ELEIÇÕES NO RS JÁ: CRISE EXIGE DISCUSSÃO NACIONAL

Em relação aos graves fatos ocorridos no RS há muitos anos, tem gente comentando que eu estou propondo um golpe. Isso não é verdade: pretendo apenas pôr em discussão NACIONAL um questionamento severo tanto da lei do IMPEACHMENT (que, em qualquer conjuntura brasileira na qual o procedimento foi tomado após a ditadura militar, foi incapaz de gerar UMA transformação social, econômica, legislativa e tampouco política sequer do sistema brasileiro.

O questionamento também deve ser feito sobre a forma de representação governamental, que, infelizmente, apresenta três gravíssimas distorções no Brasil:

a) Não incentiva o bom senso nas decisões;

b) O saudável respeito à decisão de uma maioria que deveria ser honesta também não é o que prevalece;

c) A situação raramente faz uma audição honesta e atenta em relação às demandas e aos alertas feitos pela oposição.
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Não é segredo para ninguém neste país que a maioria das definições de candidatos e partidos que irão defender os interesses oligárquicos* em detrimento de um projeto de desenvolvimento sustentável para toda a população é fruto de reuniões que envolvem dirigentes patronais, partidários, banqueiros, latifundiários e multinacionais. Há quem diga até que a alta cúpula militar, religiosa e de entidades “secretas” eventualmente também são chamadas para essas reuniões.

Isso não é ilegal. Porém, configura uma demonstração de poder que intimida e que defende nitidamente os interesses de um status quo cujo modus vivendi precisa ser preservado a qualquer custo.

Embora eles façam parte da sociedade tanto quanto qualquer cidadão que não pertence a nenhum desses estamentos privilegiados pela hegemonia do poder econômico, político e coercitivo, deveriam trabalhar em conjunto com a maioria e não utilizando-a como bucha de canhão a fim de manterem o conservadorismo inquestionado. Afinal de contas, gerar emprego e pagar impostos não é suficiente: é preciso que eles demonstrem interesse em desempenharem seu papel na sociedade.
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Minha proposta (que carece de maior fundamentação jurídica) tem, como ponto de partida, as seguintes sugestões para um processo o mais transparente e transformador possível em caso de falcatrua como a que ora ocorre no RS e que não foi investigada nem no governo FHC, nem em todas as administrações do PSDB em São Paulo e, seguramente, com maior ou menor intensidade, verificam-se em qualquer outro rincão do Brasil:

1) NÃO AO IMPEACHMENT: SIM ÀS NOVAS ELEIÇÕES

O impeachment mantém no poder a mesma coligação partidária, que representa o mesmo status quo conservador de sempre. O vice pode até ser uma pessoa honesta, mas jamais irá deixar secar a fonte de recursos para a campanha de seus correligionários dentro das empresas públicas. Está, portanto, completamente contaminado ou por omissão, ou por necessidade.

2) COMO SERIAM ESSAS NOVAS ELEIÇÕES?

Em primeiro lugar, para evitar tanto a manutenção das mesmas forças no poder como também para evitar que a oposição simplesmente tome o poder com facilidade suficiente para seguir utilizando a seu favor as mesmas práticas condenadas pela sociedade civil organizada, é preciso tomar algumas medidas. Minhas sugestões preliminares são as seguintes:

a) Em caso de impeachment do governador, nem seu vice, nem nenhum senador, deputado federal, estadual, prefeito ou vice-prefeito da capital com mandato atualmente em vigor poderá candidatar-se, seja de que partido for;

b) Ex-senadores, ex-governadores, ex-vice-governadores e ex-prefeitos e ex-vice-prefeitos da capital também não poderão ser eleitos;

c) Ex-secretários de governo estadual e ex-ministros pertencentes ao mesmo estado de qualquer partido e em qualquer gestão anterior também serão inelegíveis;

d) As coligações partidárias da última eleição para governador deverão ser rigorosamente mantidas;

