RESISTÊNCIA PÓS-MODERNA

Depois de tantos golpes do PIG, de tantas notícias horrorosas para o RIO GRANDE DO SUL, de tanta tristeza em relação à alienação da classe média e de tanto tentar me fazer entender ao bater na tecla da midiatização da sociedade (posso ter sido extremamente incompetente nesse sentido) e de tanta cegueira, miopia, idolatria e falsa satisfação de muitos militantes com as realizações significativas do Governo Lula, manifesto minha indignação contra os militantes baba-ovos.

O que esperar de uma politica de meio ambiente que permite que o país se transforme em uma roça de cana, em uma lavoura de eucalipto e permita a expansão da agropecuária na Amazônia?!

O Governo Lula, por ter como origem a indústria metalúrgica do ABC paulista, crê piamente que desenvolvimento e industrialização massiva são sinônimos.

MARINA SILVA, que, antes de 2003, acreditava ser a pessoa mais indicada do PT para suceder Lula entre a ala operária do partido e ALOÍSIO MERCADANTE, da ala pragmática, burocrática e burguesa são, cada um a seu modo, CANALHAS*.

Lula não irá fazer um sucessor dentro do PT. Nem dentro de um partido de esquerda ou de centro com os quais o PT eventualmente se coliga. Tornou-se uma sigla fisiológica como qualquer outra.

O que interessa é votarmos na ideologia e em quem menos passou a borracha sobre o programa do partido.

Sei que há um monte de blogueiros, sindicalistas, professores, funcionários públicos, pequenos empresários e estudantes filiados ao PT. Mas, na atual circunstância, a política partidária moldada sob a lei que precisamos seguir é mesmo a mais adequada, a mais democrática e a menos nociva para a sociedade?

Vejam só: os moderados da direita tiveram que engolir Rigotto e Yeda, enquanto os fundamentalistas reacionários estouravam champanha. SIM! ELES TAMBÉM SE DIVIDEM! SIM! HÁ DIREITISTAS NÃO-REACIONÁRIOS E INTELIGENTES!!!

Por outro lado, os moderados da esquerda (assim como os fundamentalistas) tiveram que engolir MARIA DO ROSÁRIO agora. Tivemos (sim, também estou nessa barca) que engolir também os ministros do PMDB e do PP. O não-questionamento das fortunas das famílias ACM e SARNEY. A não-democratização dos meios de comunicação.

Isso é sinônimo de involução, de evolução ou, simplesmente, a lógica neoliberal midiatizada, por estar em tudo e em todos, não pode ser alterada nas ações e no pleito?

Não há mais a possibilidade de dar canetaços à esquerda: sem diálogo e sem interagir com as demandas das forças contrárias, não há estado, não há governo, não há democracia.

NEGRI e HARDT apontam, em MULTIDÃO, que a resistência deve dar-se a partir de DEMANDAS SOCIAIS PONTUAIS COMUNITÁRIAS E CLASSISTAS, DEMOCRÁTICAS, DESVINCULADAS A TODO E QUALQUER PARTIDO, CANDIDATO OU IDEOLOGIA.

Para militantes bastante antigos e para militantes de meia idade, é muito difícil esforçar-se para rever conceitos e referências práticas e teóricas de luta. Porém, ou atualizam-se, ou só ficarão discursando entre seus pares.

Sabem por que a audiência de nossos blogs é pífia? Não é apenas nem principalmente porque não fazemos parte da máquina da mídia corporativa, nem por causa do despreparo tecnológico: é porque não existe UNIDADE. A esquerda nunca teve unidade. Nem mesmo na prisão, contrariando a piada. E não adianta nada ninguém dizer que prefere qualidade a quantidade ou que realmente escreve para seus pares porque essa desculpa não cola: quanto maior a quantidade de simpatizantes e até mesmo de adversários, maior a massa crítica. A mensagem irá colar, de uma forma ou de outra, em pessoas para as quais nosso discurso realmente fará diferença.

Há de se ser contra as práticas não-humanistas, acríticas, espetacularizantes do neoliberalismo. Há de se lutar sempre pelo crescimento contínuo da educação, da saúde pública, da pesquisa e do desenvolvimento tecnológico, da agropecuária de pequeno porte, SUSTENTÁVEL, da reforma agrária. TUDO PELO SOCIAL.

Há de se lutar contra a industrialização predatória, contra o peleguismo, contra a corrupção, contra o tráfico de influência.

