RESISTÊNCIA PÓS-MODERNA

18 comentários sobre “RESISTÊNCIA PÓS-MODERNA”

  1. “Piquetes, passeatas, greves e ocupações fazem pouquíssimo sentido e surtem cada vez menos efeito à medida que a esmagadora maioria da população informa-se e discute quase que exclusivamente aquilo que passa pela agenda da mídia.”

    Eu acho que vc se equivoca aqui ao polarizar tanto assim as ações. Nos EUA, um país onde acho que a sociedade civil caminhou bem mais que a gente, essas ações não se contrapõem, os ativistas muitas vezes começam campanhas pela rede (a que ando acompanho com mais cuidado é a do grupo que querem maiores investigações sobre o 11/09) e as levam para as ruas e vice-versa. Outra coisa, tem muita gente da esquerda que já vem profissionalizando no sentido de tornar viável suas ações, vc conhece pouco do MST, um dos mais organizados neste sentido, eles tem escolas, jornais, editora, arquivo próprio, gerenciam economicamente os assentamentos, as sementes orgânicas… quem dera, por exemplo, o movimento negro tivesse a coesão e o profissionalismo da organização do MST…

  2. ROBERT: a esquerda se nega a aceitar que há extratos fundamentais da economia que precisam muito de administração, gestão, organização, estratégia, tática. Claro que discordo redondamente dos “almofadinhas de MBA” e dos economistas tucanóides. Todavia, há uma escola de administração não-estado-unidense que é necessário conhecer visando o desenvolvimento sustentável.

    Não se faz nada sem dinheiro. Embora ninguém deva se vender e nem todos os fins justifiquem os meios, eles nos conhecem muito bem e vivem nos monitorando. Então, por que diabos não podemos utilizar das mesmas armas para obtermos fundos?

    []’s,
    Hélio

  3. ROBERT: sou pela sociedade do sensível ao invés da sociedade na qual o dinheiro vale mais do que gente e onde a única sensibilidade que serve é a do hedonismo acéfalo. E sou a favor de um Estado forte PARA TODOS.

    Porém, o socialismo puro e a social-democracia honesta (a ala européia que não é conservadora mas que sempre teve que dialogar e governar com a direita de preferência em paz – muito diferente da aberração que é a coalizão do Governo Lula e a escabrosidade que foram todos os governos civis de 1985 até antes de Lula) não são mais regimes plenamente viáveis do ponto-de-vista de gestão social e econômica.

    No mais, há muito o que se discutir. A única coisa que sei é: vou estourar foguetes se militantes históricos forjados no movimento sindical concordarem com mais de 50% do que eu sugiro, apresento e proponho. Também vou estourar foguetes se os militantes “light” adeptos da coalizão proposta e de lamber as botas da RBS, Globo, Folha, Abril, Estado, etc. tomarem contato com essas informações e demonstrarem-se suficientemente abertos para porem a mão na consciência e reverem seus conceitos liberais demais.

    []’s,
    Hélio

  4. Agradeço pelos comentários concordantes, mas prefiro me ater aos discordantes, que enriquecem a discussão e nos levam a algum lugar além! ;)

    MIGUEL, essa é a impressão que fica para quem não conhece/não sabe utilizar a internet e o celular para a resistência pós-moderna. Além de não ser um termo da moda, não nega a esquerda nem os autores e revolucionários antigos. É uma atualização fundamental de ações descentralizadas e efetuadas SIMULTANEAMENTE por uma série de atores muitas vezes anônimos e situados em pontos diferentes no tempo e no espaço em relação à região ou à classe que está na luta, mas que está identificado e trabalha pela causa com a mesma intensidade.

    Piquetes, passeatas, greves e ocupações fazem pouquíssimo sentido e surtem cada vez menos efeito à medida que a esmagadora maioria da população informa-se e discute quase que exclusivamente aquilo que passa pela agenda da mídia.

    Como eu disse antes, o Brasil infelizmente queimou uma etapa decisiva para o desenvolvimento educacional, social e político de uma sociedade, pois pulamos diretamente da oralidade de coletivos segmentados para a audiovisualidade massiva, sem passarmos pela reflexividade da leitura.

    Nesse ponto, há uma perda de historicidade, um presenteísmo, que ignoram o passado e não vislumbram o futuro com esperança nem com positividade. Há um excesso de mensagens circulando por aí que precisam ser filtradas. E quase ninguém tem tempo nem vontade de efetuar as leituras complexas que nós, de outra geração, temos o prazer de fazer no nosso dia-a-dia.

