MU!

A média do pensamento político, social, econômico e cidadão do porto-alegrense um pouco menos analfabeto funcional e com o bolso razoavelmente cheio de notas em relação ao resto da população reflete o presenteísmo, o hedonismo, o egoísmo e o simplismo de idéias naturalizadas cujo estranhamento é rechaçado ou, simplesmente, ignorado.

O sul-riograndense (só chamo de gaúcho quem pratica abigeato, grilagem e coronelismo, pois este é o verdadeiro significado da palavra) padece do mal de ter uma maioria de habitantes que segue à risca a moral judaico-cristã, que envolve machismo, sexismo e falta de tolerância com o contrário (se ‘a dádiva de pertencer a um povo escolhido por Deus’ não exclui quem pensa diferente, então maçãs e laranjas são a mesma coisa). A única diferença desse pensar é que ele opera com maior sofisticação e menor preconceito em relação a seus praticantes do que tudo o que dizem a respeito das práticas culturais de negros, índios (os pagãos), árabes, mulheres, deficientes e pessoas não-heterossexuais.

O mito do gaúcho “macho, trabalhador, honesto” e da relação de camaradagem entre ‘coroné’ e peonada; a matriz positivista comteana e a eterna preferência por imitar modelos sociais falidos e excludentes como o estado-unidense em detrimento do europeu (até mesmo a direita alemã é anos-luz melhor do que o lado menos neoliberal dos EUA) são os grandes responsáveis pela ignorância reinante neste estado – em especial nas cidades que possuem maior desigualdade social – coincidentemente, a capital é a prova viva dessa observação.

Surpreendentemente, o sul-riograndense, mesmo apesar dos níveis educacionais menos piores do que o da maioria do país (porém, não está mais entre os cinco melhores), é um mau empreendedor, um mau administrador e um completo ignorante em termos culturais, pois entende pouco dos raros espetáculos que põem sua cachola para funcionar e segue arrogante, pensando que vive no melhor lugar do mundo e que faz parte de uma linhagem genética superior da humanidade.

Os neocons brasileiros não estão apenas nas oligarquias de RJ, SP, MG e BA (estados de história e desenvolvimento muito anteriores ao do RS): eles estão na classe média e não precisam ter partido nem votar na Yeda e no Fogaça.

Na verdade, são NEOCOLONOS, cuja atitude em relação ao mundo é ditada pelos COLONISTAS.

Não é à toa que os blogueiros da NOVA CORJA chamam o RS de BOVINÃO e o gaúcho de BOVINÓIDE: afinal de contas, mais de 40% da população da capital recebe a influência direta do discurso hegemônico.

Isso prejudica severamente sua autonomia, sua interpretação de dados, sua capacidade de leitura e sua forma de agir, reduzindo drasticamente o otimismo e a criatividade.

Pra prosperar, não pode mugir. E quem muge também rumina.

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Publicado em ATIVISTAS
3 comentários em “MU!
  1. Hélio Sassen Paz disse:

    Maia,

    Não existe monopólio da virtude por parte da esquerda, nem tampouco da direita: a diferença mais forte em termos de atitude é que a direita tem preconceito contra os pobres e a esquerda tem preconceito contra os ricos.

    Porém, há uma série de hubs ou conectores (isto é, de sujeitos que fazem a ligação entre grupos diferentes em situações nas quais um precisa do outro) de classe média ligando a classe média baixa aos ricos.

    Tanto discordo que exista monopólio da virtude, da competência, da inteligência e da sabedoria por parte de quem quer que seja que eu sou contra o diploma de jornalista, acabei de montar mais uma hipótese que não faça parte do lugar-comum nem do simplismo de achar que o resultado das urnas seja mesmo um julgamento positivo ou negativo de quem quer que seja.

    Agora… A direita sempre promete fazer crescer o bolo para depois distribuí-lo. Em iniciativas como a Parceiros Voluntários, isso funciona. Contudo, na prática econômica e social, isso não ocorre.