Mesmo assim, é FUNDAMENTAL reconhecer o papel do empresário. Fiquei louco?! Não havia acabado de falar mal do emebeeísmo?! Não havia postado comentários em muitos dos posts de LA VIEJA BRUJA quando o autor citava os “MAURICINHOS DE MBA“? Hummm… Seria eu um mauricinho?! Estaria eu virando a casaca?!

DE FORMA ALGUMA: só acho que algumas lógicas de mercado são DECISIVAS para o futuro das mídias alternativas. Em primeiro lugar, se ser alternativo é apenas criticar a agenda da mídia corporativa, isso não irá mudar jamais e não iremos progredir: é o papel dela defender o seu e aos seus e há quem nela acredite que jamais irá acreditar em nós. Ela sempre irá existir. Devemos criticá-la? O trabalho de LA VIEJA e do PONTO DE VISTA são importantíssimos? SIM! SEM DÚVIDA! MAS PARA CONSCIENTIZAR A NÓS MESMOS SOBRE QUEM É A NOSSA CONCORRÊNCIA!!! Esse discurso NÃO PRODUZ A DIFERENÇA NA SOCIEDADE!!!

Do contrário, por que diabos o DOSSIÊ GLOBO do FAZENDO MEDIA, o clássico livro do recém falecido professor DANIEL HERZ chamado A HISTÓRIA SECRETA DA REDE GLOBO (que fala desde a bomba no RIOCENTRO até a manipulação pró-JAIR SOARES contra PEDRO SIMON feita pela RBS aqui no RS) NUNCA FORAM DEBATIDOS POR UM GRANDE PÚBLICO NEM FORA DAS UNIVERSIDADES?! A culpa não é da baixa tiragem nem da retirada do livro de circulação. Tampouco é do poder da empatia e do carisma dos âncoras dos telejornais ou da eloqüência dos colunistas bravateiros de jornais e revistas…

…É QUE NÃO DÁ PRA FORÇAR UMA GRANDE QUANTIDADE DE PESSOAS A ACREDITAREM EM TUDO O QUE A GENTE ACREDITA!!!

Precisamos aceitar patrocínios da iniciativa privada. Não precisam ser corporações, mas, sim, pequenas empresas locais, pontuais, que acreditem na causa. Basta investigar a idoneidade de pessoas físicas e jurídicas para aceitarmos esse investimento, que é uma relação ganha-ganha.

Também precisamos do auxílio de advogados, economistas e administradores. MÍDIA ALTERNATIVA precisa, sim, GERAR LUCRO PARA SE MANTER E PARA REMUNERAR DECENTEMENTE QUEM TRABALHA DURO PARA TORNÁ-LA CRÍVEL E GRANDE. Para isso, é preciso fazer o dinheiro trabalhar: deve-se comprar ações com um grupo de investidores de esquerda. É um investimento que se, gerido por gente competente, sempre serão compradas e vendidas ações de empresas de diversos portes onde, quando uma estiver mal das pernas, compra-se imediatamente as ações de outra empresa do mesmo porte que esteja em ascensão. A remuneração média anual gira em torno de 40% ao ano.

Ao mesmo tempo, há de se saber e de se aceitar que muitos ramos empresariais operam durante anos no vermelho antes de começarem a dar lucro. Isso explica o fato de os negócios serem mantidos: o fato de investir no mercado financeiro ao invés de investir-se na produção justifica esse movimento.

Mais uma polêmica para os fundamentalistas me alvejarem: digo que o MST também deveria investir no mercado financeiro e informatizar-se. Há um contingente considerável de pessoas de esquerda que poderiam ajudar o MST a fazer esse movimento. Não, não estou louco: chegou a hora de aprender a combater o inimigo como o inimigo age.

O MST poderia ocupar terras improdutivas com um dossiê que comprove esse estado a um número x de anos, dividi-la em lotes e investir em documentários que comprovassem que o latifúndio é a ruína da sociedade brasileira e que o minifúndio promove desenvolvimento sustentável e diversidade de produtos, melhorando a saúde da população.

Antes do advento massivo da TV DIGITAL, o PIG seria pago pra divulgar matérias sobre o MST. Caso se negasse, comunidades no ORKUT, uma enxurrada de indicações dos links que comprovassem tal hostilidade via TWITTER, os BLOGS e PODCASTS fariam uma enxurrada comunicacional tão grande que não poderia jamais ser ignorada nem pelo PIG, nem por seus macacos lobotomizados.

