LOBOTOMIA EMEBEEÍSTICA

9 comentários sobre “LOBOTOMIA EMEBEEÍSTICA”

  1. MAIA: se tu fizesses um MBA, verias com teus próprios olhos que há, sim incentivo em época de eleição para que os alunos votem na direita. Na época da eleição entre Lula x Serra e Tarso x Rigotto, um professor ligado à RGE disse que Rigotto havia feito vista grossa à apropriação indébita de dinheiro da instituição por parte de alguns partidários. Se é verdade ou não, ainda não havia blogs de funcionários para afirmar, pois esse é o tipo de fato que não vira notícia na mídia corporativa.

    Enfim… Na falta de outro candidato de direita, uma colega, executiva de uma empresa de software, exclamou: “QUE DROGA! VOU TER QUE VOTAR NO RIGOTTO!”

    Ora, se ela sabia e acreditava nisso, então, por que diabos preferiu votar na corrupção ao invés de votar na outra ideologia que, até então, ainda não tinha nenhuma prova em contrário?!

    Seria mais digno se votasse nulo ou em branco, então. A opinião dela não foi a única em sala de aula. Ela foi apenas a mais veemente e não foi enrustida.

    Um executivo do Itaú, hiper gente boa, fazia cara de MEDO ao dizer: “Aqui, a gente ganha. Mas lá, vai dar Lula!”. Tsc, tsc, tsc… Até parece que iriam comer as três filhas dele…

    O mesmo professor que trabalhava na RGE mostrou fotos dos depósitos de equipamentos elétricos da parte da CEEE que eles compraram antes da privatização. Desperdício, perda, estrago, etc. Depois, nos levou à Krüger, empresa de logística que ganha um caminhão de dinheiro pra organizar, transportar, embalar, etc. o material da RGE.

    Um colega meu, que havia trabalhado na ELETROSUL, afirmou que não era o fato de a empresa ser pública ou privada que determinada a qualidade dos serviços ou o valor que dava a seu próprio patrimônio. Não é por ser pública ou privada que vai saber lidar melhor ou pior com receitas ou despesas. Ele disse que, na ELETROSUL, era tudo nos trinks, sem precisar pagar um caminhão de dinheiro a uma empresa como a Krüger.

    Quando um aluno questiona algumas práticas de mercado em aula e, depois, pede uma oportunidade ao diretor pedagógico da escola (cujo mantra é ‘vocês estão aqui pra mudar as suas vidas e nós encaminhamos vocês para as empresas’), nem e-mail ele responde.

    Eu já trabalhei na RBS e na GLOBO sem sequer me manifestar politicamente. Meu senso crítico era bem inferior ao de hoje, assim como meu senso de observação. A RBS não investe em equipamento de ponta pra quem precisa e a gente tem que tirar leite de pedra. A GLOBO, por sua vez, investe. As duas pagam direitinho, tudo nos conformes. Porém, a GLOBO tem seus passaralhos periódicos. Em um deles, eu sobrei. Mesmo fazendo meu trabalho bem feito, sendo simpático, tendo um monte de “amigos” lá dentro.

    Na minha demissão, um casal de colegas disse: “Ei, Gaúcho! Você foi pra rua porque não soube dar o cu pro cara certo!”. Isto é, eu precisaria ter puxado o saco e batido mais papo com os figurões, não só com os meus colegas de setor.

    No TERRA, era muito elogiado. O ambiente de trabalho era bom, mas o equipamento era muito ruim. E estava cheio de chefetes muito piores do que eu e muitos lá que ganhavam 4x mais pra ficar cagando regras.

    Não que no serviço público não seja assim. Mas quando eu dei aula na UFRGS como substituto, apesar de não ter pós-graduação nem ser chefe de departamento ou ter trabalhos publicados (algo que conta dentro do corporativismo), apesar de tudo, ainda assim, era quase igual aos outros. Todos os funcionários, alunos e professores conversavam comigo de igual para igual.

    Isso ocorre também nas universidades particulares. O ambiente acadêmico, mesmo com surtos de demissão nas particulares, ao menos é enriquecedor e não paga um salário de fome.

    O que eu critico é que reina um pensamento e um comportamento únicos. As figuras nas GRANDES empresas se preocupam muito mais com a reputação (que é como os outros a vêem) do que como elas realmente são e o que elas querem ser. Se preocupam mais com o que os outros têm do que como eles são.

    Nos EUA (país insuspeito, portanto), saiu uma pesquisa acadêmica (lá, raras universidades são públicas e mais raros ainda são os pesquisadores de esquerda) recente na qual a conclusão, depois da análise das contas de uma série de pessoas com conta bancária superior a um milhão de dólares fora a sua residência, é a de que é IMPOSSÍVEL atingir um milhão de dólares sem roubar de alguma forma: tráfico de influências, caixa dois, sonegação, compras hostis de empresas menores, etc.

    Pode fazer MBA? Pode! Pode fazer faculdade de Administração? Pode. As empresas pagam um monte de gente e contribuem com um monte de impostos? Claro que sim! Só não se comportem como os donos da verdade nem como autômatos.

