GRÊMIO: ROTH FICA E PELAIPE SAI?!


Não morro de amores pela qualidade nem pela simpatia de CELSO ROTH. Uma verdade é preciso ser dita, por questão de justiça: seu currículo não é brilhante e nem tampouco vergonhoso. Com o passar do tempo, o profissional certamente aprendeu muitas lições ao longo de quase sete anos e meio de trabalho fora da dupla Grenal e já passou por todos os grandes centros futebolísticos brasileiros: Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais.

Como atenuantes às duas derrotas que ocorreram justamente no momento em que não poderiam ocorrer de jeito nenhum em função das duas eliminações em apenas 76 horas, embora já tivesse trabalhado com uma pequena fração do plantel em clubes anteriores, até onde sei, ROTH não indicou NENHUM jogador do grupo montado para 2008.

Em 50 dias de trabalho até o momento, apresentou um aproveitamento de quase 80% contra adversários muito fracos em um campeonato desnecessário.

Por causa de uma abstração chamada “tradição”, GRÊMIO, JUVENTUDE, CAXIAS e o tradicional adversário perdem tempo, forçam seus jogadores a viagens desconfortáveis de ônibus, correm o risco de lesões graves por causa de gramados ruins e de ALGUNS adversários violentos, pouco inteligentes e invejosos. A CARAVANA DA MISÉRIA atravanca a vida de clubes que possuem ambições (e, conseqüentemente, obrigações) maiores, prejudicando muito a sua preparação para a LIBERTADORES ou COPA DO BRASIL e BRASILEIRÃO. Apesar do risco ser iminente para todo e qualquer atleta que entra na chuva, não foi por uma infeliz coincidência que o GRÊMIO perdeu nada mais nada menos do que SETE jogadores que vinham sendo titulares e mais uma série de reservas imediatos.

ROTH, conhecido por uma regularidade que desconhecia vexames homéricos mas também conquistas inesquecíveis e relevantes, inventou novamente. Desta vez, mais por falta de opções minimamente razoáveis, ao contrário do que já o fizera na desclassificação do GRÊMIO para o SÃO CAETANO na COPA JOÃO HAVELANGE em 2000 ou mesmo com um time inferior porém organizado e aguerrido nas quartas-de-final do BRASILEIRÃO de 1998 contra o CORINTHIANS.

Bem dizendo, ROTH só venceu uma seqüência de mata-matas interessante quando levou o TRICOLOR DOS PAMPAS à conquista da inexperessiva COPA SUL diante do PARANÁ CLUBE em 1999. Além do também inexpressivo GAUCHÃO de 1997 pelo tradicional adversário, sua lista de títulos oficiais termina aí.

Erros isolados pesam quase que exclusivamente contra o treinador. Erros com atenuantes respeitáveis como a sua surpreendente contratação em meio ao trabalho de outro técnico (VAGNER MANCINI) cuja verdadeira capacidade neste contexto recente jamais iremos conhecer; a necessidade imediata de ter que manejar um grupo que não foi montado por ele e, finalmente, uma série de lesões que desmontou completamente o plantel fazem com que – por incrível que pareça – o técnico ainda mereça uma última chance.

Não é nenhuma insensatez nem tampouco um ato de compaixão ou de excesso de respeito ao profissional caso o presidente ODONE decida por isso. Tenho uma lista de vários técnicos que poderiam assumir no lugar de ROTH que considero mais promissores ou, simplesmente, melhores do que ele.

Então, porque não duvido dessa hipótese e não me poosiciono contra ela?!

Porque ele não pegou uma batata quente: pegou lava vulcânica com luvas de amianto furadas. Vejamos:

a) ROTH chegou a um GRÊMIO cuja necessidade imediata de reforçar o grupo com algumas indicações suas nunca foi satisfeita;

b) Somente agora ele terá a possibilidade de afirmar seu estilo de jogo com um mês inteiro para curar a maioria dos jogadores entregues ao departamento médico e também para treinamentos técnicos, táticos e uma nova bateria de recondicionamento físico para a parte mais importante da temporada (de maio a dezembro) sem precisar interromper esse importante trabalho por causa de viagens constantes.