NÃO DÁ MAIS PRA SER ROMÂNTICO, PESSOAL!!! A RESISTÊNCIA PÓS-MODERNA SE FAZ COM O AUXÍLIO DE TODAS AS FERRAMENTAS SOCIOTÉCNICAS DAS QUAIS A SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA DISPÕE.

Vejamos: por que utilizamos notícias do PIG para combater as suas ações? Porque dentro do próprio PIG, HÁ SEVERAS CONTRADIÇÕES. Por que concordamos com significativa parcela do discurso do LUIZ CARLOS AZENHA, do PAULO HENRIQUE AMORIM e do ALON FEUERWERKER?! Por que ainda nos importamos com a verdade e com a farsa do OMBUDSMAN da FOLHA?! De onde tiramos argumentos para defender o lado bom do GOVERNO LULA e para afirmarmos que o PIG não sabe de nada em relação ao que seria o verdadeiro lado ruim do GOVERNO LULA?!

Na verdade, por mais difícil que seja compreender e aceitar isso, mesmo em desvantagem ou até mesmo sendo usados, PRECISAMOS INTERAGIR COM O PIG E COM AS FORÇAS CONSERVADORAS DO CAPITAL.

O que não podemos aceitar? Preconceito, tergiversações, mentiras, agressões, humilhação. Mas é preciso termos em conta que também agimos da mesmíssima forma em relação a eles.

Não proponho virar a casaca, deixarmos de ser da esquerda e virarmos centro. Nada disso: é uma questão de aprendermos que NÃO PODEMOS SER VEEMENTEMENTE CONTRA NINGUÉM, MAS SOMOS TOTALMENTE A FAVOR DE NOSSAS CAUSAS.

É difícil até pra mim lembrar disso. Mas é um esforço necessário.

Lembrem-se: A ESQUERDA PRECISA DEIXAR DE SER TECNOLOGICAMENTE IGNORANTE. E DEFENSORA DE CAUSAS, NÃO DE PARTIDOS.

É extremamente difícil escrever menos e também deixar de falar em capital, trabalho, burguesia e proletariado. Mas a sociedade, apesar de ainda possuir conflitos incessantes a partir dessas dicotomias, não quer saber de aprender ou de agir combatendo ou defendendo um lado ou o outro: o presenteísmo nos obriga a não termos mais essas dicotomias como discurso – apenas como forma de agir e de compreender a sociedade.

Mas não podemos nos prender apenas a isso: a sociedade é multicultural e multifacetada, de forma que os conflitos sociais ocorrem em graus diferentes, gerando demandas completamente diferentes às vezes para as mesmas agendas.

Compreendam, companheiros, que, de uma vez por todas, A REFLEXÃO SE DÁ ATRAVÉS DA MÍDIA! O BRASIL QUEIMOU A ETAPA DA ESCRITA: SAÍMOS DA ORALIDADE DIRETAMENTE PARA A CULTURA IMAGÉTICA.

Portanto, a articulação em torno das MÍDIAS ALTERNATIVAS deve-se efetuar, antes de mais nada, no sentido de privilegiar a INTERNET, deixando os caríssimos investimentos em imprensa escrita e televisada para locais onde não houver acesso à internet. O investimento em meio urbano para a culturação e conscientização de internautas das camadas mais baixas da população e da oferta de veículos diferentes para a classe média é muito mais necessário e decisivo, pois 80% da população vive nas grandes cidades.

A ESQUERDA PRECISA APRENDER COM OS TÉCNICOS PARA POUPAR TEMPO E DINHEIRO E PARA ATINGIR METAS COM MAIS EFICIÊNCIA.

Eis minha segunda contribuição de corpo ausente para o evento dos dias 16, 17 e 18/05 no RIO DE JANEIRO.

____________________

ATUALIZADO EM 16/04/2008 às 17h:

Minha indignação em relação à ministra e ao senador devem-se à liberação da exploração da Amazônia por ONGs estrangeiras durante 30 anos pelo do Ministério do Meio Ambiente e também por verificar que as articulações do PT no Governo Federal (do qual MERCADANTE era líder em 2003) pendiam à direita.

