CANDIDATOS DE ESQUERDA X PIG

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Este artigo foi inspirado em mais uma excelente pedra cantada pelo Cristóvão Feil em seu obrigatório DIÁRIO GAUCHE.

Conforme postado à época do episódio do arrendamento da Usina do Gasômetro para a RBS durante três longos meses (aliás, nesta semana, o Império Sirotskiano doou gentilmente a um museu o acervo de sua fantástica pesquisa e do incrível design que omitiu o editorial da edição de 21/03/1964 com um militar louvando o então novo jornal), eu já tive um pensamento mais sectário e desconfiado em relação aos candidatos supostamente de esquerda (não necessariamente petistas) que apareceram em fotos e tiveram depoimentos colhidos no rádio e na televisão sobre aquele episódio.

Ir lá e posar para fotos não é problema e é praticamente inevitável em uma sociedade midiatizada onde quem não é visto não é lembrado.

O que deve-se saber fazer é aparecer sem deixar furos. Até mesmo a produção de subjetividades da mídia corporativa tem limites: há situações nas quais quem deixa brechas a respeito das suas intenções e articulações discursivas são eles próprios.

No entanto, a esquerda tem um monte de assessores de imprensa burocratas, pragmáticos e pouco criativos. Os poucos que se salvam são abarcados pela ignorância dos políticos inflexíveis para os quais trabalham no momento da tomada de decisão sobre sua exposição midiática.

Aparecer lá ou através dessa mídia não precisa necessariamente ser uma atitude clientelista, reverencial ou medrosa: por um lado, essa mídia sabe que sua força de exposição e de marca é enorme e, ao contrário do que se pensa, infelizmente e por enquanto, oferece um modelo o qual não pode ser ignorado, subestimado, desprezado ou institucional e protocolarmente desprezado.

Condenar um candidato a candidato do PT, do PSB, do PC do B, do PSTU, ou do PSoL pura e simplesmente por dar uma entrevista na redação, em um evento qualquer ou em algum parque para RBS, Record, Band, Pampa, SBT ou quem quer que seja não é prova nem indício garantido de que esteja havendo entreguismo, nem tampouco de que “a máscara tenha caído”: o acerto no momento de saber ou não se expor às poucas vantagens e aos muitos riscos e a maneira de aparecer apenas refletem passos anteriores não-midiáticos desse candidato rumo à densidade eleitoral desejada.

Se o cara é bom e tem uma trajetória confiável, não pode ser execrado pelos militantes por ter aparecido por lá. Apertar a mão, contar uma piadinha, dar um sorriso para a Rosane de Oliveira, para o Políbio Braga, para o Rogério Mendelski, para o Diego Casagrande, para o Lasier Martins, para o Osiris Marins, para o Afonso Ritter, para o Humberto Trezzi ou para o Marcelo Rech são, muitas vezes, os ossos do ofício: sabe-se que nunca se pode esperar que eles tirem o pé do acelerador ou que dêem um tapa através de uma luva de pelica porque eles vão de soqueira, mesmo.

Contudo, não necessariamente a população irá enxergar os candidatos de esquerda exatamente como a mídia corporativa os enuncia: afinal de contas, quem tem anos de trabalho junto à comunidade e entrega informativos no Centro ou perto do shopping Praia de Belas está sendo visto trabalhando e em contato direto, olho no olho, até mesmo com aquele que não é seu eleitor.

A mídia expõe para milhões de pessoas de uma só vez. Há o estrago que ela causa na produção de subjetividades. Mas quem garante que o seu discurso está devidamente alinhado com aquilo que o público espera ou vivencia?! Quem garante que, quando o seu discurso não está alinhado com o senso comum, que ele será realmente capaz de arrebanhar ovelhas para a sua intencionalidade?