Um ouvinte da RÁDIO GAÚCHA após a derrota para o ATLÉTICO-GO sugeriu o nome de PAULO PORTO. Alguns falam em GUILHERME MACUGLIA. Eu sempre pensei em TITE, que é o único técnico conhecido nacionalmente que está dando sopa e conhece a cultura do GRÊMIO, mas seu currículo ficou muito manchado pelo caso das “ovelhinhas” e também pelo rebaixamento do ATLÉTICO-MG, além de não ter dado certo no PALMEIRAS. Contudo, os dois primeiros ainda são incógnitas em nível nacional e o GRÊMIO está muito fragilizado para apostas. FELIPÃO, RENÊ SIMÕES e PARREIRA preferem seleções estrangeiras e ZICO prefere firmar-se no mercado europeu de clubes. LUXA, AUTUORI, ABEL BRAGA, MURICY RAMALHO, LEÃO e MANO MENEZES são caríssimos e estão todos empregados em clubes com perspectiva de resultados amplamente superiores àqueles que a capacidade de investimento atual do TRICOLOR pode almejar. RENATO PORTALUPPI e ADILSON BATISTA estão em alta e muito bem empregados. ANTÔNIO LOPES e MÁRIO SÉRGIO já deram o que tinham que dar. DORIVAL JÚNIOR, PAULO BONAMIGO, GENINHO, ZETTI, NEY FRANCO e CAIO JÚNIOR poderiam ser alternativas financeiramente viáveis, mas estão empregados e desenvolvem trabalhos amparados por PROJETOS DE GESTÃO organizados. JOEL SANTANA e JAIR PICERNI são muito fracos.

Da última vez que o GRÊMIO trocou de técnico várias vezes em um ano, caiu para a Série B em 2004.

Por tudo o que disse acima, mesmo sem brilhantismo, por incrível que pareça, defendo a permanência de CELSO ROTH no comando técnico TRICOLOR.

PELAIPE está cansado, estressado, pressionado e erra muito?! Então, que saia o dirigente.

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Um comentário em “GRÊMIO: ROTH FICA E PELAIPE SAI?!
  1. lucia disse:

    Em 1998, o Roth deu certo. Seria importante analisar as circunstâncias e as causas.
    Há treinadores que prescindem de dirigente (Luís Felipe). Aliás levam dirigentes balaqueiros nas costas.
    Outros, ao contrário, são muito competentes no ofício, mas precisam do alter ego para compensar inseguranças. Um dirigente que não deixe fazer as bobagens do jogo do juventude. Óbvias, contundentes e evitáveis.

  2. Gremista Vigilante disse:

    “Da última vez que o GRÊMIO trocou de técnico várias vezes em um ano, caiu para a Série B em 2004.”

    Senti que uma boa parcela da torcida pensa a mesma coisa.

    Talvez a permanência do Roth seja o ‘mal menor’.

  3. Guga Türck disse:

    Hélio, até concordo com a idéia da temeridade de se trocar treinadores muito seguidamente, mas se tem um momento bom para a saída daquele que nunca deveria ter vindo é AGORA.

    O Grêmio vai ficar sem participar de competições por pelo menos um mês até o início do Brasileirão. É um bom momento de vir um novo técnico – Tite não! -, analisar o plantel, dispensar alguns, contratar outros, estabelecer padrão tático em treinos… É como se fosse uma pré-temporada!

    Por isso, meu camarada, acho que tua argumentação não serve. Se fosse em meio a partidas, a um calendário em andamento a mil, eu penderia a concordar 100%, mas não é o caso.

    FORA ROTH, sem falar de Odone piada e Pelaipe loucão…

    Grande abraço!

