O FUNCIONAMENTO DA GRANDE MÍDIA COM SEUS PATROCINADORES

Caro amiguinho de classe média, papagaio de todo telejornal,

Entenda como funciona o sustentáculo financeiro da mídia corporativa neste país. Se não entender direito, posso desenhar.

A mídia corporativa vive da publicidade: entre seus principais anunciantes, estão exatamente aqueles setores que vendem cada vez mais investindo cada vez menos na sua produção. São eles os bancos (credores do governo e da esmagadora maioria da cadeia produtiva nacional), o agronegócio de grande porte (latifúndios monocultores – trabalho escravo, trabalho infantil, trabalho sem carteira assinada e sem garantias legais) e as multinacionais de alimentos artificiais repletos de gordura trans (responsável por vários tipos de câncer e problemas cardiovasculares que reduzem a qualidade e a expectativa de vida), a indústria automobilística (que gera resíduos altamente poluentes), a indústria de produtos de higiene e limpeza (cujos resíduos químicos detonam o meio ambiente), a indústria de aparelhos eletrônicos (importante, porém não traz tecnologia para o país e, sim, apenas a reproduz), as indústrias de tabaco e álcool (drogas lícitas) e as lojas de departamentos.

Como já dissemos em posts anteriores, a mídia corporativa (RBS, Globo, Abril, Estado, Folha, Record, SBT, Band, etc.) traduz a linguagem, os acontecimentos e as demandas de grupos sociais bastante específicos para toda a sociedade, fornecendo uma visão que não é a que prevalece no cotidiano do mundo presencial mas, sim, a visão ditada tanto pelos interesses comerciais de expansão e de alcance dessa mesma mídia corporativa como principalmente a visão que interessa a seus patrocinadores.

Embora uma empresa de grande porte proporcione uma qualidade de vida superior à proporcionada pelos mais altos escalões do poder público a seus principais executivos, ela possui uma escala hierárquica e de atribuições de deveres e responsabilidades bastante complexa e diversificada, que desemboca na base da pirâmide social, que responde pelo maior contingente e que faz as coisas girarem dentro dos ramos empresariais acima citados como patrocinadores da mídia. Isso faz com que, mesmo que elas digam que possuem “responsabilidade social” e trabalhem pelo “desenvolvimento sustentável”, mesmo que gerem uma série de empregos e que grande parte desses setores realmente ofereça benefícios trabalhistas como carteira assinada, vale transporte, vale alimentação, creche, segurança e plano de saúde, por mais que digam que pagam altos impostos e que a margem de lucro de alguns desse setores seja obtida mais no volume de vendas do que na unidade, o salário que pagam a seus trabalhadores braçais é muito mais baixo do que o que poderiam pagar.

E o que eles não dizem é que, por trás de toda aquela cantilena de missão, valores, etc., que todo indivíduo é descartável pelo seu sistema e pela sua estrutura.

A indústria da mídia, por sua vez, não age de maneira diferente. Porém, como agravante, possui a capacidade técnica de penetrar em todos os outros campos sociais (médico, militar, político, econômico, esportivo, religioso, etc.), de tal forma que o que deveria ser um serviço relevante de informação torna-se um serviço de defesa dos interesses de quem os patrocina, formando um discurso hegemônico que não abre espaço para que a população conheça o outro lado da verdade.

Antes que alguém diga o contrário por ignorância ou má fé, o PALANQUE DO BLACKÃO não é, de maneira alguma, contra a existência de grandes empresas e tampouco desconhece o seu papel na sociedade. Todavia, este blogueiro defende radical e intransigentemente o desenvolvimento sustentável, a remuneração justa, o investimento na produção ao invés do lucro pornográfico da especulação financeira e uma fiscalização intensa e ubíqüa do Governo, não-adversária e não-pelega das empresas, que precisam ser reguladas. O PALANQUE DO BLACKÃO sequer discute a validade da máxima de que o Governo deve ser liberal e que as grandes empresas devem ser socialistas, isto é, as empresas acumulam os lucros e dividem seus prejuízos com o Estado.

A grande verdade é que as grandes empresas não são a locomotiva do desenvolvimento nem tampouco o sustentáculo financeiro do Estado, pois basta ir ao site do IBGE para descobrir que cerca de 60% de todos os impostos deste país são gerados a partir da micro e da pequena empresa.

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2 comentários em “O FUNCIONAMENTO DA GRANDE MÍDIA COM SEUS PATROCINADORES
  1. CARLOS: claro que pode publicar, desde que jamais esqueças de enviar um link nem de citar a fonte! ;)

    []’s,
    Hélio

  2. Muito bom, bem didático. Gostaria de publicá-lo no meu blog, http://blogdeumsem-mdia.blogspot.com/
    sem o primeiro i de midia. Lógico que será citada a fonte.

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