NO RIO, A HISTÓRIA PULSA. NO RS, MURCHA

Respondo ao comentário do grande RODRIGO CARDIA do CÃO UIVADOR e do AMIGOS DA RUA GONÇALO DE CARVALHO primeiro, mandando um abração ao CÉSAR, pai dele, que tive o privilégio de conhecer em uma reunião do grupo de MÍDIA ALTERNATIVA. Depois, na forma de um post que envolve o assunto predileto do Rodrigo, a HISTÓRIA, segundo meus olhos laicos a perceberam durante as férias no RIO DE JANEIRO.

Primeiro, sugiro a todos que visitem também MINHAS FOTOS do RIO DE JANEIRO no FLICKR. Minha Lu e eu fomos a vários museus e a CIDADE MARAVILHOSA não apenas continua linda apesar do trânsito horrendo (POA já está ficando quase igual nesse quesito) como também verifiquei que as faculdades de HISTÓRIA e BIBLIOTECONOMIA além dos mestrados/doutorados em GEOGRAFIA (conceito 7 na CAPES) e HISTÓRIA (conceito 6) da UFRJ justificam toda a fama e a qualidade de tantos lugares que transbordam história, arte e cultura nessa cidade.

Lá eles têm o que restaurar, o que preservar. Aqui no RS, nossa arquitetura e nossa história são muito curtas e há uma grande uniformidade no discurso e nos livros sobre o engodo do gauchismo.

O crescimento da importância da HISTÓRIA aqui no RS dar-se-ia mais em função de detectar as origens e o desenvolvimento das diversas culturas multirraciais e multireligiosas que migraram para cá. Também dever-se-ia investir muito mais na história possível de ser resgatada, catalogada e das confluências cronológicas entre tribos e modos de vida indígenas.

Lá, a família imperial portuguesa transferiu toda a corte de Portugal para cá, fazendo do BRASIL a metrópole durante algumas décadas. Aprendi nos museus (outra falha da pobreza gaúcha) muito mais do que nos livros.

Em função disso, o RIO é muito ligado a PORTUGAL. Também há uma ligação com a FRANÇA por causa da tentativa da FRANÇA ANTÁRTICA de VILLEGAGNON.

Apesar do esvaziamento das discussões na esfera pública em detrimento da esfera midiática, há uma maior preocupação com as reivindicações políticas e sociais (mesmo que por vias tortas) do que aqui no RS em virtude de já ter sido CAPITAL FEDERAL.

Nos museus, há vários estagiários estudantes de HISTÓRIA. E verifica-se também a presença de pelo menos quatro turmas de escolas municipais comseus respectivos professores (nitidamente mais interessados e empolgados em darem uma aula por causa de toda essa atmosfera do que aqui).

Com todo o respeito, não é cuspir no prato em que comi (e ainda como), mas não deveria haver uma preocupação tão grande com a pertença ao RIO GRANDE DO SUL ou a PORTO ALEGRE como a preconizada pela RBS: a construção da identidade deve ser realizada no dia-a-dia da tradição oral, da tradição escrita e, acima de tudo, da vivência não-mediada através de dispositivos sociotécnicos de comunicação e informação.

Sou um pesquisador e grande entusiasta da aprendizagem e da apropriação do uso desses dispositivos por parte dos cidadãos (primeiro) e consumidores (depois). O uso esperado pelos criadores desses dispositivos não é tão gratificante de ser analisado. Porém, a apropriação criativa  para a solução de problemas e de rotinas sociais não-previstos pelos fabricantes e também o uso “desvirtuado” por parte dos cidadãos e consumidores como uma forma de RESISTÊNCIA MULTITUDINÁRIA PÓS-MODERNA são especialmente fascinantes.

De qualquer forma, com e sem os dispositivos sociotécnicos, a HISTÓRIA é uma ciência humana que PULSA, que funciona para explicar o presente e projetar razoavelmente o futuro.

A GEOGRAFIA gaúcha é inexplorada e muito rica. Mas a HISTÓRIA gaúcha, apesar de subensinada e subpesquisada, infelizmente, é tão jovem que é desprovida da riqueza que cidades fundadas poucas décadas após o “descobrimento” do BRASIL que chega a ser tacanha.

