POLÍCIA PARA QUEM PRECISA I

Tenho uma suposição a fazer em relação à consciência (ou falta de) no papel dos brigadianos que, via de regra, são tão maltratados quanto os movimentos sociais. Por dever do ofício, sentem-se forçados a agredir irmãos, semelhantes, pessoas que vivem uma realidade tão dura quanto a dos membros subalternos da corporação.

MICHEL FOUCAULT explica bem essa questão em seu texto OS CORPOS DÓCEIS (um capítulo do brilhante VIGIAR E PUNIR), que eu interpreto da seguinte forma: a rigidez da disciplina, os movimentos coordenados, a exaustão do treinamento físico e a coreografia da força (marcha, cassetetes nos escudos, avanço em linha) são, muito mais do que a vontade pessoal e coletiva de cada soldado em agredir ou em proteger quem quer que seja, uma demonstração daquilo que quem elaborou as leis do país e dirige a sociedade política e economicamente deseja para manter a ordem e o status a seu favor.

Não é a favor da maioria das pessoas mas, sim, a seu próprio favor.

Contudo, desde que o Homo sapiens surgiu, infelizmente, ainda não foi possível estabelecer um sistema de proteção que, de maneira clara, honesta, justa, óbvia e legal, fosse capaz de solucionar a necessidade de auto-proteção individual a partir de um padrão consensual.

Os soldados, aparentemente fortes, são, na verdade, singelos corpos dóceis, trabalhados para servirem a um senhor de maneira servil, obediente, sem contestação de seus métodos e pior: sem capacidade de negar-se a fazer o que não quer; de negar-se a bater em quem não quer bater; de negar-se a prender quem acha que não merece ser preso; de não contestar a lei brasileira, que privilegia a criminalização de pretos, pobres e putas e a manutenção dos mesmos de sempre no poder.

Portanto, dentre todos os excluídos e quase excluídos do Brasil, infelizmente, os homens de farda (até mesmo os de alto escalão e das Forças Armadas), estão entre os menos livres e os mais bitolados.

ELES TEMEM SEUS SUPERIORES.
ELES TEMEM AOS POLÍTICOS.
ELES DESCONHECEM HISTÓRIA.
ELES DESCONHECEM OS CORDÉIS DE FORA.

Tenho uma colega de mestrado que foi pequena agricultora, assim como seu marido (que hoje é doutor em Ciências da Comunicação) e possui muitos amigos no MST.

Ela foi visitar um casal de amigos violentamente agredido na manifestação “tiro no pé” no supermercado Nacional.

Relataram a ela que, no início, os sem-terra chegaram lá e havia um contingente policial bastante calmo. Um dos soldados, amigo de um dos militantes, avisou:

– Por enquanto, tudo normal. Mas na hora em que o Mendes chegar, por favor, se mandem daqui!

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2 comentários em “POLÍCIA PARA QUEM PRECISA I
  1. sofrenildo cydy cley disse:

    he muito uouo yeye
    huruhur
    vamola vamola
    lei seca na veia manoooooooooooooo
    ta no morro essa paradinha
    to ligado nas pulissas
    lula la he eu aqui
    he danssando bunda lÊ lÊ

  2. […] é o oposto dos corpos dóceis de MICHEL FOUCAULT: são os CORPOS […]

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