BREVE DISCUSSÃO SOBRE INTERAÇÃO DA BLOGOSFERA COM O PIG

O PIG muitas vezes entrevista os dois lados, dando maior espaço para o lado que o patrocina, que o cobra e que, em outra dimensão, dele também depende.

Contudo, normalmente o que eles fazem quando chamam um “especialista” pra falar é endossar o status quo, já que os especialistas chamados na maioria das vezes ou são conservadores, ou se pronunciam cheios de dedos porque, de seu lado, também dependem dos patrocinadores do PIG.

Infelizmente, um blog não foi, não é e sequer terá como ser considerado mídia de massa porque é fruto de uma interação um-um ou um-uns e não um-todos ou todos-todos (compreenda  melhor esses conceitos aqui), como o rádio, a TV, o jornal ou a revista. Se existe um alento em relação a essa realidade aparentemente trágica é o fato de que os portais de conteúdo do PIG também não podem ser considerados como mídia de massa. Por exemplo: se o ClicRBS quiser continuar mantendo os comentários abertos para cada notícia que postar, certamente encontraremos alguns (às vezes mais da metade) comentários bem legais de pessoas de esquerda, dando “nos dedos” deles.

Ora, como todos os grandes portais de conteúdo disponibilizam comentários, o primeiro que fechar esse canal de diálogo com o seu consumidor cairá em desgraça junto aos seus próprios pares.

Claro que eles podem deletar, censurar e serem malcriados com um comentário que contraria a sua agenda de interesses. No entanto, com centenas de novas notícias por dia em dezenas de editorias e a preocupação em decupar e editar o trabalho semi-escravo de um punhado de jornalistas, o que conta a nosso favor quanto ao gigantismo deles é a impossibilidade deles darem conta de censurar milhares de interagentes.

Percebam: o espaço de comentários é o único espaço dentro de um site ou blog que, mesmo quando protegido por senha ou quando reconhece a localização do comentador por IP, oferece a total impossibilidade de previsão de quantidade, qualidade ou viés das interações. E, como falei acima, salvo em raras e desonrosas exceções, mesmo que eles desenvolvessem um robô que deletasse automaticamente comentários que contivessem determinadas palavras-chave, isso seria impraticável e descaradamente desonesto, tendo em vista que eles não podem ignorar que comentários favoráveis à sua agenda também podem conter as mesmas palavras de um comentário oposto.

Trocando em miúdos: mídias intrusivas (este é um termo aparentemente meu, que não sei se seria correto, mas acho que fica mais fácil de entender dessa forma), isto é, aquelas que “agradecem o carinho de entrar sem pedir na sua sala, no seu quarto, na sua cozinha, na rua, no metrô ou no seu carro”, são massivas. As mídias para as quais o receptor precisa correr atrás a fim de buscar informação não são massivas.

Entendo quando se fala que as idéias neoliberais ou de direita já possuem espaços demais enquanto as idéias socializantes ou de esquerda são menos visibilizadas a partir de qualquer tipo de mídia. Porém, se informação é aquilo que produz diferença, informação, notícia, opinião e crítica são gêneros totalmente diferentes que não necessariamente produzem diferença. Se formos dicotomizar essa afirmação, poderíamos dizer que, tanto à esquerda como à direita (ignorando-se as infinitas nuances dos valores estritamente pessoais e o contexto de cada indivíduo), pode-se OU NÃO produzir informação (e,
conseqüentemente, diferença).

Trocando em miúdos, a grande diferença técnica, teórica e empírica entre a web (portais, sites, blogs) e a mídia de massa (rádio, TV, jornal, revista, publicidade, RP e assessoria de imprensa sobre suportes urbanos) é que os funcionam como um telefone sem fio e a mídia de massa funciona como um megafone.

Então, como produzir diferença? A diferença reside em fazer o que o senso comum não espera que seja feito e que o que for feito siga um modelo discursivo inesperado. Isso é o que chama a atenção para que os que não comungam das mesmas idéias do blogueiro emerjam como uma importante parcela da audiência, que supera em importância até mesmo a do mundinho dos próprios pares do blogueiro. É o pulo que se dá a fim de superar a fase de conversar com as paredes ou de não produzir debate nem o contraditório.

Enfim, eu tenho uma posição formada sobre determinadas pautas que acredito serem imutáveis, seja a favor ou contra. Há, ainda, um outro conjunto de temas sobre o qual posso mudar de opinião parcialmente ou até mesmo totalmente. E isso acontece com toda e qualquer pessoa, sem que se possa afirmar que o sujeito é “do bem”, “vaselina”, “maria vai com as outras” ou que ele queira “reinventar a roda”. Não é assim que se confia ou desconfia, nem que se mede coerência.

O PIG não possui ferramentas – digamos – mais humanas e mais comunitárias para surpreender a sociedade. Hipoteticamente, a gente não vai conseguir alcançar um espaço maior se não conseguirmos arrancar o megafone da mão dele durante 15 segundos em uma hora.

Portanto, ele não vai se confundir, entrar em contradição e tampouco reverberar aquilo que nos interessa se a nossa prática for semelhante à dele.

Nesse ponto, considero importante ouvir os dois lados. Não importa que o outro lado já possua espaço midiático excessivo: como eles serão mediados por nós, poderemos fazer as questões que o PIG não faz em função do comprometimento dele e da nossa independência. O esperado por eles é que nós não saiamos do alcance de nossos pares e permaneçamos conversando dentro da mesma roda de amigos.

É tudo uma questão de saber realmente o que se quer comunicar, quando e para quem. Pois a partir dessa questão é que se define o alcance da diferença que se deseja produzir.

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Publicado em ATIVISTAS
Um comentário em “BREVE DISCUSSÃO SOBRE INTERAÇÃO DA BLOGOSFERA COM O PIG
  1. claudia cardoso disse:

    Hélio, a tua frase já começa com um problema: o PIG não dá MUITAS vezes espaço para o contraditório: ele dá RARAMENTE esse espaço. Quando o contraditório não vem em forma de A Pedido pago, como foi o do Colégio Ancheita sobre matéria nojenta da não-Veja.
    Mais, parece que pós-modernos e a esquerda não entendem que a Internet é espaço plural, onde todos podem dizer o que bem entendem. Assim, no meu blog, eu escrevo/lonco o que desejo, o que diz respeito à minha visão de mundo e dou voz a quem eu quero, tenho essa autoridade. Assim como a direita tem espaço para dizer o que bem entende e eu irei ler o que ela escreve se quiser.
    É uma falsa democracia “abrir espaço” para a direita em blog. A democracia está no meio – INTERNET.
    Ofereço aos leitores minha visão de mundo,, apresento novos argumentos, tento dizer que as coisas não são bem assim como eles pensam via PIG e seu PUM.
    Não é necessário perder tempo em dar espaço para quem já tem.

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