Decidir por aparecer ou não no PIG é uma decisão muito complicada para uns e natural para outros. Nunca se sabe entre dois candidatos de esquerda se, para o candidato A, essa aparição vai render ou surrupiar votos, assim como para o candidato B o efeito pode ser exatamente o contrário.

Os MBAs neoliberais dizem que quanto maior o risco, maior o ganho. Saber se paga pra ver nesse cassino é um dilema e tanto.

Pessoalmente, como política tem muito a ver com imagem pessoal, construção e valorização da marca e bater ponto, essa é a estratégia de Beto Albuquerque, Maria do Rosário e Manuela D’Ávila (que eu pensei que era uma coisa mas é outra – nesses três eu não voto no 1º turno).

Miguel Rossetto, Henrique Fontana, Olívio Dutra e Tarso Genro recentemente foram fotografados em um encontro e houve até uma visita de alguns deles à redação de Zeagá quando os candidatos estavam em campanha para o PED, lembram? Não houve um único blog que tenha aprovado essa atitude.

Embora veja Fontana e Tarso como excessivamente diplomáticos no trato com a oposição e com os setores conservadores, abastados e golpistas da sociedade, não sabemos se o Governo Lula seria melhor ou obteria tanto êxito em determinadas áreas (apesar de falhas gravíssimas em outras) caso sua estratégia fosse a do confronto, assim como Hugo Chávez faz na Venezuela e Evo Morales na Bolívia. Contudo, é preciso ter em mente que a realidade deles não apenas permite como os OBRIGA a serem assim. Eles não têm saída para buscar a soberania de seus povos. Aqui, a reunião de forças é extremamente articulada e muito, muito grande e perigosa.

Como eu não tenho uma solução e não conheço ninguém que a tenha, não posso condená-los. Quanto aos três primeiros citados (Rosário, Manu e Beto), o problema vai além do deslumbramento e do “beija-mão” ao PIG: trata-se de um oportunismo barato aliado a uma certa dose de egocentrismo e incompetência – se bem que Albuquerque não pode ser chamado de incompetente, uma vez que fora um excelente secretário dos Transportes no Governo Olívio e um bom líder do Governo Lula na Câmara.

PERGUNTO: PARTINDO DO PRESSUPOSTO DE QUE NÃO HÁ COMO IGNORAR O PIG, QUAL O LIMIAR DA EXPOSIÇÃO DA ESQUERDA NO PIG? QUAIS PRECAUÇÕES ELA DEVE TER AO SE ENTREGAR À COVA DOS LEÕES?

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5 comentários em “CANDIDATOS DE ESQUERDA X PIG
  1. […] estranhem: sempre critico muito o Governo LULA e peguei pesado com a MARIA DO ROSÁRIO por ela ter bajulado a RBS. Mesmo que eu preferisse MIGUEL ROSSETTO como candidato, não há nenhum valor que me faça votar […]

  2. Hélio Sassen Paz disse:

    Maia,

    Tu só conheces a Venezuela através do PIG. Conheço pessoas que foram para lá e se misturaram de verdade com o povo.

    Quem é empresário e é de direita não fala mais mal da política externa brasileira que, agora, é soberana, não beija mais a mão dos EUA e acabou de vez com a ALCA. Afinal de contas, eles nunca ganharam tanto dinheiro exportando muito mais para a Venezuela do que para Chávez. O Brasil investe em autopeças, em construção civil, educação e em outros mercados altamente lucrativos tanto aqui como lá. O que eles mais querem é que a Venezuela seja admitida como membro permanente e sem restrições do MERCOSUL.

    Esse tipo de informação sai até em veículos do PIG que não brigam com a notícia e não misturam notícia com opinião, como o Valor Econômico.

