Globo, a Folha ou o Estadão.

    Não sou otimista nem pessimista demais. Ao mesmo tempo em que não puxo o saco nem me iludo, também não ataco gratuitamente nem torço para que dê errado.

    O que me motiva a blogar é informar, opinar e trocar idéias. Por isso, defendo o ativismo em rede como o estopim necessário para a resistência pós-moderna, que é capaz de envolver-se no microambiente de uma maneira que o estado não consegue.

    []’s,
    Hélio

  4. Felipe disse:

    Amigo, você não foi o único desrespeitado pelo Eduardo Guimarães. Ele é, ou está sendo, tão intolerante quanto os blogs de “esgoto” que tanto repudia. Não é apenas ele: tente criticar o governo Lula no amigosdopresidente. É impressionante como poucas vozes não se partidarizaram ainda, e até as que se mantém ‘independentes’ defendem suas posições ofendendo os outros. Pena.

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