GRÊMIO: QUANDO A CRISE COMEÇOU?

Todo e qualquer blogueiro que mantenha o seu blog atualizado vai acumulando uma série de novos links, lê opiniões bastante divergentes (das mais diretas às mais complexas) e pondera não mais apenas a partir daquilo que ouve, lê ou enxerga na relação direta com pessoas de dentro do GRÊMIO, setoristas da imprensa ou do meio mais comum de obtenção de informações, que é a mediação das notícias.

Nestes dias atribulados de intensa movimentação a respeito de como será o amanhã TRICOLOR (responda quem puder!), citei alguns comentários e posts de blogueiros e leitores freqüentes, que são particularmente inteligentes, bem informados e observam algo além daquilo que foi dito. É esse o capital social que devemos cultivar: é a apreensão e a troca daquilo que é sensível entre os torcedores.

Mais dois gremistas de grande valor (seguramente com um valor intelectual muito maior em termos de observação, análise, síntese, crítica e proposição do que alguns dos 300 conselheiros do clube) apresentaram-se hoje: a LÚCIA BARCELOS, que citou um post do GRÊMIO ACIMA DE TUDO, e o CLÁUDIO SCHUH.

Respondo aos comentários dois dois com uma única resposta: sempre tive a impressão de que todo o CONSELHO CONSULTIVO, composto por todos os antigos e atuais epresidentes do clube e do CONSELHO DELIBERATIVO, sabiam melhor do que ninguém da trágica situação financeira e de gestão da qual TODOS, SEM EXCEÇÃO, FORAM RESPONSÁVEIS.

Não estou julgando ausência ou sobra de competência, honestidade, transparência, capacidade de liderança nem pró-atvidade de ninguém. Mas em toda e qualquer relação econômica, laboral ou afetiva, ninguém escapa de seus erros e acertos que, embora muitas vezes corrijam erros anteriormente cometidos por seus antecessores e procurem manter ou até mesmo ampliar os acertos, invariavelmente trazem consigo um rabo de novos erros. Isso é da vida, seja em uma família pobre, seja em um governo de qualquer partido, seja em uma empresa, associação de bairro, igreja ou clube de futebol.

OBINO sempre teve influência sobre uma parcela considerável do CD. Mesmo assim, nunca pareceu estar à altura das exigências mercadológicas e das aspirações que o negócio futebol contemporâneo exige. Muito mais do que idiotices como estigmatizá-lo como “pé frio” em função dos maus resultados obtidos na oportunidade em que foi o presidente mais jovem da história do clube em uma época na qual o tradicional adversário estava rumando para o seu primeiro grande momento de apogeu no comecinho dos anos 70’s, seu problema era mais de desatualização em gestão.

Nenhum dos outros ex-presidentes estava disposto a pegar a lava incandescente que escorria das entranhas do vulcão ISL para não perder suas mãos. Seja por influência da maioria (HÉLIO DOURADO foi o único  que se manifestou publicamente contra a aclamação de OBINO), seja por vontade, disponibilidade pessoal ou até mesmo pela vaidade de pretender recuperar a sua reputação dentro do clube entrando para a história como o “presidente do centenário”, não importa: o que importa é que foi uma decisão coletiva de solução rápida e fácil como poucas vezes se vê em um clube de futebol.

Não havia nenhuma possibilidade de recuperar o clube e era necessário fazer uma cortina de fumaça, tapar o sol com uma peneira, usar um cobertor curto. A habilidade política, jurídica e administrativa da maioria do CC costurou o que estamos sofrendo cinco anos depois – e ainda iremos sofrer durante muito mais tempo.

O limite da vergonha, da mancha na reputação do clube, da melancolia dos torcedores e do abandono de parte do CD e de empresários torcedores e a espetacularização midiática de um fato tão negativo na história do GRÊMIO era o fundo do poço. Quando se acredita que não há a possibilidade de ser soterrado nem de afundar ainda mais, QUALQUER UM que tiver um MÍNIMO de vontade sabe que, em terra de cego, quem tem um olho é rei.

Definida a catástrofe, sem força política por inexperiência ou por falta de uma rede social de laços fortes dentro do clube, empresários de pouca atuação no CD, jovens conselheiros ou associados competentes em suas áreas não teriam a menor possibilidade de oferecer seus préstimos ao GRÊMIO. O REDENTOR teria que, necessariamente, ser um dos ex-presidentes ou, então, alguém indicado por algum deles.

