POLICIAMENTO: OLÍMPICO, POA e RS

Respondo a uma crítica respeitável do CLÁUDIO ZART do excelente blog GRÊMIO IMORTAL àquilo que escrevi no post anterior não com um e-mail pessoal a ele, nem com um simples comentário ou no post dele ou no meu, pois essa discussão merece ser compartilhada com um número maior de cidadãos.

A meu juízo, essa pauta que merece ser discutida não apenas pelos gremistas ou pelos amantes do futebol e nem tampouco por quem gosta ou deixa de gostar daquilo que escrevo. Basta observar a nossa cidade e constatar que, contra fatos, não há argumentos.

A conotação político-partidária só se dá em função de cinco fatos que não foram determinados por mim e tampouco inventados por alguém – é a constatação do dia-a-dia da sociedade que não passa na mídia:

1) A verdade das ruas e da Brigada Militar não passa na mídia corporativa gaúcha, sobretudo na RBS: Britto foi o primeiro responsável pelo aumento da insegurança no RS através de duas medidas inaceitáveis que foram protegidas pela mídia e pelos empresários amigos. a) em seu governo, a dívida do Estado triplicou e o dinheiro das privatizações não foi utilizado para reinvestir nem para pagar as dívidas; b) a título de economia onde não se deve economizar (saúde, educação e segurança), criou o PDV (Plano de Demissões Voluntárias) e não liberou concurso público para a Polícia Civil e para a Brigada Militar. Sobrou para Olívio e Rigotto. Yeda tem feito ainda pior do que Britto, reduzindo ainda mais o contingente de policiamento através da não-reposição vegetativa dos quadros policiais em função do crescimento da população e da busca pela solução de crimes mais sofisticados que não existiam até 5 ou 10 anos atrás; c) os aposentados da Brigada Militar têm direito à reposição de seus proventos miseráveis denunciada hoje na seção de cartas do Correio do Povo.

2) Nenhum outro chefe de governo exigiu ou necessitou de um aparato que cerceasse a liberdade de ir e vir do cidadão e que comprometesse a renda de dezenas de pequenos negócios cuja lucratividade é mínima e cujo comprometimento do meio ambiente e da ordem pública é zero, cujo funcionamento é tão sazonal que depende somente das partidas do Grêmio em casa;

3) Ação policial arrogante e ameaçadora ao “cidadão de bem” não se viu nem durante o governo Britto;

4) Voltei de férias do Rio de Janeiro, onde passe 12 dias, e me senti muito mais seguro e muito menos intimidado pelas patrulhas na praia, nos parques e nas ruas da zona sul do que aqui em Porto Alegre. Da mesma forma, a violência que, em POA, é crescente e ocorre em toda a cidade, no Rio, por sua vez, ao contrário do que diz a mídia, é pontual;

5) Se a ação é ostensiva apenas durante o futebol enquanto o resto da cidade fica à mercê da “bandidagem”, logo a determinação do comando da polícia é atuar somente “pra inglês ver”, isto é, onde dá visibilidade midiática.

Em função de todas essas questões, concluo com honestidade que, por mais que um jogo de futebol com ou sem a presença de autoridades requeira cuidados extras e reforço policial e por mais que eu ame o GRÊMIO, acima de tudo sou um cidadão que enxerga a cidade com uma lupa e que se considera uma formiga dentro de um microcosmo e não alguém que enxerga somente o próprio umbigo.

Nunca, em hipótese alguma, em uma metrópole, uma única empresa, um único partido, uma única instituição, um único clube de futebol podem determinar os rumos econômicos e sociais de um contingente multifacetado, que possui diversos interesses e demandas que, muitas vezes, são importantes para um e irrelevantes para os outros.

Portanto, o cerne de todas essas quesões está nos seguintes fatos: como se dá o COMANDO dos policiais e como se dá a GESTÃO do dinheiro, da contratação e do fornecimento de equipamento e de condições dignas de trabalho aos policiais gaúchos.

Nesse aspecto, nunca esteve tão ruim nem para a polícia, nem para a população: a polícia atual é orientada a proteger o patrimônio daqueles que têm mais ao invés de proteger prioritariamente a integridade física e o patrimônio da população como um todo. O policiamento é ou inexistente, ou meramente inquisidor apenas na periferia da cidade, batendo e prendendo apenas os chamados PPPs (pobres, pretos e putas, com perdão da palavra), deixando caminho livre para quem financia a verdadeira violência, que são os empresários sonegadores e os crimes de colarinho branco realizados pelos maus políticos de todos os matizes.

Como não vejo sentido em criticar por criticar, proponho que as ruas nas imediações do Olímpico não sejam fechadas e que os policiais se espalhem mais, tanto na entrada dos estabelecimentos comerciais mais concorridos quanto caminhando em meio aos torcedores. E, na volta, que acompanhem em viaturas, a cavalo e a pé o retorno da torcida por todas as vias que saem do estádio até cerca de 1 Km além do Olímpico, além de um policial por ônibus T2, T5 e aquele cujo fim da linha fica na av. Borges de Medeiros

Sou veementemente contra soluções simplistas ou impulsivas. A culpa não é direta nem principalmente dos soldados mas, sim, de quem os manda agir da forma que agem. Seus antigos comandantes possuíam um perfil mais humanista e a coisa funcionava muito melhor.

Assim como ocorre em um governo encabeçado pelo PSDB no RS e pelo PPS em Porto Alegre que reúnem todos os mesmos partidos em ambas as administrações, poderia ser um governo que reunisse PT, do PC do B, do PSB, do PSoL ou PSTU que eu estaria criticando e trazendo argumentos comumente esquecidos pela mídia e pelos interesses de seus patrocinadores da mesmíssima forma.

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Um comentário em “POLICIAMENTO: OLÍMPICO, POA e RS
  1. Jorge Vieira disse:

    Grande Hélio!

    Só um fato, e contra fatos … o Britto, no PDV, mandou embora, mais ou menos, um Batalhão de brigadianos para o mercado, algo como mil soldados.

    Te fez bem as férias, mas que tal estava carne carioca?

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