    A gente tem uma população muito grande que não sabe ler nem escrever direito. Mesmo entre quem tem dinheiro, emprego e conforto, mesmo com 2º e até mesmo 3º grau completo, mais de 70% dos brasileiros não sabem INTERPRETAR texto. Não sabem contextualizar uma palavra dentro de uma frase, nem uma frase dentro de um parágrafo. E o significado de antônimos, sinônimos, etc. é completamente deturpado.

    Aqui no PALANQUE DO BLACKÃO, é legal eu poder escrever sobre o que eu quero e poder contar com leitores altamente qualificados como tu e mais uma série de blogueiros e leitores de blogs. No entanto, a minha audiência (e a de todos os blogs, menos a do RS URGENTE que já ultrapassa a casa de 500.000 leitores em cerca de dois anos) é pífia e eu sei que o discurso dos blogs de esquerda, mesmo que monitorado pelo PIG, atingem praticamente apenas a quem pensa parecido conosco.

    []’s,
    Hélio

  5. Hélio,
    existem alguns pontos no seu texto que discordo. Mas, de modo geral, concordo com o que foi colocado por você, principalmente no tocante à defesa de causas e não de partidos.
    Forte abraço e parabéns pela análise.

  6. Eta. Guerra de palavras, guerra de palavras. No papel isso fica muito bonitinho mas… qual o resultado prático de todo esse discurso (sim, isso foi um discurso). Também admiro o Che por seu idealismo. Mas idealismos nos moldes de Che não cabem mais nesse milênio. A única arma que temos, mas não sabemos usar, é o voto. Por que elegemos senadores e deputados por anos a fio? Por que a maioria dos eleitores não procura saber quais projetos aquele que mereceu seu voto apresentou durante todo o mandato (a maioria nem apresenta projetos). E eles ficam lá, mamando durante décadas. Aqui no Rio Grande do Sul temos 1 senador que já está lá a mais de 20 anos. Bom de discurso, mas não soma nada àquele antro de incompetentes.

  7. Well,well,well….
    Esta discussao daria um seminario….
    Nao tenho a competencia do blackao para a narrativa, mas em um ponto coloco minha colher,….
    Vitorias pontuais é o mesmo que falar de “politica de resultados”, para mim, significa dizer: Nos contentemos com as sobras e miserias, pois é só o que a plebe ignara receberá, e tome-se beija-mao,churrasco de graça e ao final viver de favores do Capital. Se nao apoiamos um partido COMPROMETIDO com a revoluçao social, NUNCA haverá a revoluçao,e se achamos que ela nunca acontecerá, entao, peguemos o chapéu e…um abraço.
    Marx.Lenin,Gramsci,Trotsky, Engels tem razao, apenas devemos nos adequar as armas que agora se apresentam.
    Guevarista assumido lhes digo que nao há revoluçao por partes, e que nao se pode fazê-la às costas do capital, há de se enfrentá-la, e se sou um sonhador..bom talvez precisemos de alguns sonhadores ,para de vez em quando, nos mostrar o quanto somos cínicos e incoerentes…
    Se nao há café para todos, não há para ninguém!!!
    Um abraço

  8. Oi Hélio, já tava com saudades de seus textos contundentes.
    Meu comentário será rápido porque tô enfronhada com duas atividades pra ontem: produção das didáticas para o porta-curtas e texto sobre a profissionalização docente.
    Tem muita coisa interessante no teu texto que gostaria de comentar, vou ver se faço isso com mais reflexão e aos poucos.
    Por hora vou te lembrar de um puxão de orelha que te dei em um dos comentários do teu texto no Azenha quando eu falava de um texto tosco do Gerald Thomas versus o Reinaldo Azevedo e me perguntava em que medida aquilo acrescentava algo aos leitores e a reflexão que é necessária ser feita sobre mídia e sobre blogosfera.
    Vc me pareceu defender o Thomas e eu continuei a afirmar que achava ambos muito parecidos e que não gostava de ver blogueiros mais fanáticos e a-críticos, porque esse olhar passional não promove reflexões.
    Com esse seu texto vejo que avançamos nesta discussão.
    Tem idéias bem interessantes nele e vou circulá-lo e se o tempo permitir volto pra continuar a discussão.
    Grande abraço

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