  4. Bruno Gremista disse:

    Desculpe, mas o tempo aqui na Lan acabou e tive que enviar apenas uma parte do comentário, que nem sei se chegou a tempo. Então, como ia dizendo. A culpa não é apenas do Roth. Pelaipe foi uma peça ainda mais fundamental para esse semestre infeliz. Para começar, nem sequer tivemos um planejamento. Claro, afinal, quando você contrata um técnico sem saber de suas características, não se pode chamar isso de planejamento. Foi exatamente o que ocorreu com Mancini. Era tachado de “ofensivo” demais, mas ele sempre fora assim, desde o que trabalhara no Paulista, e parece que Pelaipe pensou que ele poderia se tornar um técnico com características próximas a Mano Menezes e Felipão. Depois Pelaipe demite Mancini, a pedido de Paulo Odone, e contrata Celso Roth. Mas pelo retrospecto do Roth, em que seus últimos oito anos passou por nove clubes, dá para acreditar em planejamento a longo prazo? Eu tentei acreditar que sim, mas não dá para ter essa ilusão por muito tempo. Reconheço os méritos do Pelaipe, não sou um daqueles que o acha tudo de ruim neste mundo, só que não dá mais para agüentar tantos erros cometidos em tão pouco tempo. Já Paulo Odone, a sensação que eu tenho, é que ele perdera um pouco do prazer que tem no cargo, talvez já esteja com a cabeça voltada para a Grêmio Empreendimentos. Sobre os técnicos, aí eu concordo com você, que não há opção segura e viável financeiramente para o Grêmio. No entanto, permita-me fazer uma pergunta. O Grêmio de 2005, quando teve que reformular quase todo o seu elenco já nas primeiras rodadas da Série B, e que contava com Mano Menezes, que ainda não se tornara um técnico consagrado, não passava por um momento mais frágil do que agora? Mano Menezes era um técnico pouco conhecido no Brasil a fora, era uma aposta, mas acima de tudo, uma aposta para o futuro. Celso Roth é uma tentativa de ressuscitar um trabalho que não funciona, afinal, ele não pára em clube nenhum. Por isso, eu acho necessária a mudança de técnico.Tite está manchado, mas ainda sim, tem um passado de respeito no Grêmio. Agora preciso ir, antes que o tempo termine de novo. E desculpe se houve falhas no texto e até mesmo erros ortográfico, é que eu fiz isso correndo. Ah! Antes disso. Você sabe alguma coisa se a Puma continua no Grêmio em 2008 ou teremos mesmo uma nova fornecedora? Saudações! =D

  5. Bruno Gremista disse:

    Desculpe Hélio, geralmente concordo com seus artigos, mas não concordo com a permanência de Celso Roth. Vamos aos fatos, ele teve mais de 50 dias trabalhando com esse grupo, tudo bem, ele não indicou esses atletas. Agora, você não acha que ele dizer isso agora é um puro oportunismo? Por que não dizia antes da corda apertar em seu pescoço? E quando você pega o currículo do Roth, você se assusta, pois ele jamais passou de dois anos num mesmo clube, em 20 anos de carreira. Como é possível pensar num trabalho a longo prazo com Roth? E mesmo sem tantos jogadores no departamento médico, que de fato, atrapalha e muito qualquer técnico, a salada que ele fez contra o Juventude não se justifica. Ele errou feio em todo esse processo. Depois eu escrevo o resto…

  6. Luís Felipe disse:

    Hélio,

    Quase nunca comento teu blog, mas leio em situações de crise, como o “Palanque’ nas prévias do PT e o ‘Apito’ agora.

    Achei muito interessante a idéia e faria o mesmo, no comando do Grêmio, mas acho muito pouco provável a coerência nesse momento. A torcida quer cabeças na bandeja, e a de Roth é a mais fraca. É evidente que quem montou esse time foi Pelaipe, mas ele tem créditos, por ter montado os times que conseguiram bons resultados em ’06 e ’07.

    Só discordo quando tu falas mal dos estaduais. Pré-temporada? Sem dúvida. Deficitários? Com certeza. Prejudicam times com ambições maiores? Perfeitamente. Só que temos apenas duas opções: ou eles, ou um campeonato brasileiro de ano inteiro. Um torneio regional é tão inútil quanto, enfraquece os pequenos, não tem rivalidades regionais e é artificial, pois não tem tradição alguma. A tradição pode ser uma ‘abstração’, mas é o que leva gente aos estádios, não adianta.

  7. Jorge Vieira disse:

    Fica Roth???

    Não fiquei convencido com teus argumentos.

    Não gosto do estilo brucutu dos times do Roth e ainda não esqueci algumas mancadas como deixar o Ronaldinho na reserva no auge da juventude, a lamentável postura do Grêmio na semi-final de 98 contra o Corinthians após brilhante atuação anterior entre outras. Não vejo capacidade, ou inteligência, nele em mudar um situação em que a estratégia inicial não deu certo, como domingo passado. Acho que é somente um ex-preparador físico que assumiu a condição de técnico. O limite dele é esse que nós estamos vendo. Se ele ficar, no máximo na décima rodada estará demitido e aí um novo treinador para remontar os estragos.

    Lendo a ZH de hoje encontrei um declaração do Odone interessante – “não temos dinheiro para contrações”. Quando a coisa aperta ele clama pelas dificuldades da instituição, mas o que ele está fazendo para resolver isso?

    Não vejo, ou leio, uma linha que aponte para um norte saneador das finanças. Assim, com esse entrave vamos ficar sempre patinando.

    Um dia ocorrerá uma melhora é minha esperança e espero estar vivo até lá.

    Abraços, não está morto quem peleia.

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