Ou o meu conhecimento a respeito de ambas as situações é miseravelmente pequeno, ou eu tenho enorme dificuldade em compreender e em aceitar certas demandas que deveriam ser públicas em detrimento do privado.

Não posso afirmar que ambos sejam os piores nem os maiores responsáveis por uma série de falhas do Governo que, via de regra, mesmo apesar de não trabalhar pela sustentabilidade, ainda assim tem conseguido melhorar a qualidade de vida daqueles que mais precisam, mesmo que tal melhora seja tênue em relação àquilo que se espera.

Peço desculpas pelo adjetivo pesado. Não quis ofender às suas honras e nem tampouco às suas respectivas famílias, profissões ou trajetórias militantes e profissionais. Todavia, creio que a indignação de um militante não-filiado mas que quase sempre votou no PT desde 1989 e sempre depositou uma confiança toda especial principalmente nas figuras de vocês (mais até do que no presidente Lula) deveria servir como reflexão para duas medidas:

 

1) para reflexão pessoal sobre se os fins justificam os meios, comparando sua atuação como situação em relação àquilo que pregavam como oposição;

2) para que, como duas lideranças extremamente significativas do partido, que fizessem o que nenhum deputado, vereador, prefeito, ex-ministro, ministro, senador ou governador petista o fez até hoje: dar uma satisfação a respeito do tipo de acordo que leva-os a aceitar ou a deliberar tais tipos de medidas.

A falta desse tipo de explicação e as contradições claras da prática política em relação ao conteúdo programático do PT não permitem que eu me filie ao partido. Além disso, lamento muito que, daqui para a frente, seja forçado a votar não no melhor partido ou candidato mas, sim, no MENOS PIOR.

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18 comentários em “RESISTÊNCIA PÓS-MODERNA
  1. […] P. S.: Mal eu ia terminando de escrever, decidi procurar por uma postagem do Palanque do Blackão que falava sobre o fato dos blogs não atingirem um público além da esquerda. E coincidentemente, hoje mesmo o Hélio postou sobre o assunto, lembrando que o discurso de esquerda muitas vezes é extremamente partidário, “panfletário”, não produzindo diferença na sociedade, e que é preciso defender não partidos, e sim, causas. Leia mais lá no Palanque do Blackão. […]

  2. […] SILVA: A GUERREIRA CANSOU Postado no Terça-feira, 13 Maio, 2008 de Hélio Sassen Paz Quando fui extremamente rigoroso, indignado, impaciente e pouco tolerante com uma série de medidas anti-populares tomadas no […]

  3. […] RESISTÊNCIA PÓS-MODERNA RESISTÊNCIA PÓS-MODERNA NO BRASIL OS MOVIMENTOS SOCIAIS E A BLOGOSFERA Blogged with the Flock Browser […]

  4. […] MARINA SILVA, que, antes de 2003, acreditava ser a pessoa mais indicada do PT para suceder Lula entre a ala operária do partido e ALOÍSIO MERCADANTE, da ala pragmática, burocrática e burguesa são, cada um a seu modo, CANALHAS*. aqui […]

  5. […] RESISTÊNCIA PÓS-MODERNA NO BRASIL Postado no Quinta-feira, 17 Abril, 2008 de Hélio Sassen Paz Resposta relacionada ao comentário que a querida CONCEIÇÃO LEMES fez no post anterior: […]

  6. “Piquetes, passeatas, greves e ocupações fazem pouquíssimo sentido e surtem cada vez menos efeito à medida que a esmagadora maioria da população informa-se e discute quase que exclusivamente aquilo que passa pela agenda da mídia.”

    Eu acho que vc se equivoca aqui ao polarizar tanto assim as ações. Nos EUA, um país onde acho que a sociedade civil caminhou bem mais que a gente, essas ações não se contrapõem, os ativistas muitas vezes começam campanhas pela rede (a que ando acompanho com mais cuidado é a do grupo que querem maiores investigações sobre o 11/09) e as levam para as ruas e vice-versa. Outra coisa, tem muita gente da esquerda que já vem profissionalizando no sentido de tornar viável suas ações, vc conhece pouco do MST, um dos mais organizados neste sentido, eles tem escolas, jornais, editora, arquivo próprio, gerenciam economicamente os assentamentos, as sementes orgânicas… quem dera, por exemplo, o movimento negro tivesse a coesão e o profissionalismo da organização do MST…

  7. ROBERT: a esquerda se nega a aceitar que há extratos fundamentais da economia que precisam muito de administração, gestão, organização, estratégia, tática. Claro que discordo redondamente dos “almofadinhas de MBA” e dos economistas tucanóides. Todavia, há uma escola de administração não-estado-unidense que é necessário conhecer visando o desenvolvimento sustentável.

