AINDA SOU O MESMO DE SEMPRE

Este blog nasceu quando eu ainda acreditava em muitas das instituições brasileiras que demonstram-se ora viciadas. Na mesma época, eu ainda acreditava em várias formas de reivindicação e de debate regidas pelas atuais leis brasileiras como a “melhor” forma de solucionar demandas sociais relevantes para tentarmos transformar a pirâmide social em um cubo.

Não vou deletar nem me arrepender de nada do que eu escrevi daqueles tempos em que ainda cria nos partidos, nos sindicatos, nas leis: eventualmente, um daqueles fatos pontuais pode ser fonte de alguma solução contemporânea porque a temporalidade de ambas as questões permanece semelhante e segue o mesmo ritmo dos ritos políticos modernos.

A transição da modernidade para a pós-modernidade é desigual e jamais terminará: mais cedo ou mais tarde, a mudança de época consolidar-se-á por diversas culturas de forma que a técnica e a comunicação atinjam o mesmo grau de fonte de poder e de meio de realização econômica ao qual o meio urbano já vive.

Por outro lado, algumas raras sociedades pré-históricas, medievais ou agrárias ainda poderão viver muito bem nesses estágios de temporalidades, culturas e alteridades distintas. Por uma questão de cidadania, tudo isso deve ser tolerado, respeitado e não-modificado de fora para dentro. O desafio é proteger essas culturas e ajudá-las a resistir ao bombardeio hegemônico, cujo objetivo de homogeneizar a sociedade é meramente comercial.

O problema maior surge quando defende-se como único modelo de sociedade a celebração dos valores iluministas da Revolução Francesa como um mantra; a modernidade industrial taylorista-fordista como uma forma de organização tão necessária como conflitante e a tecnofilia do fetiche, na qual o produto sociotécnico torna-se mais do que a forma com que a sociedade irá se apropriar do seu uso mais importante do que esse uso.

Cada indivíduo é responsável e interessado por uma determinada esfera da sociedade. Sua vontade de atuar coletivamente depende do quão consciente ele é da sua identidade e da sua pertença. Essa consciência da preservação de uma cultura local, hoje em dia, para a MINHA forma de atuar como ativista, significa pouco e não soluciona mais nem questões pontuais e imediatas, nem tampouco ajuda-nos a encontrar o primeiro floco que originou a imensa bola de neve na qual estamos todos presos.

Não tenho como ensinar nem como impor um jeito “certo” de blogar ou de resistir. Tampouco sei qual é o jeito “errado” de blogar ou de resistir. A única coisa que eu sei neste início de pós-modernidade é que toda a informação que circula pelo ar e pelas ondas eletromagnéticas vai reverberar em algum lugar. Depois, em outros. Mais adiante, em mais outros. Quando voltar, terá sido rebatida e transformada por incontáveis mediadores e remediadores daquele fato inicial.

Portanto, não creio que a solução para um problema local tenda a ser resolvida mais rapidamente se ela permanecer restrita a um conjunto extremamente pequeno de interlocutores locais: ela precisa circular e ser transformada no meio do caminho.

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