AVAAZ E GLOBAL VOICES: CIDADANIA GLOBAL

A resistência pós-moderna é realizada por uma multidão descentralizada, cujo ponto em comum é a consciência de que eles pertencem ao mundo todo e não apenas a um continente, país, estado, cidade, partido, associação, sindicato ou movimento social. A pertença e a territorialidade perdem o sentido identitário e revelam uma nova faceta do indivíduo, que é a de defender seus princípios e ajudar àqueles que mais precisam independentemente de onde eles estejam geograficamente.

Ser um cidadão do mundo não é ser estudado, viajado, poliglota, rico ou famoso: é estar ligado nas demandas sociais mais remotas. E, estar ligado em uma dessas demandas é estar ligado em todas ao mesmo tempo. Afinal de contas, elas são GLOBAIS: se ajudarem a resolver um problema no Zimbábue, terão ajuda para resolver um problema semelhante em Porto Alegre e assim sucessivamente.

As ferramentas da disseminação de idéias e a linguagem utilizada são as mesmas que fazem o turbocapitalismo girar: internet, celular, vender idéias políticas sob a forma de bens de consumo midiáticos, a partir de discursos curtos, dinâmicos, cujo conteúdo não precisa repetir o que a mídia corporativa mostra, agindo apenas como uma quebra, como um choque na linearidade do pensamento dirigido.

Se eles querem guerra, NÃO terão guerra: a solução de demandas sociais não funciona de maneira rápida através de leis burguesas, nem da esperança por uma mudança na Lei de Imprensa ou na Lei Geral das Telecomunicações e tampouco pela simples espera pela oferta de novas tecnologias de informação baratas.

Ao contrário do que muitos pensam, não existe alienação, ausência de sentido e nem tampouco esvaziamento da instância política: a esfera pública e o papel do estado agora estão nas mãos de certas instâncias da mídia corporativa e de seus patrocinadores. O estado é fraco e, portanto, é muito mais fácil combater diretamente os donos do mundo (empresas transnacionais de bens simbólicos) do que seguir acreditando que devemos ou alterar, ou defender o estado segundo o falho modelo democrático e legal que não consegue dar conta da sociedade em rede.

Hoje, o vencedor não surge através da tomada do poder político (nem das urnas, nem da força), nem do confronto de palavras em um ambiente totalmente controlado pelo oponente (mídia corporativa) e tampouco através de embates físicos (ocupação, barricada, invasão, destruição, pilhagem, etc.) contra os donos do poder econômico, coercitivo e simbólico: o vencedor é aquele que, pontualmente, consegue massa crítica suficiente para satisfazer demandas diferentes com um cunho semelhante espalhadas ao redor do planeta.

Enfim… Se eu não consigo massa crítica suficiente pra me ajudar aqui, então devo buscá-la no resto do mundo. Um blog não atinge milhões o tempo inteiro e pouca gente acessa internet. Mas a maioria da população mundial possui celular. Em breve, mais gente terá computador em casa do que televisores.

O foco – creio eu – é chegarmos antes no Primeiro Mundo, onde esse modus vivendi já está consolidado na esmagadora maioria da população urbana e, de lá para cá, através de outra forma de enxergar o nosso problema, acompanharmos a preocupação deles conosco e percebermos que empresas, governos, partidos, etc. daqui podem ter suas rédeas puxadas exatamente pela repercussão quase silenciosa que chega com força nos olhos e ouvidos do consumidor, que é quem pode fazê-los quebrar se não consumir seus produtos.

Não é uma simples questão de boicote: é a vergonha de ter seu discurso politicamente correto desmascarado como um reles embuste que, de responsabilidade social e de desenvolvimento sustentável não apresenta nada.

“Se alguém lhe bloquear a porta, não gaste energia com o confronto, procure as janelas.”

Não para fugir, nem para matá-los mas, sim, para cercá-los. Quem cerca, desarma. Quem desarma, mobiliza a si desmobilizando o outro.

Isso não significa que tal movimento seja simples nem que o sucesso seja garantido, assim como também não anula a importância nem a possibilidade de sucesso em focos nos quais ainda haja sociedades vivendo em mundos pré-históricos, medievais e modernos em plena pós-modernidade. Contudo, a resistência mais adequada a cada era é aquela que faz o melhor uso possível da tecnologia contemporânea. Usos equivocados de tecnologias inadequadas à época histórica daqueles que detêm a hegemonia só servirão para que sejamos esmagados por eles.

Milhões unem-se pela internet para forçar o G8 a obedecer o Protocolo de Kioto; para ajudar mais de um milhão de vítimas de um ciclone no Mianmar; para acabar com o clima de guerra civil e realizar novas eleições no Zimbábue; e, assim como nos mostrou o vídeo do começo deste post, também para impedir o choque de civilizações entre o islã e o cristianismo.

Dois dos caminhos possíveis são os propostos pela AVAAZ e também pelo GLOBAL VOICES ONLINE:

“O Global Voices agrega, organiza e amplifica a conversação global na rede – jogando luz nos lugares e pessoas que o resto da mídia geralmente ignora.”

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3 comentários em “AVAAZ E GLOBAL VOICES: CIDADANIA GLOBAL
  1. Cesar disse:

    Sim, Hélio. As petições não tem nenhum valor legal.
    Mas tem um valor emocional e político que não deve ser deixado de lado.
    Assinar uma petição, mesmo que sem nenhum valor legal, é dar apoio muito importante. É dizer que tem mais gente te dando força para continuar a luta.
    Nós tivemos essa experiência.
    Mesmo que fossem simples mensagens de apoios, via e-mail.
    É como se fosse uma grande torcida num campo de futebol. Ela não joga, não faz um time ruim virar seleção, mas dá um ânimo fundamental para o time que está sendo apoiado e um certo temor para o adversário…
    Pode acreditar nisso.

    Abraço

  2. Hélio Sassen Paz disse:

    Cesar,

    O problema das petições é que elas não possuem nenhum valor legal em função da facilidade de preencher um nome que não pode ser comprovado em outro país (p. ex. o CPF só funciona no Brasil e o security number só funciona nos EUA).

    Além disso, qualquer um pode reunir milhões de endereços de e-mail. E nenhum endereço de e-mail funciona como identificação válida.

    No site da AVAAZ, paguei 5 dólares por uma fração do valor de um anúncio de página inteira para ser veiculado no principal jornal da África do Sul relativo à questão do Zimbábue. Não precisa juntar mais do que 130 ou 140 doadores de cinco “verdinhas” pra bancar o anúncio.

    O PIG define suas pautas da seguinte forma: os assuntos são incluídas e excluídas da edição em função do comercial: novos anúncios = editor deleta, reduz ou amplia uma determinada matéria, de acordo com a necessidade. Se o anúncio e o fato não são mentirosos, como há um cliente e eles estão interessados no dinheiro, se a esquerda se mobilizar, pode mudar toda a face de um jornal impresso.

    []’s,
    Hélio

  3. Cesar disse:

    O fundamental é assinar as petições que eles disponibilizam.
    Como é difícil conseguir um apoio em petições, mesmo on-line…

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