RS: SÍNTESE DA FIAÇÃO À YEDA

Atiramos o passado ao abismo, mas não nos inclinamos para ver se está bem morto.
William Shakespeare

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Estava esperando há tempos pela consolidação das denúncias insofismáveis contra políticos, funcionários públicos, empresários, advogados e alguns de seus parentes investigados pela POLÍCIA FEDERAL, pelo MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL e pela COMISSÃO PARLAMENTAR DE INQUÉRITO realizada pela ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO RS sobre o roubo de, até o momento, mais de R$40 MILHÕES do DETRAN-RS.

Representantes de todos os partidos que fazem parte da base de sustentação do Governo Yeda Crusius estão envolvidos até a alma: se não são políticos de carreira conhecidos através de cargos eletivos, são CCs (funcionários nomeados para cargos de confiança), empresários e lobistas influentes que participaram da arrecadação de fundos para a campanha falida do PSDB/DEM gaúchos já ao final do 1º turno da eleição de 2006. Também já está comprovado a partir de gravações telefônicas que a própria desgovernadora sabia de tudo desde o início e até mexeu seus próprios pauzinhos para defender e atacar a quem ela bem entendia que seriam úteis ou inúteis dentro da sua máquina governamental, que apresenta laços fortíssimos em certos setores das oligarquias industriais e agrárias da República da Pampa Pobre.

As primeiras denúnicias que estimularam a formação da CPI eclodiram em novembro de 2007. De lá para cá, até o indiciamento de 40 dentre os ladrões, a mídia corporativa gaúcha capitaneada pela RBS e pela RECORD, comportava-se como o verdadeiro Partido da Imprensa Golpista (PIG), expressão criada pelo jornalista PAULO HENRIQUE AMORIM.

Contudo, assim que a juíza SIMONE BARBIZAN FORTES (que escreveu um excelente livro intitulado DIREITO DA SEGURIDADE SOCIAL junto com LEANDRO PAULSEN, é mestra em DIREITO e doutora em CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS pela UNISINOS), lotada no Tribunal Regional Federal da 4ª Região, Seção Judiciária do Rio Grande do Sul – 3ª Vara Federal e JEF Criminal liberou a divulgação de grande parte do material diligentemente coletado pela POLÍCIA FEDERAL e pelo MINISTÉRIO PÚBLICO DO RS, essa mesma mídia hegemônica mudou completamente de comportamento.

No início do caso, a mídia corporativa gaúcha era movida pelo interesse puro e simples de blindar pessoas já comprovadamente culpadas a partir de provas há meses disponíveis para toda a sociedade. Se – e somente se – houvesse apenas indícios e nenhuma prova, aí, sim, esta mídia, ao proceder com tamanho comedimento, estaria sendo técnica e eticamente correta.

Todavia, não foi isso o que a RBS e a então CALDAS JÚNIOR (hoje RECORD) fizeram quando a matriz ideológica e o modelo de gestão dos políticos, partidos, empresários e demais forças sociais no poder não faziam parte do grupo financeiro, ideológico e coercitivo amigo, financiador, pautante e também dependente desses grupos midiáticos: houve, no RS governado por OLÍVIO DUTRA e nas importantes cidades de PORTO ALEGRE, SANTA MARIA, BAGÉ, PELOTAS, CAXIAS DO SUL, ALVORADA, GRAVATAÍ e SÃO LEOPOLDO administradas pelo PT uma série de notícias incriminadoras de pessoas ligadas a esse partido mesmo sem provas e sem a posterior denúncia ou sequer condenação na Justiça.

Até onde sei, o papel social do bom jornalismo seria o de denunciar sem criminalizar, de divulgar sem omitir e de oferecer provas para as suas acusações. Na atualidade, em meio a governos de direita que compõem a base de anunciantes do GRUPO RBS e da REDE RECORD RS (sobretudo os meios empresariais urbano e rural regidos pela FEDERASUL do vice-governador PAULO AFONSO FEIJÓ, pela FIERGS chefiada pelo sr. PAULO TIGRE, pelo SINDUSCON-RS e pelos latifundiários da FARSUL, orquestrados pelo sr. CARLOS SPEROTTO), há um esforço hercúleo para supervalorizar os feitos dessas forças e também para exaltar as suas reivindicações em relação ao poder público através de mecanismos de pressão estreitamente articulados entre si.

Esses mecanismos incluem a exaltação do trânsito que privilegia o transporte individual poluente, caro e violento em detrimento do transporte coletivo, barato e que privilegia a convivialidade e a sociabilidade, incluindo o pedestre, o ciclista e o pobre não-proprietário de veículos automotores; a criminalização gratuita, agressiva, acrítica e sem chance de defesa nem sequer de apresentação pública das demandas, dos objetivos, das conquistas e de todo o sofrimento dos movimentos sociais que representam a parcela excluída do consumo e da produção (cujo maior exemplo é o MST); o consumismo exacerbado associado ao culto à violência urbana, que vende empréstimos pessoais, seguros, ações, fundos de renda fixa, planos de previdência privada, planos de saúde, segurança privada, ignorância e pena de morte, além do privilégio do modelo taylorista-fordista para a indústria e do neoliberalismo para comércio, serviços, política e gestão pública, dentre tantas outras questões.

Quem não pertence a essas poderosas entidades, vê-se quase excluído do processo de reivindicar, de cobrar, de divulgar o que faz e o que deixa de fazer. As migalhas que lhe são oferecidas restrigem-se às seções de cartas e às “pesquisas interativas” cujo objetivo é o de perpetuar o status quo através de manifestações tão simplistas quanto conservadoras e míopes. Até mesmo sua participação através de programas de rádio, TV, jornais e revistas conhecidos como “populares” é voltada para o auto-elogio e para a auto-referenciação dessa própria mídia hegemônica, com o intuito de preservar a audiência através de um contato mais próximo com o seu cliente-consumidor através de técnicas de linguagem e de relacionamento dotadas de empatia.

A falta de democratização nos meios de comunicação brasileiros decorre tanto da histórica concentração de muitos veículos nas mãos de poucos proprietários (estabelecendo, portanto, um oligopólio) como também da falta de verba e de uma legislação capaz de equilibrar a equação possibilitando o equilíbrio na existência de visões divergentes com o mesmo alcance em distância, tempo, qualidade e quantidade de receptores. Enfim, é preciso romper a lógica de quem está acostumado a ganhar os debates no grito.

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2 comentários em “RS: SÍNTESE DA FIAÇÃO À YEDA
  1. paulovilmar disse:

    Mestre!
    Lembrei-me de meu velho pai, já falecido a décadas, homem no dizer dele mesmo, de poucas letras (era analfabeto), oriundo do trabalho rural duro, que tenho certeza, diria: “Se foi o boi com a corda”.
    Abraços!

  2. nilo disse:

    Leste a tal carta de Ferst? Tão querendo livrar a cara da dita cuja?

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