ARENA: DIVAGAÇÕES

Como o presidente ODONE(O?) disse que “a Arena irá sair queiram ou não”, suponho que, além do seu interesse de exposição midiática como o “pai da criança”, de receber um gordo salário como gestor da GRÊMIO EMPREENDIMENTOS e/ou de tentar dar um salto maior em sua carreira política (quem sabe governador?!), a ARENA seja fundamental para que o GRÊMIO não feche suas portas. Atualmente, o clube não conseguiria empréstimo nem com agiotas devido ao montante de sua dívida.

Conversei com amigos corretores de imóveis que, embora não tivessem tempo e precisassem ser pagos para fazerem uma avaliação minuciosa dos valores reais de mercado da AZENHA e do HUMAITÁ, após o papo, deduzi que era um jogo jogado o fato de que o novo estádio + entorno, para ser um aparelho instalado em Porto Alegre, só poderia ser realizado no bairro Humaitá.

Primeiro, porque aquela é a única região da cidade plana e ampla o suficiente (com terrenos disponíveis com 20 ha ou mais) para erguer não apenas um estádio de futebol com todas as necessidades e exigências estéticas, funcionais e legais contemporâneas mas, sobretudo, para posicionar toda a vasta gama de produtos e serviços que a incorporadora e a administradora exigem para só então poderem abrir mão de 65% de toda a arrecadação proveniente do estádio de futebol em prol do GRÊMIO durante 20 anos.

Segundo, porque a cessão dos 8,5 hectares da área que engloba o atual ESTÁDIO OLÍMPICO MONUMENTAL é a única moeda de troca disponível para que o TRICOLOR DOS PAMPAS pague suas dívidas de mais de 100 milhões de reais com diversos credores.

O terreno da AZENHA é supervalorizado: fica muito perto do Centro; a caminho da Zona Sul; cercado por várias vias importantes que circulam por muitos bairros que ligam PORTO ALEGRE a alguns municípios contíguos (Ipiranga e Bento Gonçalves). Contudo, o principal motivo de cobiça é a proximidade de, no máximo, um raio de 5 Km de 85% dos bairros classe AB da capital gaúcha.

Sem sonhos nem delírios, uma reforma, seria impossível para suprir todas as exigências acima. Meu pai era engenheiro, mas não era neoliberal. Enquanto viveu, conversávamos bastante sobre estádios, pontes, prédios. O ex-presidente HÉLIO DOURADO infelizmente, após tantos anos de paixão e serviços prestados, além do arquiteto que realizou a péssima conclusão do Olímpico (péssima porque se deteriorou em menos de 20 anos e piorou ainda mais em quase 30 anos), possuem um pensamento defasado.

Por conseguinte, não dá para concordar com uma já descartada reforma do Olímpico: ele está completamente deteriorado e seria necessário aumentar a altura de seus degraus e a distância entre os anéis superior e inferior além de ampliar a cobertura com fundações gigantescas de fora para dentro, dilatar os portões e, de quebra, manter a capacidade de aproximadamente 50.000 espectadores.

Falei em NECESSIDADES que obrigariam a construção de um novo estádio. Tecnicamente, seria possível pensar em uma obra como a do novo estádio do Bessa, casa do BOAVISTA da cidade de PORTO, em Portugal. No entanto, a torcida do BOAVISTA é pequena e o tamanho do estádio será minimamente alterado. Seu terreno é muito pequeno: nele, cabe tão-somente o estádio e nada mais.

Logo, o OLÍMPICO, com o gramado sendo mantido exatamente onde está, a fim de se preservar a posição solar para maior conforto dos atletas e da torcida durante os jogos e sem precisar pagar caro nem esperar a desapropriação de terrenos contíguos para ampliação da estrutura viária durante anos (inviabilizando, assim, a obra), não poderia ser construído por partes, pois faltaria terreno para a fundação da cobertura total para o público não tomar ventania, geada nem chuva.

Essa é outra prova não apenas do péssimo projeto arquitetônico do OLÍMPICO MONUMENTAL, mas também da total ausência de uma política de manutenção durante todos esses anos: toma-se chuva direto em dias de tempestade mesmo nas áreas cobertas, seja na Social, na Inferior ou nas Cadeiras) atrás da goleira da Av. Cascatinha.

Não há espaço ali para a construção simultânea de um estádio ao lado do outro como o BENFICA ergueu o NOVO ESTÁDIO DA LUZ ao lado do velho. Sem contar que o gaúcho é, em média, pior educado do que o português e, na maioria das vezes, os governos são incompetentes na segurança pública e na assistência a empreendimentos privados. Logo, seria extremamente arriscado em caso de uma má campanha em casa proteger tanto o estádio velho como o novo em obras. Uma praça de guerra (aí, sim, verdadeira, ao contrário do aparato ridículo da atual cultura policialesca) estaria montada, com todas as armas disponíveis.

Não é mais uma mera questão de concordar, aceitar, gostar, defender e nem tampouco o contrário: embora eu seja a favor da afetividade, da identidade, da pertença e do ponto, ou o GRÊMIO sai da AZENHA, ou morre. Posso estar redondamente enganado. Mas o que administradores supuseram em conversas informais me levam a entender a coisa dessa forma.

Por que o tradicional adversário poderá efetuar a reforma no seu estádio? Porque eles têm muito mais dinheiro e passaram por mais gestões competentes do que incompetentes em sua atividade-fim (o futebol) do que nós. Os erros de gestão colorados duraram menos tempo, foram menos graves e houve muito menos perda de dinheiro do que no GRÊMIO. Além disso, eles têm não apenas uma área bem maior do que a do OLÍMPICO na beira do Lago Guaíba, mas estão localizados ao lado do Parque Marinha do Brasil e podem ceder a valorizadíssima, pequena e inútil para eles área do antigo estádio dos EUCALIPTOS, no bairro MENINO DEUS em troca para a Prefeitura.