    Não se faz nada sem dinheiro. Embora ninguém deva se vender e nem todos os fins justifiquem os meios, eles nos conhecem muito bem e vivem nos monitorando. Então, por que diabos não podemos utilizar das mesmas armas para obtermos fundos?

    []’s,
    Hélio

  8. ROBERT: sou pela sociedade do sensível ao invés da sociedade na qual o dinheiro vale mais do que gente e onde a única sensibilidade que serve é a do hedonismo acéfalo. E sou a favor de um Estado forte PARA TODOS.

    Porém, o socialismo puro e a social-democracia honesta (a ala européia que não é conservadora mas que sempre teve que dialogar e governar com a direita de preferência em paz – muito diferente da aberração que é a coalizão do Governo Lula e a escabrosidade que foram todos os governos civis de 1985 até antes de Lula) não são mais regimes plenamente viáveis do ponto-de-vista de gestão social e econômica.

    No mais, há muito o que se discutir. A única coisa que sei é: vou estourar foguetes se militantes históricos forjados no movimento sindical concordarem com mais de 50% do que eu sugiro, apresento e proponho. Também vou estourar foguetes se os militantes “light” adeptos da coalizão proposta e de lamber as botas da RBS, Globo, Folha, Abril, Estado, etc. tomarem contato com essas informações e demonstrarem-se suficientemente abertos para porem a mão na consciência e reverem seus conceitos liberais demais.

    []’s,
    Hélio

  9. Robert Snows disse:

    Rapaiz, eu ia levar mais uns anos pra escrever mais ou menos isso aí. O que falta à esquerda de verdade é estratégia. E ao que foi esquerda, bem… voltar pra esquerda.

  10. Agradeço pelos comentários concordantes, mas prefiro me ater aos discordantes, que enriquecem a discussão e nos levam a algum lugar além! ;)

    MIGUEL, essa é a impressão que fica para quem não conhece/não sabe utilizar a internet e o celular para a resistência pós-moderna. Além de não ser um termo da moda, não nega a esquerda nem os autores e revolucionários antigos. É uma atualização fundamental de ações descentralizadas e efetuadas SIMULTANEAMENTE por uma série de atores muitas vezes anônimos e situados em pontos diferentes no tempo e no espaço em relação à região ou à classe que está na luta, mas que está identificado e trabalha pela causa com a mesma intensidade.

    Piquetes, passeatas, greves e ocupações fazem pouquíssimo sentido e surtem cada vez menos efeito à medida que a esmagadora maioria da população informa-se e discute quase que exclusivamente aquilo que passa pela agenda da mídia.

    Como eu disse antes, o Brasil infelizmente queimou uma etapa decisiva para o desenvolvimento educacional, social e político de uma sociedade, pois pulamos diretamente da oralidade de coletivos segmentados para a audiovisualidade massiva, sem passarmos pela reflexividade da leitura.

    Nesse ponto, há uma perda de historicidade, um presenteísmo, que ignoram o passado e não vislumbram o futuro com esperança nem com positividade. Há um excesso de mensagens circulando por aí que precisam ser filtradas. E quase ninguém tem tempo nem vontade de efetuar as leituras complexas que nós, de outra geração, temos o prazer de fazer no nosso dia-a-dia.

    A gente tem uma população muito grande que não sabe ler nem escrever direito. Mesmo entre quem tem dinheiro, emprego e conforto, mesmo com 2º e até mesmo 3º grau completo, mais de 70% dos brasileiros não sabem INTERPRETAR texto. Não sabem contextualizar uma palavra dentro de uma frase, nem uma frase dentro de um parágrafo. E o significado de antônimos, sinônimos, etc. é completamente deturpado.

    Aqui no PALANQUE DO BLACKÃO, é legal eu poder escrever sobre o que eu quero e poder contar com leitores altamente qualificados como tu e mais uma série de blogueiros e leitores de blogs. No entanto, a minha audiência (e a de todos os blogs, menos a do RS URGENTE que já ultrapassa a casa de 500.000 leitores em cerca de dois anos) é pífia e eu sei que o discurso dos blogs de esquerda, mesmo que monitorado pelo PIG, atingem praticamente apenas a quem pensa parecido conosco.