    A esquerda, por sua vez, arrecada mal e não sabe investir, fazendo com que o lucro (que existe, sim, apesar do serviço público não admiti-lo) desapareça e os investimentos inicialmente ágeis percam o fôlego diante da morosidade e da burocracia.

    A Europa vive um momento de xenofobia, pois não pode simplesmente fechar as fronteiras e impedir seus ex-colonizados de migrarem para lá em busca de melhores condições de vida. Isso se reforça pela baixa taxa de fertilidade e pelo aumento da longevidade, pois os idosos tendem a ser muito mais conservadores e simplistas.

    Porém, em sociedades seculares que detêm o poder e o saber há vários séculos, como o welfare state já resolveu os problemas da esmagadora maioria da população e não há previdência que dê conta de bancar tantos aposentados e pensionistas, um governo de direita é aceitável desde que não seja uma mera cópia dos EUA, isto é, neoliberal, especulador, lobista e privatista dos lucros e socialista no prejuízo.

    Quando todo mundo já possui o mínimo, até admite-se uma certa dose de egoísmo, de indiferença e até mesmo de preconceito, pois essas atitudes volta e meia pairam sobre qualquer indivíduo em qualquer lugar.

    No entanto, em países explorados e repletos de corrupção, a única chance de tornar a sociedade menos desigual e de projetar avanços em setores cruciais ao seu desenvolvimento priorizando educação e saúde é passar por pelo menos três décadas de governos de esquerda pra arrumar a casa e transformar a pirâmide social em um losango.

    Quando isso acontecer, as escolhas passarão a ser feitas de maneira mais racional, com maior reflexão, sem pressa e sem buscar benefício próprio.

    Tendo passado por esse momento de uma social democracia (representada pelo PT de Brasília e não pelo PSDB), aí, sim, a sociedade em geral terá amadurecido o suficiente para viver cooperativamente. Nesse momento, uma direita nacionalista e civil não-repressora tornaria saudável a alternância do poder.

    Não é tão simples assim dizer que o povo francês em geral é mais culto ou que a direita lá “dá certo” e que o modelo possa, pura e simplesmente, ser “transplantado” para o Brasil.

    A América Latina é multicultural e os saberes populares (p. ex.: ervas medicinais a partir do conhecimento indígena; culinária; folclore; artesanato; indústria primária de pequeno porte) não fazem parte das políticas de direita.

    A direita precisa mudar muito para não ser excludente. A esquerda, por sua vez, também precisa mudar muito para aprender que tudo o que se faz se faz em rede.

    Assim como está no Brasil atual, a pior esquerda democrática ainda consegue ser um pouco melhor do que a melhor direita democrática.

    É por tudo isso que eu defendo o voto facultativo e que o voto nulo não representa necessariamente omissão, ignorância e nem tampouco desrespeito àqueles que morreram lutando contra a ditadura: o formato legal e prático que define e financia campanhas é extremamente corrupto e ninguém, por mais honesto que seja, consegue desvencilhar-se dele.

    Sinal de que não há amadurecimento generalizado.

    []’s,
    Hélio

  2. Daniel Pearl disse:

    Companheiro HÉLIO, gastaria do apoio na divulgação do novo vídeo: “KASSAB, O PIOR”. Imperdível. Liberado para publicação no seu blog. O endereço no Yuo Tube:

    Um abraço, Daniel – editor do Desabafo Brasil:
    http://desabafopais.blogspot.com/

  3. Carlos Maia disse:

    Hélio, quem disse que a vanguarda do bom pensamento é monopólio da esquerda? Negativo, se fosse assim, os povos cultos e socialmente desenvolvidos como a França, Alemanha e Itália não teriam votado em Sarkozy, Merkel e Berlusconi. E acho que a tendência de Porto Alegre é manter essa linha ideológica que estamos vivenciando. Os partidos de esquerda aqui já tiveram seus governos e o resultado dessa eleição é também uma forma de se comparar o que fez o PT e o que fez o Fogaça.

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