AS CONTRADIÇÕES ENTRE GRANDE MÍDIA x ESQUERDA

5 comentários sobre “AS CONTRADIÇÕES ENTRE GRANDE MÍDIA x ESQUERDA”

  1. O capitalismo ainda é muito jovem, mas é fato que é um sistema de poder que se estabeleceu muito rapidamente. Acelerou o progresso técnico e gerou uma abundância jamais vista. Ainda assim, estão excluídos desta festa uns 2/3 da humanidade (sendo o capitalismo um sistema concentrador, é mais fácil criar novas necessidades para os incluídos do que ampliar o mercado consumidor de produtos básicos – e mesmo quando isto aconteceu se deu majoritariamente pelo barateamento da produção devido ao progresso técnico do que por uma “desconcentração” da riqueza). Diante disto e acrescido da perspectiva de os recursos naturais se esgotarem, eu fico na dúvida: as constantes crises do capitalismo, às quais o Maia se refere revelam uma prodigiosa capacidade de recuperação, ou seria um adolescente de saúde frágil, embora parrudo?

  2. Maia,
    A sociedade já se autogere desde de seu surgimento, a não ser que você acredite que o Estado, a Igreja, as corporações e demais órgãos de controle sejam instituições alienígenas.
    O Estado é uma instituição que é fruto da socidade e o único dos que eu citei com algum potencial de democracia (ainda longe do ideal), o único que é dirigido por meio de representantes escolhidos por um sistema em que todo cidadão tem o mesmo direito a voto. Mesmo supondo que o consumidor tenha poder sobre o mercado, este poder seria proporcional ao poder econômico do consumidor. Em se tratanto de um país (de um planeta, na verdade) em que as desigualdades de poder econômico são absurdas, isso significaria que os únicos com poder de pressão sobre o mercado são os próprios capitalistas que lucram com os interesses do mercado e é evidente que eles não vão se auto pressionar.
    Os liberais clássicos, e o próprio Smith, não pregavam o fim do Estado ou sua inutilização, mas sim a separação entre Estado e Mercado. Ou seja, o Estado não poderia ter interesse econômico já que é o responsável pela elaboração e execução das leis. Sendo parte economicamente interessada, o Estado teria a capacidade de mudar as “regras do jogo” para vencer a concorrência. O contrário também é verdadeiro: o mercado deveria abster-se das atividades do Estado. Smith recomendava cuidado com as leis sugeridas por empresários pois estes sempre visariam seus interesses econômicos, nunca os da coletividade (e me vem à mente a discussão atual acerca dos recursos do pré-sal). Neste segundo caso ocorre o mesmo que no primeiro: um agente com interesse econômico legislando e executando em benefício próprio. Parece-me que o problema do Brasil é mais o do segundo tipo: o Estado é extremamente suceptível às pressões do mercado que tem uma capacidade enorme de constrangê-lo a tormar decisões a seu favor ou de imobilizá-lo quando tentar o contrário. O nosso problema não é de falta de mercado, mas de excesso de mercado e falta de democracia. Oxalá todo poder emanasse do povo, como diz a constituição.

  3. Em tempo: não entendi o que tu disseste a respeito do Moore. Eu não o censurei nem sou contra o trabalho dele – muito pelo contrário, acho fundamental.

    O único senão que eu coloquei em discussão foi que ele forçou a barra ao contar uma historinha cuja produção foi mais falsa do que uma nota de três reais.

    []’s,
    Hélio

  4. Maia,

    A auto-gestão e a auto-organização que a Teoria da Complexidade e as Teorias das Redes observam só levam o mundo a um patamar humano, ecológico e econômico superior para todos sem exceção em 50% das situações. Os outros 50% exigem ações imediatas para a exclusão social e para a preservação do planeta que a auto-gestão e a auto-organização são incapazes de fazer.

    A auto-organização parte do nível mais baixo para o mais alto. Portanto, se há um sistema que privilegia a extremamente poucos e exclui a esmagadora maioria, é sinal de que a censura, o autoritarismo e a imposição de um pensamento hegemônico NÃO SÃO frutos de um sistema auto-organizado mas, sim, de um sistema top-down.

    []’s,
    Hélio

  5. Hélio, deixa a sociedade se auto gerir. Moore passa em todos os lugares e o cara critica o sistema. O que não se pode conceber é censurar o Moore. Chegamos a um ponto que esse tipo de autoritarismo é inconcebível. Mas essa liberdade quem faz é o mercado, que vocês tanto criticam. Moore tem mercado, muita gente adquire os produtos de Moore. E isso continua sendo o malvado do capitalismo. É onde nós estamos embutidos, mas que sobrevive exatamente porque ele consegue se desviar das constantes e eternas crises. Tanto que ele está ai, nos dominando.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s