MULTIDÃO, POVO, MASSAS E CLASSE OPERÁRIA

4 comentários sobre “MULTIDÃO, POVO, MASSAS E CLASSE OPERÁRIA”

  1. Tu estás misturando modernidade (revolução industrial, taylorismo-fordismo, sociedade, relações e economia extremamente hierarquizada e metódica, pouco criativa) com pós-modernidade.

    Foi sobre isso que eu comentei em relação ao teu primeiro comentário.

    []’s,
    Hélio

  2. Hélio, na sociedade ocidental de hoje em dia ninguém mais casa de forma arranjada. A família moderna tem a tendência de ser mais aberta e isso é sim revolucionário. As pessoas da casa se conectam on line para saber as notícias e as novidades. E o tão criticado individualismo não é o grande vilão de tudo. Nunca na história mundial tivemos tanto controle da sociedade sobre os atos do Estado. Nunca na história mundial, a família esteve tão crítica em respeito a tudo e isso é bom. Ferry, quando ministro da educação da França fez um ato extremamente corajoso, proibiu os símbolos da religiosidade. Nas escolas públicas francesas não pode haver crucifixo e nem meninas com véus muçulmanos. Ferry é um conservador revolucionário.

  3. Maia,

    Nesse ponto concordo contigo. Só faço uma pequena correção e acrescento outro dado:

    – A família moderna não é exatamente o que o Ferry descreve, pois ele fala de características pós-modernas para um modelo moderno de família. Em termos de práticas e desejos, ele está correto. Só que não dá pra misturar alhos com bugalhos, já que a família na modernidade caracteriza-se pelo conservadorismo patrimonialista.

    Da mesma forma, esse conservadorismo foi o que se seguiu aos casamentos arranjados baseados em laços de sangue e de preservação do status quo.

    Em termos práticos, ser conservador em termos de constituição do núcleo famíliar e seus valores + moral religiosa não tem nada a ver com esquerda ou direita: fora o patrimonialismo e uma certa dose de “TFP” adaptada ao meio urbano em tempos democráticos, não se pode taxar esse pensamento de esquerdista ou direitista.

    O segundo ponto no qual quero tocar é o seguinte: o Ferry está certo quanto às características da família contemporânea. Todavia, como ele é um autor de transição entre épocas (transição essa que ainda estamos vivendo, porém já avançamos alguns passos à frente outros para trás, dependendo da área de conhecimento e do contexto social), não acrescentou a cereja do bolo que caracteriza dois modelos da família PÓS-moderna.

    O primeiro é: ao contrário da família moderna, que não admitia estabilidade nem boa criação em caso de pais separados e em filhos de segundo ou terceiro casamento, a família pós-moderna formada por várias uniões e desuniões matrimoniais não é necessariamente educadora de filhos carentes ou desajustados. Há uma maior solidariedade, respeito e, acima de tudo, diversidade cultural e tolerância às diferenças entre diferentes idades de meios-irmãos criados 50% de maneira parecida, 50% de maneira diferente. Tendem a ser pessoas mais independentes, com maior iniciativa e mais criativas.

    Já o núcleo familiar sem separações tende a melhorar suas relações à medida que a produção imaterial possa ser feita online a partir de casa. É mais tempo dos pais convivendo com os filhos, evitando o stress do trânsito, alimentando-se melhor, vendo os filhos crescerem no dia a dia e, mais importante, trocando mais afeto e dando mais conselhos.

    []’s,
    Hélio

  4. Hélio, leia o último livro do Luc Ferry sobre a família. Inventaram que família é uma tese de direita. Porque os movimentos de direito sempre evocaram a família. É a família contra o aborto, contra o divórcio etc. Mas ele, Ferry diz: isso é completamente falso e idiota. Não há nada mais democrata e moderno do que o tema da família. A verdade é que a família moderna fundada no casamento de amor é uma instituição muito recente. No Antigo Regime não existia o casamento por amor, mas sim para transmitir um nome, uma herança, uma linhagem. É no seio dessa nova estrutura nova da família fundada no sentimento que se desenvolvem essas novas transcendências. É o que cria novas formas de solidariedade e também novas questões políticas.
    O individualismo moderno tem uma grande característica: a preocupação com o outro e a autocrítica. Nunca uma sociedade criticou a colonização e a escravidão como faz a sociedade moderna. Enquanto que a escravidão continua a ser praticada na África e no mundo árabe-muçulmano como nunca foi no século 18 na Europa. Isso ninguém ousa dizer. Então, o indivíduo moderno é autocrítico e também muito aberto aos outros, ele se interessa pela alteridade. Hoje somos muito mais abertos do que jamais fomos no passado. Estamos numa saída de nós mesmos, algo novo, e que paradoxalmente se dá nas relações interindividuais fundadas no amor. Não é o individualismo no sentido do egoísmo. Não há nada mais coletivo do que os problemas individuais. Temos todos os mesmos problemas, de vida amorosa, de separação, de divórcio, de educação dos filhos, de poder de compra, de escolha de uma profissão que dê prazer. E o político que compreender isso alcançará um enorme sucesso.” Ferry é muiiiito bom.

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