WEBATIVISMO NÃO TEM FÓRMULA

A CLÁUDIA CARDOSO também se emocionou bastante com o resultado amplamente positivo e até certo ponto inesperado que o AZENHA repercutiu a partir da ação que o MOVIMENTO DOS SEM-MÍDIA está movendo contra diversos veículos da mídia corporativa brasileira.

Eu acho que o tema que muitos de nós tratamos é fundamental e cada um tem o seu próprio estilo, seus próprios contatos e abordagens. Isso é pessoal e enriquece a blogosfera pelo conjunto, que acaba sendo maior do que a soma daquilo que cada um consegue atingir ou produzir individualmente.

Só que o Brasil apresenta uma peculiaridade que representa uma encruzilhada:

1) A mídia corporativa é concentrada e atende a interesses muito escusos como nenhuma outra no mundo: mesmo em lugares de maior repressão ou de tentativas absurdas de podar a internet não se verifica a blindagem que ocorre aqui.

Mas é aquela coisa: eles vendem pra classe média que, de vítima, não tem nada. Afinal de contas, a mídia escreve para a sua própria platéia. Essa parte da classe média (que eu chamo de classe mérdia) não tem jeito – não vale gastar energia com o que não vale a pena.

Mas tem outra parte da classe média que, mesmo não sendo necessariamente de esquerda, possui crenças e valores que batem com os nossos em pelo menos 50% das demandas sociais. E isso deveria bastar.

2) O que funciona melhor em qualquer lugar do mundo é desvincular o ativismo de esquerda de partidos, sindicatos, etc., atraindo a classe média. Ao fazer isso, se consegue exercer pressão e atingir pessoas que não apresentam a mesma matriz político-ideológica mas que podem ser fundamentais pra ajudar na causa.

Três formas de fazer reverberar a blogosfera independente de esquerda seriam:

a) Pesquisa e denúncia jurídica de desmandos políticos e da mídia corporativa, como o MSM conseguiu no caso da vacinação contra a febre amarela irresponsavelmente superdimensionada;

b) Trabalhar demandas ecológicas e urbanas do microambiente (rua, bairro, região da cidade) interagindo com pessoas de mais idade, conservadoras, através de associações de bairro de classe média alta (AMIGOS DA GONÇALO DE CARVALHO, POA VIVE, etc.) para, num segundo instante, fazer com que eles interajam com blogs de comunidades mais humildes e trabalhem por demandas maiores, como o VÍTOR do PORTO ALEGRE DE FOGAÇA e a AMOVITA têm feito;

c) Ter um canal na mídia de massa (rádio, TV, jornal, revista) pra poder multiplicar exponencialmente a audiência dos blogs, como nos casos que o Hugh Hewitt cita no livro BLOG (em 2004, nos EUA, derrubaram a candidatura de um republicano a líder do senado por causa de racismo; no mesmo ano, blogueiros de vários estados denunciaram favorecimento a magistrados republicanos para sua indicação à Suprema Corte – o STF deles) e também como o meu post sobre a ARENA DO GRÊMIO que saiu no CORREIO DO POVO um dia antes da eleição e ajudou a oposição a eleger 50 conselheiros por apenas 8 votos.

É bem difícil encontrar uma “fórmula”, pois cada sociedade é diferente e cada grupo de blogueiros ativistas também.

Denunciar e noticiar coisas que a Grande Mídia não faz é fácil e possui um público cativo – mesmo que esse público seja hiper-reduzido em relação ao que uma mudança social costuma exigir.

O problema é emergir na direção de um público mais amplo.

Nos EUA, há programas de rádio com blogueiros. O GLOBAL VOICES ONLINE possui tradutores voluntários e reúne milhares de posts selecionados de blogs do mundo inteiro sob um layout padrão e sob uma marca forte. O THE REAL NEWS NETWORK publica notícias com um viés totalmente diferente daquele divulgado pela Grande Mídia em vídeo, traduzindo o conteúdo para o inglês a fim de dar uma visibilidade global a questões pontuais.

Enfim, discordo de todos os sociólogos e filósofos ortodoxos que pregam que morreu a política e que as pessoas não se mobilizam: se o movimento for despartidarizado e não tiver preconceito contra pessoas que não são de esquerda mas que acreditam em algumas causas que a gente defende, devem ser bem-vindas.

Também não precisa ser amigo nem colega pra aderir, assim como não se deve exigir que eles defendam todas as demandas que nos interessam, nem que a gente tenha que defender as demandas deles com as quais discordamos.

Acho que o ponto principal é esse: a gente tende a “exigir” afinidade programática, profissional, econômica, conteudística e ideológica pra incluir alguém no nosso time.

Ao mesmo tempo, a gente tem a mania de tentar corrigir um erro com outro erro: se eles são preconceituosos, simplistas ou vociferantes, a gente faz pior.

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