Uma sugestão: após ler os livros confiáveis e uma pesquisa na internet, os professores de HISTÓRIA poderão desfazer mitos e refazer as grades curriculares com a atualização daquela história dos “vencedores” que aprendemos durante a ditadura militar (no meu caso, felizmente, já peguei uma abertura para a pseudodemocracia em que vivemos).

Isso feito, proponho uma nova pedagogia, a fim de aumentar o interesse dos alunos pela disciplina:

1) Visitas mais freqüentes aos raros museus com pouco material disponível aqui no RS: o estudante precisa VER, SENTIR e, se possível, até mesmo TOCAR na HISTÓRIA. O próprio professor sente-se mais entusiasmado e fala de maneira mais sistematizada e eleva a sua auto-estima para ensinar com mais afinco apesar dos baixíssimos salários, das enturmações, etc.;

2) Que os professores de HISTÓRIA façam uso dos dispositivos sociotécnicos mantendo contato com colegas de outros estados e países firmando o compromisso de aprender a falar outros idiomas (garanto que poderia ser feito um convênio entre o GOVERNO FEDERAL, ESTADUAL e/ou MUNICIPAL com a UFRGS, a PUCRS e a UNISINOS para subsidiar cursos de línguas aos professores – duvido que isso tenha sido pensado antes), de participar de listas de e-mail (há várias existentes e infinitas poderão ser criadas) e, finalmente, de ESCREVER A HISTÓRIA EM BLOGS e de GRAVAR PODCASTS, agora que o GOVERNO FEDERAL trata de instrumentalizar as escolas públicas do país com computadores e internet banda larga.

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8 comentários em “NO RIO, A HISTÓRIA PULSA. NO RS, MURCHA
  1. Ester Zerfas disse:

    Oi!
    Desculpa a demora!
    No RJ vc se sentiu que andava entre as pessoas como se fosse um “comum”; é quase assim o tempo todo. Aquela imagem do carioca carismatico – tipo Zé carioca – é só para as visitas, entre os de casa à o limite do não saber quem é.
    Os municipios da area metropolitana de POA mesmo sendo centros comerciais e dinamicos eles guardam algo do interior – que é a dimensão da sua população – que se restringem aos seus perimetros.
    è qause como se vc estivesse em outro estado.
    e eu acho isso incrivel
    beijos e otima semana

  2. Oi, Ester!

    Obrigado pela visita, pela ótima oportunidade de discussão e também pela excelente referência do prof. Rogerio Hasbaert. Irei procurar mais detalhes sobre o trabalho dele com mais calma assim que passar pela banca de qualificação até meados de outubro – acredito eu.

    Não apenas concordo que o Rio de Janeiro é composto de várias cidades assim como Porto Alegre também, mesmo que esta última (apenas) pareça ser mais homogênea e em escala menor do que várias outras capitais.

    Só para ficarmos em outro exemplo próximo, cada um dos mais de 30 municípios da GRANDE POA apresenta traços inerentes a diversas realidades geográficas e econômicas em universos ainda menores, porém não menos complexos.

    Ontem, tive uma experiência como passageiro de um ônibus que partiu de São Leopoldo, cruzou por Sapiranga inteira, por Esteio e terminou no centro de Gravataí. Não me caracterizo por fama, dinheiro nem por não ser miscigenado. Fisicamente, poderia passar por grande parte dos habitués daquela linha e daquelas cidades. No entanto, era perceptível que eu chamava muita atenção – muito provavelmente por ser estranho, pois percebi que muitos dos passageiros se conheciam ou do trabalho, ou da escola, ou da igreja, ou do bairro. Foi uma sensação muito estranha, ainda mais que, no Rio de Janeiro, se não fosse pela minha camiseta do Grêmio, teria passado desapercebido.

    []’s,
    Hélio

  3. Ester Zerfas disse:

    Olá Helio!
    Felizmente concordo contigo em que a midia só explora uma parte da imagem do RS – a iamgem da região da imigração teuta e itala; deixando de fora mais da metade do RS, açoriano, indigena, mestiço, espanhol…

    Não sei o que vc sabe sobre a geografia do RS, da diferença regional entre o sul e o norte do estado, mas isso não é dificil de vc encontrar. Tem um professor chamado Rogerio Hasbaert que trabalha o assunto no contexto geografico.