    Quanto a fomentar a briga com a classe média, com as multinacionais e com os ricos, isso não é segregação e nem tampouco brigar de graça ou colocar irmãos contra irmãos: a impossibilidade de falar, de aparecer e de reivindicar dos miseráveis venezuelanos (proporcionalmente representam uma parcela da população maior do que a dos miseráveis brasileiros), o Eduardo Guimarães e o Azenha que estiveram lá disseram que, simplesmente, quem cultiva o ódio são os ricos e a classe média. Os pobres não odeiam os ricos, apenas querem distância. Quem fomenta o confronto é quem tem dinheiro.

    A Venezuela vivia uma situação extrema, na qual mesmo que felizmente não haja uma guerra civil (e estava-se encaminhando para isto ANTES de Chávez assumir), é impossível conciliar as partes apenas conversando de maneira polida e cortesa.

    Em certos contextos, o modus operandi não necessariamente pode ser o mais educado e parcimonioso.

    Além disso, eu acho que a classe média reúne o que há de melhor em uma pequena parcela de seus integrantes, ao passo que reúne o que há de pior em uma sociedade na maioria de seus membros.

    Já dei os meus motivos a respeito dessa minha opinião antes e ainda não apareceu ninguém que os contestasse sem maniqueísmos ou direitismos.

    Sobre Serra, acho que tu não conheces as 67 CPIs engavetadas pelo PSDB desde o Governo Covas. Não sabes que Serra liga pessoalmente para o diretor de redação de qualquer jornal, revista, rádio ou TV caso saia uma linhazinha falando a verdade sobre o governo dele, que é tão ruim como o de Yeda.

    PSDB, DEM, PP, PTB e grande parte do PMDB são o que há de pior na política brasileira.

    Pessoas inteligentes e bem-informadas não votam na pessoa mas, sim, no partido. Afinal de contas, independentemente da personalidade, do carisma, da ética, da honestidade e da iniciativa do indivíduo, o programa do partido e todas as relações que ele mantém com a sociedade civil, com os movimentos sociais, com os empresários e com os campos sociais da medicina, da ciência, da religião e militar é que definem o que, quando, como e para quem efetivamente será feito.

    Pessoalmente, acredito em um índice pequeno de pessoas pouco inteligentes. Afinal de contas, o QI baixo decorre de uma série de patologias mentais, subnutrição, etc.

    O que há é uma terrível desinformação por falta de acompanhamento do pensamento único. A classe média brasileira é um dos maiores rebanhos ovinos do planeta.

    []’s,
    Hélio

  3. Carlos Maia disse:

    O racismo de direita e o preconceito também é fomentado por Chávez. Existem formas melhores de resolver esses problemas e não é através do conflito, mas da inclusão social. É possível incluir socialmente os excluídos sem fomentar antagonismos sociais, como faz, por exemplo, o Partido Socialista chileno. É evidente que certos conflitos vão ocorrer, mas é muito melhor colocar panos quentes e seguir a luta do que colocar a boca no trombone e fomentar antagonismos sociais que não levam a lugar nenhum. Servem apenas para alimentar o ódio e o preconceito entre os cidadãos. Chávez aposta no confronto e não apenas contra a elite que sempre se beneficiou do petróleo, fomenta esse preconceito contra a classe média. E o ideal de uma sociedade moderna no mundo que estamos embutidos é uma sociedade de classe média responsável, pluralista e com respeito às diversidades. Assim está fazendo o Lula. Mas acho que existem sim opções melhores e mais competentes para levar o Brasil e a Venezuela à universalização da boa e responsável qualidade de vida. Serra, por exemplo, é um ótimo nome.

  4. Hélio Sassen Paz disse:

    Maia,

    Chávez não é um gênio nem o melhor político possível. Mas é a menos pior das possibilidades para o contexto da Venezuela. O mesmo posso dizer de Lula aqui.

    Eu conheço pessoas que foram à Venezuela e se misturaram de fato à população. Há um racismo e um extremismo de direita lá que jamais houveram no Brasil (exceto no RS que, infelizmente, está muito próximo da realidade venezuelana): um chavista não pode pisar num cybercafé sob risco de levar porrada já do lado de dentro da porta.

