VALORES SOCIAIS E POLÍTICOS DO BLACKÃO

Antes de entrar na reforma política que tenho na cabeça há pelo menos dois anos, preciso justificar por que diabos me importo tanto com isso e aonde quero chegar.

Pessoalmente, creio que a legislação política brasileira é extremamente benéfica… Para a manutenção do status quo. Até o momento, nós, brasileiros, só tivemos contato com um único status quo cuja vigência remonta à época em que este quinhão passou a ser chamado de Ilha de Vera Cruz.

Sendo assim, não vivemos em uma democracia de fato nem de direito, pois as leis não são interpretadas nem executadas de maneira igual para todos e o “deus-mercado” também não possui mecanismos de iniciação da vida igualitários. A informação também não é divulgada de maneira equânime, pois as demandas dos donos da mídia corporativa, de seus patrocinadores e daqueles que legislam a seu favor vêem a informação como uma mercadoria, de tal sorte que as falhas do sistema são todas conhecidas, sim. Porém, sob um viés mediado que é quase sempre diferente da observação in loco das mazelas da sociedade.

Apenas recentemente iniciou-se uma tênue, tímida, parcimoniosa, lenta e gradual TENTATIVA de mudança. Tão tênue que guarda uma série de resquícios do modelo pentasecular como contradições dentro da própria casta que ora luta por mudança. Em função disso, há uma enorme incerteza quanto à sua continuidade: mesmo que o modelo continue sendo aplicado, a velocidade, a quantidade e a qualidade das transformações é uma total incógnita.

Caso essa se confirme, só deverá ser consolidada através de uma verdadeira democracia e de um verdadeiro estado do bem-estar social – imagino que, na melhor das hipóteses, não antes de duas ou três gerações após a minha morte (desde que eu viva até meados da década entre 2051 e 2060 com saúde, como é minha vontade).

Saúde, Educação, Ecologia, Cidadania, Cultura, Economia, Politização e Participação Social são os sete ítens que considero fundamentais para um Estado cujo dever e obsessão sejam proporcionar uma sociedade justa, honesta, ética e saudável.

Para que uma pessoa seja saudável, considero como principais valores saúde, felicidade, juízo, paz, amor e harmonia.

Partindo do individual para o coletivo visando consolidar essa política e esses valores de Estado, vejo a solidariedade, o entusiasmo, a iniciativa, o bom humor, o otimismo, a força de vontade, o respeito e a eterna disposição ao diálogo como a legítima forma de fazer algo que satisfaça a muitas pessoas ao mesmo tempo, trazendo como fonte de orgulho e de admiração pessoal a ambição de querer repetir a experiência positiva para a maioria ad eternum – sucessivos resultados positivos devidamente reconhecidos: a isso damos o nome de sucesso.

De maneira bem simplista, já postei em algumas entradas que só considero o mundo bom para mim caso o modelo de busca de qualidade de vida individual e social que descrevi acima atinja primeiro,  com maiores resultados e com maior repercussão de seus resultados àqueles que estão em condições piores do que as minhas para lutarem pela sua sobrevivência e evolução intelectual, emocional e financeira. Afinal de contas, estamos todos interligados por uma rede social, na qual toda atitude que eu tenho afeta a muitas pessoas de uma só vez (mesmo que nem elas e nem eu me dê conta disso).

Por acreditar nesses valores amplamente refletidos durante toda a minha existência já próxima de completar 35 anos dentro de pouco mais de dois meses e meio, não há como eu aceitar a censura, a ditadura, a plutocracia, a oligarquia, o coronelismo, o clientelismo, o corporativismo, o comunismo e nem tampouco o capitalismo puro.

Todavia, o socialismo não é suficiente, pois não prevê nem mesmo a distinção meritocrática isenta de ganância, pois aceita como única forma de competição aceitável a competitividade esportiva. A minha visão de socialismo, mesmo não-embasada em uma teoria do socialismo, SUPÕE que o socialismo não prega a ganância, a soberba, a arrogância nem a superioridade de raça, cor, altura, peso, beleza, sexo, religião, conta bancária, idioma e nem tampouco nacionalidade.

