A MÍDIA CORPORATIVA DENTRO DE UM SISTEMA CONSERVADOR

3 comentários sobre “A MÍDIA CORPORATIVA DENTRO DE UM SISTEMA CONSERVADOR”

  1. Meia dúzia de franceses, Hèlio, lêem o Le Monde Diplomatique. Os franceses lêem o Le Monde que tem outra linha editorial, mas diferente da versão Diplomatique controlada pelos troscos franceses. França e Inglaterra são sim belos exemplos, mas não vejo muita diferença daquela mídia com a nossa. BBC é pública. Mas a Inglaterra é um país muito mais capitalista e liberal do que o Brasil. É tudo mais ou menos igual, como diria Wenders. Cabe ao bom viajante procurar a mídia boa para sua tosse. Eu tento ler tudo, porque assim aprendo melhor. Essa história de controle social dos meios de comunicação é balela pura, porque quem faz controle social é uma minoria participativa e que não reflete os anseios, as vontades, os gostos da maioria silenciosa. Nem na Inglaterra e nem na França existe controle social dos meios de comunicação.

  2. Maia,

    Não é questão de preconceito ou não preconceito: se um sistema industrial qualquer é movido por patrocinadores, ele não irá falar mal deles nem falar bem dos concorrentes de seus patrocinadores. Isso é fato. É comprovação científica baseada em uma prática muito conhecida.

    País civilizado midiaticamente falando só há dois: a França tem o Le Figaro declarada, assumida e coerentemente de direita, e o Le Monde Diplomatique, declarada, assumida e coerentemente de esquerda. As cartas estão dadas e os baralhos são do mesmo tamanho para todos.

    O outro é o Reino Unido, que possui a melhor televisão pública do planeta. Pública, porém de capital misto com distribuição quase igual: o governo detém 50% + 1 e o mercado de ações negocia 50% – 1 das ações da BBC.

    A BBC é a única emissora do mundo que, se quiser produzir um documentário sobre chocadeiras de carrapatos, contrata somente para aquele job o melhor iluminador, o melhor diretor, o melhor fotógrafo e escolhe a melhor locação do mundo, especializados em chocadeiras de carrapatos.

    Por que ela tem dinheiro para isso? Porque a televisão no Reino Unido não é gratuita e nem obrigatoriamente a cabo: se tu comprares um aparelho televisor de qualquer tamanho ou de qualquer tecnologia, não será através do seletor de canais da TV que tu irás trocar de canal (não importa se o seletor for analógico ou digital, com ou sem controle remoto) mas, sim, do controle remoto que controla a setup box que necessariamente deve vir com a tua TV da loja.

    Se tu não pagares £10.00 por mês, nem TV “aberta” tu tens. Neste caso, não considero anti-democrático nem excludente, já que a BBC tem duas emissoras de TV, uma de rádio, o melhor portal de notícias do planeta com milhares de profissionais espalhados pelo globo e seu orçamento dá de relho no da Globo, da CNN ou da TNT.

    Se em uma população de 100 milhões de habitantes (Inglaterra, País de Gales, Escócia e Irlanda do Norte) um em cada quatro habitantes (mais ou menos o número de famílias) paga £10.00/mês, a BBC arrecada nada mais nada menos do que £25 MILHÕES de libras MENSAIS, fora a valorização não muito alta porém constante dos papéis equivalentes a metade do seu valor total na bolsa diariamente.

    Dessa forma, ao invés de um Ministério das Comunicações entregue a um ex-funcionário da Globo ou de uma ANATEL onde a maioria dos votos pertence às empresas e não ao governo nem aos representantes da sociedade civil ou, ainda, da acusação de falta de democracia, de censura, chapa-branquismo ou interferências regionais na rede de mídia pública ou da subjetividade sempre tendenciosa a favor dos interesses dos patrocinadores da mídia mantida única e exclusivamente pela iniciativa privada, temos um empreendimento fiscalizado por toda a sociedade, com alto nível de produção e o mínimo possível de distorção.

    Nesse sentido, muitos setores poderiam ser melhorados no Brasil seguindo um modelo semelhante.

    []’s,
    Hélio

  3. Hélio, uma das muitas coisas que eu gostei da palestra do Wim Wenders na segunda-feira aqui em Porto Alegre é que ele não tem preconceito. Ele é um viajante, ele não é um turista. Em relação ao cinema hollywoodiano — que poderiamos aqui comparar à grande mídia — ele disse que assiste, mas que aquilo é apenas entretenimento e não gera conhecimento. O que gera, afinal, conhecimento? O que gera conhecimento é a identidade do lugar, a memória do lugar, mas nesse mundo todos os lugares estão ficando parecidos. Os cartazes do cinema de Berlim são os mesmos de S. Paulo, de Nova York e Bruxelas. E assim caminha o mundo e nós estamos embutidos nele. Qualquer forma de crítica genérica da grande, da pequena mídia e também da blogosfera é preconceito. É difícil generalizar hoje em dia. Não se pode dizer que a grande mídia está sempre totalmente errada, porque ela não está. A mídia tem que ter opinião, é necessário que ela tenha opinião, que seja crítica. Ela pode até defender seus interesses, isso ocorre em todos os países socialmente desenvolvidos, mas achar que esses interesses são malvados, corruptos, não prestam etc.. é uma generalizaçaõ banal inadmissível e que chega às raias do preconceito. Aprendi muito com Wim Wenders, ele me deu alguns insights, porque ele é cheio de feedback. Grande e sensível viajante Wenders.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s