    Não acho que o mito do gaúcho algo das antigas oligarquias do charque, mas sim um mito da missegenação destas culturas; que se difere em muito do Rs que é apresentado na midia.

    Se eu disser que o RJ e uma cidade com varias cidades dentro vc concede compreender? Como posso compara um bairro como a Barra da Tijuca com o Centro da cidade e depois com a Penha.
    São lugares distintos, mas estão dentro do mesmo perimetro, sendo que o primeiro é o bairro dos “separatista” ou da fuga da cidade , o Centro é onde a cidade começou é de onde esta se fugindo e a Penha é o bairro da zona norte da cidade onde se encontra o maior complexo de favelas —- a distancia entres estes espaços é visivel. Mas o medo que midia vende é que como a cidade toda fosse a Penha.

    Bom finds

  4. Ester,

    Não precisas pedir desculpas: a tua opinião de geógrafa foi muito interessante. ;)

    O que eu vejo é que a identidade do gaúcho está determinada não pelo que ele é mas, sim, em função de um mito que antigos oligarcas decadentes criaram.

    No blog DIÁRIO GAUCHE, do sociólogo Cristóvão Feil, há uma série de 9 ou 10 posts dele de setembro ou outubro de 2007 chamados “Por que o Rio Grande é assim”

    O RS é multiétnico e multicultural. Todavia, apenas as etnias alemã e italiana são valorizadas pela mídia, com uma rabeira sobrando para judeus e japoneses. Os trajes, o sotaque, os valores, o idioma, e a culinária de várias outras etnias (açorianos, espanhóis, indígenas, negros e, mais recentemente durante a ditadura, uruguaios e argentinos – com alguns chilenos e paraguaios) é solenemente ignorado ou visto como cultura subalterna.

    Aparece mais seguido, apesar de poucas vezes abordar temas históricos ou geográficos.

    Aliás, sou mestrando em Ciências da Comunicação pela UNISINOS, em São Leopoldo. Portanto, também apareço e conheço razoavelmente a cultura do Vale do Rio dos Sinos. :)

    []’s,
    Hélio

  5. Ester Zerfas disse:

    Oi!
    cai no sue site sem querer em busca de historia, também! Porém de uma outra historia. O RS não falta cursos de historia e nem de arquitetura, mas talvez de geografia. Sou estudande de geografia da UFRJ e o meu estudo é sobre o Vale dos sinos. O RS tem uma historiografia recente sim assim como também é a sua geograifa na visão da relação do homem natureza, no qual é o homem que molda o espaço ao seu aspecto, interesse ou necessidade.
    O fato de se ter grupos etnicos mais bem definidos no espaço, mostra claramente como a sua geografia ainda guarda algo “endogeno” como os seus cidadão.
    Talvez vc se incomode com o regionalismo Gaucho, mas é isso é mais que uma identidade territorial , é a forma de construir um espaço ao molde multicultural difernciado no espaço.
    Conheço o RS algumas cidade, Erichim, Gramado ,Canela ,Igrejinha, Tres Coroas , POA, Tramandai, Pelotas e Piratini. Nesta andança deu pra ver varios RS, com sutaques diferentes e com caras diferentes, mas com uma unicidade territorial e simbolica ligada desde da vestimenta ao passo do mate amargo.
    Sou carioca – amo a minha cidade, mas o que me identifica como tal?
    Isso é mais que historia ou geografia. O RS tem um processo de formação diferenciado do restante do Brasil.O RJ foi capitl do Brasil, é obvio que aqui tinha que estar os maiores museus, as maiores praças, o maior acervo cultural historico, pois foi no RJ q a familia real morou e onde DPedro II contrui os principais centros de pesquisa do pais na epoca.
    A maior historia do RS é o seu povo e seus habitos, nenhum museu consegue guardar isso.
    Trabelhei um centro de ciencia- A casa da ciencia da UFRJ durante 5 anos e como referencia tem MCT em POA da PUC que e um excelente local de trabalho e estudo. Tem como vc explorar o mapa de porto alegre bem da entrada de varias formas.
    Se queres contar uma historia tem que fazer uma estoria nova.
    Desculpa-me mas esta a minha opinião.