No entanto, cada pessoa possui qualidades, aptidões e potenciais bastante particulares, que serão ou não desenvolvidos conforme a oportunidade que a família, o Estado, o trabalho, o clube, a igreja, a escola, o instituto de pesquisa, o sindicato, a cooperativa, o partido e, acima de tudo, a visão de mundo única e particular de cada indivíduo for capaz de soltar ou de travar o seu senso de realização.

Nesse aspecto, somos todos, sem exceção, diferenciados. E tal diferenciação deve ser devidamente reconhecida, valorizada e, mais do que tudo, aproveitada para o bem comum.

Cada pessoa deve necessariamente buscar fazer valer a sua identidade. Nesse sentido, moda e diversidade não são nada supérfluos. A aparência deve ser explorada de forma que a própria pessoa sinta-se bem consigo mesma e julgue positiva a sua forma de aparecer para quem, quando, aonde e como bem lhe convir. O que não pode ser incentivada é a aparência por modismo ou por status. A essa aparência vivenciada e demonstrada como uma forma de distinção sem conseqüências de elitização dou o nome de ESTILO.

A inteligência humana, através de sua criatividade, ainda não foi capaz de criar nenhuma forma de troca mais unificada do que o dinheiro. No entanto, não se pode jamais admitir o acúmulo excessivo de dinheiro sob a forma de poder e, menos ainda, a falta de dinheiro. O resultado da nossa contribuição física e intelectual para a sociedade é a troca do nosso trabalho por dinheiro, a fim de podermos efetuar trocas por bens materiais e por bens imateriais. A função da troca é a interação social através da circulação de produtos desenvolvidos por uma porção de gente para serem consumidos por outra porção.

Os bens que adquirimos ou recebemos também possuem suas funções, que identifico como duas: a primeira visa garantir a nossa subsistência em primeirolugar. Mais adiante, a segunda consiste em melhorar nossa qualidade de vida satisfazendo nossas necessidades e desejos.

Nesse ponto, conclui-se que minha visão de mundo é contrária à pobreza para qualquer um; à riqueza de poucos; à uma igualdade forçada; à diferenciação forçada.

Conclui-se, ainda, que vejo virtudes no capitalismo, embora poucas. E que vejo falhas no socialismo, embora estas também sejam poucas.

A crença nessa utopia a que chamo de socialismo capitalista não é impositiva: não prevejo nenhum determinismo, assim como há uma série de situações nas quais é IMPOSSÍVEL (sim, essa palavra existe, desde que não seja utilizada de uma forma totalitária advogando em causa própria, nem de uma maneira pessimista). Essa flexibilidade só encontra obrigatoriedades, limites e imposições sob a forma de regras punitivas ou não para manter os valores já citados, ao mesmo tempo que permite adaptações de acordo com a cultura, com o clima e com as condições econômicas, educacionais e de saúde no momento da largada desse sistema em cada lugar.

Foi pensando em tudo isso que criei um novo sistema de organização política, eleitoral, representativa e participativa ainda organizada através da institucionalidade dos partidos, porém como uma série de alterações que considero essenciais para a aceleração e para a manutenção das mudanças evolutivas pelas quais o Brasil e a América Latina como um todo estão passando no atual contexto. Assim como está, a política institucional não é eficiente, justa e nem tampouco fácil de compreender e de praticar nem aqui e nem na China. Nem na Suécia, nem em Bangladesh.

Aguardem o próximo post, que será mais objetivo.

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Um comentário em “VALORES SOCIAIS E POLÍTICOS DO BLACKÃO
  1. Jose disse:

    Caro Hélio,
    complicado isso. Somos uma sociedade, tanto a brasileira, quanto a própria humanidade, bastante fragmentada. Encontrar a fórmula para a felicidade de tanta gente diferente é … complicado!
    []

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