MU!

3 comentários sobre “MU!”

  1. Maia,

    Não existe monopólio da virtude por parte da esquerda, nem tampouco da direita: a diferença mais forte em termos de atitude é que a direita tem preconceito contra os pobres e a esquerda tem preconceito contra os ricos.

    Porém, há uma série de hubs ou conectores (isto é, de sujeitos que fazem a ligação entre grupos diferentes em situações nas quais um precisa do outro) de classe média ligando a classe média baixa aos ricos.

    Tanto discordo que exista monopólio da virtude, da competência, da inteligência e da sabedoria por parte de quem quer que seja que eu sou contra o diploma de jornalista, acabei de montar mais uma hipótese que não faça parte do lugar-comum nem do simplismo de achar que o resultado das urnas seja mesmo um julgamento positivo ou negativo de quem quer que seja.

    Agora… A direita sempre promete fazer crescer o bolo para depois distribuí-lo. Em iniciativas como a Parceiros Voluntários, isso funciona. Contudo, na prática econômica e social, isso não ocorre.

    A esquerda, por sua vez, arrecada mal e não sabe investir, fazendo com que o lucro (que existe, sim, apesar do serviço público não admiti-lo) desapareça e os investimentos inicialmente ágeis percam o fôlego diante da morosidade e da burocracia.

    A Europa vive um momento de xenofobia, pois não pode simplesmente fechar as fronteiras e impedir seus ex-colonizados de migrarem para lá em busca de melhores condições de vida. Isso se reforça pela baixa taxa de fertilidade e pelo aumento da longevidade, pois os idosos tendem a ser muito mais conservadores e simplistas.

    Porém, em sociedades seculares que detêm o poder e o saber há vários séculos, como o welfare state já resolveu os problemas da esmagadora maioria da população e não há previdência que dê conta de bancar tantos aposentados e pensionistas, um governo de direita é aceitável desde que não seja uma mera cópia dos EUA, isto é, neoliberal, especulador, lobista e privatista dos lucros e socialista no prejuízo.

    Quando todo mundo já possui o mínimo, até admite-se uma certa dose de egoísmo, de indiferença e até mesmo de preconceito, pois essas atitudes volta e meia pairam sobre qualquer indivíduo em qualquer lugar.

    No entanto, em países explorados e repletos de corrupção, a única chance de tornar a sociedade menos desigual e de projetar avanços em setores cruciais ao seu desenvolvimento priorizando educação e saúde é passar por pelo menos três décadas de governos de esquerda pra arrumar a casa e transformar a pirâmide social em um losango.

    Quando isso acontecer, as escolhas passarão a ser feitas de maneira mais racional, com maior reflexão, sem pressa e sem buscar benefício próprio.

    Tendo passado por esse momento de uma social democracia (representada pelo PT de Brasília e não pelo PSDB), aí, sim, a sociedade em geral terá amadurecido o suficiente para viver cooperativamente. Nesse momento, uma direita nacionalista e civil não-repressora tornaria saudável a alternância do poder.

    Não é tão simples assim dizer que o povo francês em geral é mais culto ou que a direita lá “dá certo” e que o modelo possa, pura e simplesmente, ser “transplantado” para o Brasil.

    A América Latina é multicultural e os saberes populares (p. ex.: ervas medicinais a partir do conhecimento indígena; culinária; folclore; artesanato; indústria primária de pequeno porte) não fazem parte das políticas de direita.

    A direita precisa mudar muito para não ser excludente. A esquerda, por sua vez, também precisa mudar muito para aprender que tudo o que se faz se faz em rede.

    Assim como está no Brasil atual, a pior esquerda democrática ainda consegue ser um pouco melhor do que a melhor direita democrática.

    É por tudo isso que eu defendo o voto facultativo e que o voto nulo não representa necessariamente omissão, ignorância e nem tampouco desrespeito àqueles que morreram lutando contra a ditadura: o formato legal e prático que define e financia campanhas é extremamente corrupto e ninguém, por mais honesto que seja, consegue desvencilhar-se dele.

    Sinal de que não há amadurecimento generalizado.

    []’s,
    Hélio

  2. Hélio, quem disse que a vanguarda do bom pensamento é monopólio da esquerda? Negativo, se fosse assim, os povos cultos e socialmente desenvolvidos como a França, Alemanha e Itália não teriam votado em Sarkozy, Merkel e Berlusconi. E acho que a tendência de Porto Alegre é manter essa linha ideológica que estamos vivenciando. Os partidos de esquerda aqui já tiveram seus governos e o resultado dessa eleição é também uma forma de se comparar o que fez o PT e o que fez o Fogaça.

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