    []’s,
    Hélio

  2. Nada é tão radical assim. Existem empresários e empresários, donos e donos, pessoas mais sensíveis e menos sensíveis. Nada é completamente monolítico e a história não é sempre a mesma. O que eu questiono em certa esquerda é exatamente a generalização de tudo. Se o cara contrata alguma pessoa para trabalhar com ele como prestador de serviço ou com vínculo de emprego, o cara vai ser necessariamente explorador e vai para a balada, tomar seus malbecs deixando o coitado do empregado com todo os ônus do trabalho. Não é bem assim e não vamos generalizar.

  3. Concordo totalmente!
    Também não sinto vontade de “ser dono de alguma coisa”, de ser “empresário”…
    Quero trabalhar em algo que mais que dinheiro, me dê prazer. Provavelmente me formarei em História ano que vem, ainda não sei se com ênfase em Pesquisa ou em Patrimônio Histórico. Pois a primeira opção me agrada bastante, principalmente porque uma pesquisa só se justifica se, depois de feita, tiver seu resultado ESCRITO. Amo escrever.
    Mas a segunda opção é também importante, pois tem a função de preservar objetos e documentos do passado, sem os quais o trabalho do pesquisador em História seria bem mais difícil. E é preciso ter muito critério para fazer isso, é preciso lutar contra certos interesses – quando a escravidão foi abolida, houve queima de documentos pelos “esclarecidos” que queriam impedir que os brasileiros soubessem que um dia houve escravidão neste país.

    Abraços
    Rodrigo

  4. PAULO VILMAR: já aconteceu algo parecido comigo nas cinco tentativas anteriores de entrar no mestrado, só que em outra universidade. Mesmo que não tenha havido nenhum favorecimento e que eu possa não ter apresentado algum pré-projeto de dissertação tão bom quanto o de outros candidatos, o critério da meritocracia quando as notas das provas não são divulgadas e quando já se conhece o conteúdo dos livros cobrados para a prova teórica é totalmente questionável.

    Hoje, estou com quase 35 anos. Ainda moro com a minha mãe, não posso ir atrás de emprego onde quer que seja porque senão perco a bolsa CAPES e só vou poder lecionar depois de defender o título.

    Mesmo assim, pela primeira vez na vida, sei que é o que eu mais gosto de fazer. Isso vai me proporcionar uma vida digna e vai me trazer muito orgulho de poder me sentir verdadeiramente útil à sociedade.

    Daqui a pouco mais de meio ano, espero estar em uma condição bem melhor: dando aula, pesquisando e, se tudo der certo, já iniciando o doutorado! :)

    A tua história é admirável!

    []’s,
    Hélio

  5. Helio!
    Há vinte anos foi minha formatura em direito, tinha todos os ideais do mundo, meu discurso de orador foi baseado em novos tempos! Já no mês seguinte, enquanto trabalhava num bem equipado escritório, onde era sócio, comecei a me preparar para o concurso de professor em direito previdenciário(minha especialidade), que havia aberto vaga, na Universidade onde tinha estudado. Todos meus ex-professores já me tratavam como colega. No dia da prova, sem subestimar nenhum concorrente, eu era, certamente o melhor preparado. Mas, um dos concorrentes era PAI do presidente da Banca. Não vi mal algum, afinal, como se diz, confiava no meu taco! Bem, fui bem na prova oral e escrita, mas não possuia títulos, coisa que abundava no PAI do professor presidente da banca. resultado, passaram dois candidatos, eu, com média 7,5 e o PAI do professor presidente da banca, com média 7,6.
    Fiquei, psicologicamente arrasado, pois sabia que além de tudo, o vencedor não precisava, não tinha interesse nem tempo para lecionar, visto que era além de advogado, médico e professor da medicina(onde havia pedido aposentadoria).
    Apesar dos conselhos, não entrei com nenhuma ação na justiça, recolhi-me ao trabalho do escritório e do mestrado que comecei a fazer.
    Para meus espanto, passados dois anos e tendo a validade do meu concurso caducado, o PAI do fulano, pediu exoneração e abriu-se novo concurso. Desta vez, não passei, minha média foi 6,9 e o colega que passou, tirou 7,0. Um detalhe, ele trabalhava no escritório do Presidente da Banca do concurso anterior(aquele em que fiquei em segundo lugar) e na época do citado concurso, ainda não havia se formado.
    Depois de dez anos de frustrações com escritório (clientes, fórum, lentidão, concorrência de grandes escritórios, vida sem horário, etc.) vendi o escritório comecei a dar pareceres jurídicos para duas empresas, elas pagavam por mês e me mandavam semanalmente algum assunto sobre o qual queriam o parecer jurídico. O negócio funcionou, hoje dou consultoria para dez firmas(pequenas), que me pagam um x mensalmente. Tenho tempo para cuidar de minhas leituras, ouvir meus cds, conversar com amigos, cuidar de filhos e trabalhar! Não sou milionário, mas levo minha vida sem sobressaltos!
    E sem nenhum EMIBIEI ou Dr. Advogado a me incomodar e pautar meus conhecimentos!

    Não se venda, um outro mundo é possível, sim…
    Abraços

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s