ADALBERTO PREIS, vice-presidente eleito que acompanhou OBINO durante toda aquela catástrofe com a coragem de se manter impávido diante das hienices de parte da imprensa e do  simplismo de raciocínio do senso comum do torcedor e dos membros menos influentes do CD, mesmo que tenha sido mentor do primeiro PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO profissional da história do clube oferecendo um projeto de gestão de longo prazo com objetivos que necessariamente precisariam ser cumpridos, infelizmente foi preterido porque ODONE não tinha seu nome atrelado a uma gestão perdedora. Muito pelo contrário: foi lembrado como exemplo de vitória (quatro GAUCHÕES, oportunizou a primeira passagem da carreira de FELIPÃO em um grande clube e a primeira COPA DO BRASL) e pelo sempre excelente e insofismável RAUL RÉGIS DE FREITAS LIMA.

ODONE foi alçado novamente à presidência porque estava politicamente diminuído como um mero vereador depois de ter sido o líder do governo BRITTO. Sua combatividade, sua retórica forte e uma base eleitoral na GRANDE POA (associação direta de sua imagem com a do GRÊMIO) e em parte da REGIÃO CARBONÍFERA (Arroio dos Ratos, Triunfo) eram fundamentais em função da fraqueza de argumentos e de discurso de alguns políticos ou inexperientes (Nelson Marchezan Jr. e Zilá Breitenbach), ou realmente pouco expressivos em termos de liderança autêntica e veemência (Adilson Troca). ODONE, mesmo não sendo do PSDB de YEDA nem do DEM de FEIJÓ, é um político-chave dentro da coligação por sua experiência parlamentar e, sobretudo, pela sua defesa intransigente desse modelo de gestão altamente questionável não para mim ou para quem é de esquerda mas, sim, para a imensa parcela da população que vai além dos interesses econômicos das grandes empresas: o povo que mais precisa de impulso do Estado para andar com suas próprias pernas e também de assistência para poder sobreviver com um mínimo de dignidade.

É inegável que houve um quê do velho e bom ODONE, do inesquecível ODONE, do inestimável ODONE de 1987 a 1990 agora. Contudo, o bom, o inesquecível e o inestimável estão se esvaindo neste final de uma gestão na qual ele não pretende mais permanecer: o governo do RS e os interesses daqueles que irão lucrar com a ARENA são a sua prioridade pessoal e profissional. O GRÊMIO, mesmo que ele trabalhe e apareça bastante em função da GRÊMIO EMPREENDIMENTOS, foi relegado a um plano menor das suas aspirações. É tudo questão de um excelente salário e de um capital social imensurável.

O GRÊMIO foi generoso com ODONE de uma forma com que não foi generoso com ninguém mais em  quase 105 anos de história. Personificado em seu nome, estão centenas de gremistas abnegados – a maioria anônimos – que proporcionaram a ele chegar aonde chegou. Num segundo momento, deram a ele a tão cobiçada, invejada e sonhada segunda chance, recebida por uma quantidade irrisória de indivíduos em suas vidas – uma oportunidade raríssima, única e imensurável.

Em um mundo pós-moderno onde o fluxo é mais importante do que a pessoa e onde a historicidade é esmagada pela efemeridade do presente que não reflete sobre o passado para produzir um futuro melhor, os ex-presidentes e a política partidária fizeram por ele muito mais do que ele retribuiu.

Sinceramente, apesar de não concordar com esse jeito de fazer política, como eu quero o bem do GRÊMIO, quero que o clube se mantenha POPULAR e volte a ser TEMIDO, AMADO E RESPEITADO NO MUNDO INTEIRO E DE UMA VEZ POR TODAS, torço demais para que tudo dê certo. Se ele for para a GRÊMIO EMPREENDIMENTOS, espero que volte a sua energia e que ele possa aí devolver com sobras tudo aquilo que o GRÊMIO deu a ele.

Eu sou contra práticas divergentes dos interesses do torcedor apaixonado que sabe ser ponderado e consciente, tanto em relação à pluralidade e confiabilidade da informação que chega até mim sobre o clube como em relação ao trabalho que é efetivamente realizado por quem pede para que eu sustente o TRICOLOR DOS PAMPAS todos os meses.

Não sou contra indivíduos, a não ser que possua provas severas contra alguém. Tanto é que apoiei ODONE naquela oportunidade mais por crer que seu perfil era o melhor para uma solução imediatista e impulsiva, que precisava necessariamente prescindir de fidalguia por uma questão de necessidade. Porém, quando o passo seguinte exige um novo modelo, é importante saber sair na hora certa.

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