e) Todos os políticos comprovadamente envolvidos no escândalo serão sumariamente excluídos da vida pública: quem for funcionário público concursado ou cargo de confiança será exonerado e não poderá mais trabalhar no setor público, bem como não poderá nunca mais filiar-se a nenhum partido.
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As proposições acima têm lá suas restrições. Portanto, além de aperfeiçoá-las, precisamos também da assessoria de especialistas a fim de criarmos outros dispositivos ainda mais seguros e que contemplem a proteção contra outras forças ou distorções que ainda não consegui detectar.
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APÓIE A CAMPANHA: PUBLIQUE OS SELOS ACIMA E ENTRE EM CONTATO COM SEU CONGRESSISTA. SE ELE FOR HONESTO, ACEITARÁ DAR A CARA PRA BATER. DO CONTRÁRIO, NÃO O ELEJA NUNCA MAIS E DENUNCIE-O PARA SEUS CONHECIDOS.

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4 comentários em “ELEIÇÕES NO RS JÁ: CRISE EXIGE DISCUSSÃO NACIONAL
  1. Maia,

    Tô sem paciência. Estuda um pouco mais ao invés de agir como um “culto” cidadão de classe média que acha que o mundo é aquele que passa no jornal antes de definir décadas de ampla observação empírica de diversas disciplinas como maniqueísta.

    Não é preciso ser de esquerda ou ter vínculos partidários para ter boa vontade de compreender que há, sim, visões antagônicas de mundo que não se encaixam e que a neutralidade não existe.

    []’s,
    Hélio

  2. Carlos Maia disse:

    Hélio, não existe neoliberalismo. Isso é invenção daqueles que insistem em dividir o mundo entre bonzinhos e malvados, os maniqueístas. Absurdo, num país como o Brasil, que necessita de razoável serviço público sobretudo para a população de baixa renda, falar em Estado mínimo. O Estado não tem que ser mínimo e nem máximo, ele tem que ser eficiente, ele tem que funcionar e não tem que ficar cuidando, administrando empresas como o Banrisul, Vale, CRT etc…

  3. Maia,

    Caímos no velho dilema: todo mundo é inocente até prova em contrário perante a lei ou dever-se-ia estudar minuciosamente todo o tipo de declaração e de responsabilidade a partir dos atos ilícitos de terceiros que só puderam fazer o que fizeram porque foram guindados a uma posição privilegiada na hierarquia que permite meter a mão em dinheiro público?

    Hipocrisia? Não, de forma alguma. Sabes por que? Porque ambos têm liberdade de expressão pra acharem o que quiserem de seus adversários não apenas como forma de deslegitimar o poder por eles exercido como também para voltar ao poder em um prazo mais curto do que o do próximo período eleitoral.

    Todavia, foi mesmo a partir do Governo Lula que os Correios foram loteados para o PTB, sabendo-se que o PTB sempre foi situacionista desde Sarney?!

    Talvez fosse possível falar em hipocrisia (no que até eu concordaria contigo nesse ponto) caso houvesse a mesma quantidade, intensidade e peso de mídia corporativa neoliberal x mídia corporativa de esquerda no Brasil. Dada a disparidade do oligopólio de oito famílias que tornam qualquer pensamento contrário microscópico, só resta à esquerda berrar para tentar diminuir o estrago.

    []’s,
    Hélio

  4. Carlos Maia disse:

    Hélio, essa coalização partidária que elegeu Yeda foi vencedora. Ela teve o apoio da grande maioria do povo gaúcho. Yeda tem, ainda, a legitimidade do voto direto da maioria do povo gaúcho. Ontem mesmo aquele advogado do PT (não lembro o nome dele) no programa do Lauro Quadros disse que não existe ainda uma prova cabal contra Yeda. E realmente não existe. O que existe são ilações, indícios de que ela sabia que ao lotear as estatais aos partidos aliados estes estariam cometendo fraudes e se beneficiando. Mas isso, infelizmente, sempre aconteceu na política brasileira, inclusive no governo do PT. O PT deu ao PTB os Correios e o Brasil inteiro viu o Valdomiro Diniz recebendo uma bela graninha e colocando no bolso. Mas Lula não sabia de nada. Mas a Yeda, porque ela é tucana, sabia sim. É muita hipocrisia…

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