  6. RODRIGO: a minha cunhada é professora de História recém formada pela FAPA. Por ser de esquerda, ela se nega a trabalhar em escolas particulares. Então, assim que o DESgoverno decidir pela contratação emergencial ou pela remota possibilidade de abrir concurso público, ela vai abraçar a causa. Por enquanto, ela ainda trabalha como secretária concursada em uma escola de Alvorada.

    Conheci algumas de suas colegas, que pensam de maneira muito parecida. Todas, sem exceção, são muito politizadas e possuem origem humilde, vindas de famílias da periferia da Grande POA.

    Na formatura, fiquei impressionado: a diretora da Faculdade de História da FAPA e o paraninfo da turma (um jovem mestre) deram discursos que em mais de 15 anos quase ininterruptos acompanhando formaturas de diversos cursos na UFRGS eu jamais havia ouvido.

    Em priscas eras, embora o cara seja um jornalista egocêntrico de origem pra lá de burguesa, trabalhei com Eduardo Bueno, o Peninha, como arte-finalista dos fascículos colecionáveis encartados em vários jornais do país que originaram o livro que precedeu aqueles outros seis, mais conhecidos.

    Mesmo que por linhas tortas, passei a perceber que o valor do trabalho dele não é pequeno, pois ele, um leigo, fez o que vários doutores em História já deveriam ter feito há décadas.

    No colégio e na faculdade, sempre gostei de História. Claro que o pouco que eu vi não me credencia a ter 5% da sistematização de pesquisa e do conhecimento associativo que tu recebes na tua graduação. Mas é uma paixão que eu cultivo e não nego a possibilidade de, um dia, escrever sobre a história da internet no RS – em particular da blogosfera (se é que há como rastrear quem foram os primeiros blogueiros daqui).

    Em termos práticos, considero o ato de lecionar um ato político, com todos os bônus e ônus que isso signifique. Não creio em uma sociedade humanamente saudável se ela não souber de onde veio , por que está aonde e como está e como poderia projetar sem chutar um esboço do seu futuro próximo.

    Mais do que isso: no caso dos professores formados por universidades públicas, eles deveriam ou necessariamente militar no setor público, ou pelo menos cumprir no setor público o número de anos que custou aos cofres do Governo a sua formação.

    Cara, recomendo que tu passes uma semana no Rio de Janeiro única e exclusivamente visitando museus. A experiência é praticamente de Primeiro Mundo, à exceção do tamanho do acervo que, nem de longe, chega perto do que se pode ver em Madri, Barcelona, Roma, Paris, Londres ou Berlim.

    Obviamente, este também é um sonho de consumo meu, pois ainda não saí da América do Sul.

    []’s,
    Hélio

  7. Hélio:

    Acho muito boa esta tua proposta, de aproximar as pessoas da História, de modo a que elas se interessem mais.
    Isso é algo que falta aqui no Rio Grande do Sul: visitas de escolas a museus históricos, quando muito, é ao Júlio de Castilhos, que todo mundo lembra por causa daquela bota gigante, e não por ser um local onde se pode entrar em contato com a História. Claro que naquele caso é a História dos vencedores, mas ainda assim, é História, e os professores devem orientar os alunos.
    Aqui no RS a História ainda está muito restrita aos gabinetes acadêmicos, faltam museus para que ela se aproxime da população. E há um grande problema: a maioria dos trabalhos produzidos dentro das universidades são tão específicos e ruins de se ler, que acabam tornando-se restritos ao meio universitário.
    A idéia de se escrever História em blogs e podcasts é ótima, pois eles são mais lidos do que revistas acadêmicas, e além disso quem escreve num blog quer ser lido, logo não vai publicar um texto cheio de termos sofisticados que às vezes nem os acadêmicos entendem. É uma idéia a ser difundida mesmo entre meus colegas de UFRGS: vejo lá gente muito preocupada em publicar artigos em revistas científicas e fazer mestrados, doutorados, especializações etc., pensando apenas em sua carreira acadêmica mas sem retribuir à sociedade o investimento feito na universidade pública.

    Abraços
    Rodrigo

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