    O Chávez erra da mesma forma que errou Fidel. Porém, o erro deles (que não é pouca coisa) é bem menor e bem diferente daquilo que a mídia corporativa considera como erro político, ideológico, de gestão ou emocional: é o de tomar para si a marca, o perfil, o ícone da revolução social na Venezuela.

    Esse personalismo e o fato de ele ser falastrão – contando até segredos de estado que deveriam ser mantidos guardados a sete chaves – é que prejudicam muito a condução da Venezuela.

    Como já se provou, ele é um democrata que aceita a derrota. Só por isso, para o estado em que a Venezuela se encontrava, pode-se dizer que os avanços são, embora longe do ideal (assim como aqui), notáveis.

    O erro dele não é peitar uma oligarquia extremamente acostumada a ganhar uma fortuna com algo que deveria ser de todos – o petróleo. O mesmo vale para as multinacionais estado-unidenses.

    Com o dinheiro do petróleo (isso não sai na mídia corporativa), todos os habitantes pobres do país têm medicina preventiva doméstica três vezes por ano. Indígenas, camponeses e a população que ficava escondida e desamparada lá nas grotas agora vai à escola aprender a ler (primeiro passo para a aprendizagem da autonomia e da cidadania).

    No mais, como é que o cara vai trabalhar direito se estão sempre querendo se intrometer na auto-determinação de seu povo?!

    Nota bem que eu já falei sobre meu pensamento social, político e econômico não faz muito tempo. Nele, aponto aquelas que considero as falhas do capitalismo (muitas), do socialismo (poucas) e explico por que o comunismo não funciona.

    A capacidade que as pessoas têm de achar que socialista é contra o capital e a meritocracia e de confundir socialismo com comunismo é um dentre tantos constructos da mídia corporativa que tornaram-se símbolos de algo negativo quando, na verdade, não é o que está escrito nos livros nem o fato de acreditar e de querer implantar o sistema o problema mas, sim, o como, quando e por quem.

    Mas que nenhuma forma de capitalismo evita a exclusão da maioria, isso é mais do que certo. Uns não podem viver melhor do que uma maioria que não tem nada.

    []’s,
    Hélio

  5. Carlos Maia disse:

    Hélio, aumenta a letra do comentário. Levei um tempo para achá-lo. O interessante neste discurso é que existe apenas um caminho que é verdade e vida para tudo. O caminho á esquerda. Ou seja, a esquerda é a solução. Mas o que é ser de esquerda, afinal? Eu me considero e sempre me considerei de esquerda, desde meus tempos de trosco. Mas vejo equívocos imensos em certa esquerda que ainda aposta no conflito. Você disse que Chávez não tem outra alternativa – senão o confronto — para buscar a soberania de seu povo. Mas o que é afinal soberania? Soberania é um conceito vago, completamente discutível e que não enche barriga de ninguém. Ninguém come soberania. Os ditadores do Brasil, da extrema direita, também diziam a mesma coisa. Estamos fazendo o duro regime para a defesa da nossa soberania. Isso é discurso de quem defende lei de segurança nacional, isso chega perto da xenofobia. O que vai dizer se o governo Chávez é bom ou ruim são as estatísticas. Quantas pessoas ele tirou da miséria ? quantas ele incluiu? Mas os dados estatísticos da Venezuela foram pífios em todos esses anos de chavismo. A situaçaõ do povo da venezuela continua a mesma. O crescimento do IDH em 10 anos de Chávez é igual ou parcido com o do Brasil. Mas Chávez comprou brigas com o mundo inteiro e essas brigas não melhoraram as condições econômicas (que hoje são péssimas na Venezuela, por conta da inflação alta e desabastecimento) e sociais. Vale a pena comprar essa briga? Nenhum país, Hélio, se desenvolveu econômica e socialmente atiçando e alimentando antagonismo social. Não existe nenhum exemplo nesse sentido.

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