RS: REI DAS DOENÇAS DESNECESSÁRIAS NO BRASIL

Acompanho o primeiro post de hoje do CRISTÓVÃO FEIL no DIÁRIO GAUCHE:

Meu cunhado possui um boteco. Ele é caprichoso com a higiene, paga seus impostos, todos os funcionários têm carteira assinada, etc.

Porém, os alimentos que mais têm saída são empadão de queijo, croquete, kibe, cachorro quente e assemelhados.

Ele pertence a uma família de obesos: na família dele, quem tem dinheiro é movido a Coca-Cola e MacDonald’s. Quem não tem, a suco de saquinho e empada.

Uma sobrinha dele nem chega perto de frutas e verduras. E outro não toma água – só refrigerante.

A oferta de sucos naturais é pífia porque as pessoas não compram.

Outras guloseimas como tortas, doces e outros tipos de salgado, café preto, biscoitos e assemelhados também têm uma procura enorme.

A publicidade promove o produto de quem a paga. É a técnica de comunicação social que mais depende da economia de mercado. Há um código de ética entre agências, clientes e produtos concorrentes, mas não há uma Lei da Publicidade no país.

O máximo que existe é a regulamentação dos comerciais de bebida e álcool e a informação dos componentes dos alimentos.

Todavia, o RS é o estado que, na média, pior sabe se alimentar no Brasil. Devido ao chimarrão, ao café e ao tabagismo, o estado é um dos que possuem maior incidência de câncer de boca, faringe, esôfago e pulmão no país.

Como se come pouca salada, pouca fruta e se possui o péssimo hábito do lanche e do café da tarde, aqui também é o reino da obesidade, das doenças cardíacas e circulatórias.

Finalmente, como se tudo isso ainda fosse pouco, as famílias italianas e alemãs consideram gordo sinônimo de forte e magro sinônimo de fraco.

Infelizmente, sou pessimista quando a uma mudança de hábito para quem já é adolescente ou adulto. Meu melhor amigo é dono de uma academia de ginástica e, só de olhar para uma pessoa na rua, dependendo da circunferência e da dificuldade de se locomover, pode merecer ou não o triste rótulo de “bomba-relógio”.

Este é o oposto dos corpos dóceis de MICHEL FOUCAULT: são os CORPOS INDOLENTES.

Qualquer pessoa tem o direito de fazer com o seu próprio corpo o que bem entender. Ao mesmo tempo, há uma série de biotipos diferentes que não tendem a mudar por questões genéticas e devem ser aceitos e respeitados. Ninguém precisa ser um atleta de ponta, nem um glutão: é preciso ter consciência de que a saúde é o único bem indispensável para que possamos ter condições físicas, mentais e psíquicas de nos motivarmos para adquirirmos conhecimento, que é o único bem que ninguém pode nos tirar.

Um país melhor passa pela sapiência desses detalhes.

Este é mais um motivo pelo qual defendo intransigentemente a agricultura familiar, a pequena agricultura e a desconcentração populacional nas metrópoles e megalópoles.

E, sob esse ponto-de-vista, não é a publicidade ou a mídia mas, sim, todo o sistema industrial e comercial voltado para o consumismo aliado a péssimos hábitos individualistas que levam as pessoas a se alimentarem mal.

É uma questão de saúde pública das mais graves: onde a hipocrisia der lugar à consciência, constatar-se-á que a violência urbana e no trânsito representam quase um grão de areia em relação às mortes causadas pelas doenças acima.

No final das contas, os próprios mantenedores do atual status quo, tão preocupados com desempenho, produtividade, economia e lucro, agem totalmente às avessas ao torrarem fortunas em hospitais particulares e também perdem toda a sua razão ao reclamar dos impostos que pagam para o SUS tratar os pobres das mesmas doenças desnecessárias.

Então, é com profundo pesar que afirmo que, apesar de alguns avanços e de raros focos de massa crítica, o Brasil possui uma cultura alimentar predominantemente burra.

Mas a RBS e a GLOBO jamais irão fazer uma campanha maciça para comprar as hortaliças do tio Nestor em Coqueiros do Sul/RS (cuja economia é muito maior do que a dos municípios do sul do estado onde predominam as lavouras de eucalipto e as monoculturas extensivas de arroz, trigo e soja além da pecuária) em detrimento da Bunge, da Cargill, da Bayer Crop Science e por aí afora…

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