    []’s,
    Hélio

  11. Antonio Arles disse:

    Hélio,
    existem alguns pontos no seu texto que discordo. Mas, de modo geral, concordo com o que foi colocado por você, principalmente no tocante à defesa de causas e não de partidos.
    Forte abraço e parabéns pela análise.

  12. Luiz Carlos Oliveira disse:

    Eta. Guerra de palavras, guerra de palavras. No papel isso fica muito bonitinho mas… qual o resultado prático de todo esse discurso (sim, isso foi um discurso). Também admiro o Che por seu idealismo. Mas idealismos nos moldes de Che não cabem mais nesse milênio. A única arma que temos, mas não sabemos usar, é o voto. Por que elegemos senadores e deputados por anos a fio? Por que a maioria dos eleitores não procura saber quais projetos aquele que mereceu seu voto apresentou durante todo o mandato (a maioria nem apresenta projetos). E eles ficam lá, mamando durante décadas. Aqui no Rio Grande do Sul temos 1 senador que já está lá a mais de 20 anos. Bom de discurso, mas não soma nada àquele antro de incompetentes.

  13. Vitorino Mesquita disse:

    Muito bom.
    Não podemos ficar só na defensiva.
    Devemos também lutar no campo deles e com algumas das “armas” utilizadas.

  14. miguel grazziotin disse:

    Well,well,well….
    Esta discussao daria um seminario….
    Nao tenho a competencia do blackao para a narrativa, mas em um ponto coloco minha colher,….
    Vitorias pontuais é o mesmo que falar de “politica de resultados”, para mim, significa dizer: Nos contentemos com as sobras e miserias, pois é só o que a plebe ignara receberá, e tome-se beija-mao,churrasco de graça e ao final viver de favores do Capital. Se nao apoiamos um partido COMPROMETIDO com a revoluçao social, NUNCA haverá a revoluçao,e se achamos que ela nunca acontecerá, entao, peguemos o chapéu e…um abraço.
    Marx.Lenin,Gramsci,Trotsky, Engels tem razao, apenas devemos nos adequar as armas que agora se apresentam.
    Guevarista assumido lhes digo que nao há revoluçao por partes, e que nao se pode fazê-la às costas do capital, há de se enfrentá-la, e se sou um sonhador..bom talvez precisemos de alguns sonhadores ,para de vez em quando, nos mostrar o quanto somos cínicos e incoerentes…
    Se nao há café para todos, não há para ninguém!!!
    Um abraço

  15. Pronto, pus no blog da HP com o seguinte título e uma pequena apresentação sua:
    Importam as causas e não os partidos: artigo de Hélio Paz discute mídia e ativismo

  16. Oi Hélio, já tava com saudades de seus textos contundentes.
    Meu comentário será rápido porque tô enfronhada com duas atividades pra ontem: produção das didáticas para o porta-curtas e texto sobre a profissionalização docente.
    Tem muita coisa interessante no teu texto que gostaria de comentar, vou ver se faço isso com mais reflexão e aos poucos.
    Por hora vou te lembrar de um puxão de orelha que te dei em um dos comentários do teu texto no Azenha quando eu falava de um texto tosco do Gerald Thomas versus o Reinaldo Azevedo e me perguntava em que medida aquilo acrescentava algo aos leitores e a reflexão que é necessária ser feita sobre mídia e sobre blogosfera.
    Vc me pareceu defender o Thomas e eu continuei a afirmar que achava ambos muito parecidos e que não gostava de ver blogueiros mais fanáticos e a-críticos, porque esse olhar passional não promove reflexões.
    Com esse seu texto vejo que avançamos nesta discussão.
    Tem idéias bem interessantes nele e vou circulá-lo e se o tempo permitir volto pra continuar a discussão.
    Grande abraço

  17. […] P. S.: Mal eu ia terminando de escrever, decidi procurar por uma postagem do Palanque do Blackão que falava sobre o fato dos blogues não atingirem um público além da esquerda. E coincidentemente, hoje mesmo o Hélio postou sobre o assunto, lembrando que o discurso de esquerda é extremamente partidário, “panfletário”, não produzindo diferença na sociedade, e que é preciso defender não partidos, e sim, causas. Leia mais lá no Palanque do Blackão. […]

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