O que seria o MELHOR para TODA a torcida do GRÊMIO? Que o NOVO OLÍMPICO MONUMENTAL fosse erguido exatamente no terreno da AZENHA, enquanto a torcida teria que aceitar, resignar-se, submeter-se e ser suficientemente madura, ordeira e honesta para que o estádio DELES fosse a nossa “casa” durante três anos.

Se o PALMEIRAS vai construir exatamente no mesmo lugar um novo estádio PALESTRA ITÁLIA é porque, em SÃO PAULO, apesar da rivalidade e das condições sociais serem muito mais adversas do que em PORTO ALEGRE, a cultura local é mais madura para aceitar jogar no MORUMBI, no PACAEMBU ou no SANTA CRUZ em RIBEIRÃO PRETO, se necessário.

Entenderam a jogada? Não é o GRÊMIO que precisa de um terreno estupidamente maior: são os PARCEIROS que querem compensar o investimento no clube através de uma série de aparelhos que irão compensar-lhes o investimento.

A GRÊMIO EMPREENDIMENTOS é um artifício legal que não deixa de ser uma estratégia de escape: é uma forma de evitar que o GRÊMIO FOOTBALL PORTO-ALEGRENSE aumente sua dívida e perca patrimônio no caso da parceria com a incorporadora e com o banco der algum problema. Nesse caso, torço para que os contratos estejam muito bem amarrados de maneira que ainda seja possível retroceder e manter a área da AZENHA para poder continuar jogando no VELHO OLÍMPICO DE GUERRA.

Enfim, agora, está feito. O que podemos fazer é acompanhar com muito interesse e atuação, de maneira responsável e assídua para verificarmos se tudo dará certo.

Quero MUITO que tudo funcione a contento e que o GRÊMIO volte a ser grande. Houve coragem nessa assertiva, com certeza. Afinal de contas, até mesmo um sagüi lobotomizado saberia o quão arriscado seria propor um empreendimento dessa magnitude. Se der certo, quem trabalhou nessa empreitada irá se consagrar como uma nova força política no clube para mais três ou quatro décadas daqui para a frente.

Dessa forma, morre aqui a condicional SE, pois o modelo de negócio já está definido. Daqui pra frente, só quero que o GRÊMIO CONTINUE SENDO O GRÊMIO.

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Um comentário em “ARENA: DIVAGAÇÕES
  1. Marcos Almeida disse:

    Perdão pela digitação incorreta.

  2. Marcos Almeida disse:

    Hélio
    Parabéns, trocaria o nome do Post de divagações para PRECISÕES, sou arquiteto e sua análise técnica é bem correta. À época da segundona por livre iniciativa e depois de sentir a degradação de conforto que o estádio sofreu aliada a mundança de comportamento do público fiz alguns estudos sobre a remodelação do estádio, Não existe considerado o lote outra posição para o gramado. Uma Arena caberia no atual lote, mas a questão do entorno é muito complexa. O Anel inferior não possue declividade correta, que para ser corrigida demandaria uma escavação do campo entre 7 e 10 metros, a única coisa que restaria seria o anel superior, cuja capacidade é muito pequena, em suma, Ficariamos com no máximo 35 mil lugares. Além de uma obra complexa. Analisando o Porjeto do Internacional, ele me parece vistoso no mund o virtul do computadores, aquela estrutra se for fechada com lona, virarará um Araújo Vianna. A vantagem do Inter é ter o CT integrado ao estádio. Penso que esta seja uma boa briga a encampar, que o Grêmio fique com a área não utilizada do Humaitá, visto que já a Arena apareceu já em dois terrenos. Que esta área faça parte do Negócio, que permutemos pelo Cristal e Eldorado, por exemplo. Eldorado a longo prazo será valorizado com área de expansão da região metropolitana. S e quiser ver os estudos que fiz te mando por email.

  3. Maria disse:

    Hélio

    Eu andei fazendo uma pesquisa sobre a EFISA S.A. que foi incorparada em 2004 ao Banco Português de Negócios(BPN) que pertencem a uma holding chamada Sociedade Lusa de Negócios(SLN) que pertence uma sub-holding que se chama Sociedade Lusa de Negócios Valor(SLN Valor) e por aí vai.

    Esta confusa institução é bancada por capitais africanos de Moçambique e Angola,está no centro de uma grande operação,iniciada em 2005,pela justiça em Portugal chamada Operação Furacão e têm causado um grande alvoroço neste país.

    O BPN que é ,na realidade um dos participantes,do consórcio está sendo investigado pelos seguintes motivos – lavagem de dinheiro,emissão de faturas falsas,adulteração de resultados,fraudes fiscais e outras atividades ilegais.

    Seu principal executivo chama-se Abdool Karim Vakil que certamente será convidado para a inauguração Arena ,tem no seu currículo serviços prestados aos setores públicos e privados de Moçambique, em Portugal também manteve atividades profissionais em alguns setores lusitanos.

    Este executivo do BPN assumiu a direção do banco,quando o anterior teve problemas de saúde ,ao ser questionado,sobre quem eram seus acionistas.Este fato é bem recente .É só pesquisar que uma estranha rede começa a aparecer.

    E a Arena vai ser financiada por capitais africanos.Nunca tinha imaginado uma coisa destas.Só falta o Kia aparecer por aqui.Sobre a TBZ e seu escasso currículo,li que o Botafogo não quis mais tratar com eles e os dispensou.

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