ARENA: NOVOS ESTÁDIOS EM TODA A ÁFRICA

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A pauta padrão de toda pré-temporada consiste em só se falar em especulações a respeito de novas contratações, na novela sobre a permanência do principal destaque da temporada anterior (a bola da vez é Diego Souza) e em treinamentos físicos. Isso é chato e acrescenta muito pouco ou quase nada às discussões mais inteligentes sobre a vida do clube.

Portanto, os blogs deveriam mudar a agenda oferecendo pautas alternativas. Faço a minha parte voltando ao tema da ARENA, agora sob uma nova perspectiva baseada em informações que fogem da demonstração de poderio econômico, coercitivo e simbólico da Europa, dos EUA e do Extremo Oriente. A África terá novos estádios e reformas naqueles que ainda possuem segurança, porém adaptadas a uma realidade completamente diferente.

Assim como eu, muitos associados do TRICOLOR DOS PAMPAS desconfiaram da pompa, da ostentação e da superexposição de um tema que foi lançado na mídia corporativa para desviar a atenção do torcedor gremista exatamente durante o período lais glorioso da história do tradicional adversário. Dada a urgência da pauta e o intenso bombardeio midiático, na época, era inevitável desconfiar da intenção de vários conselheiros e dirigentes da situação que acumulam cargos públicos, que são filiados a partidos políticos e possuem relações estreitas com grandes empresários. Independentemente da idoneidade e da competência das pessoas, a desconfiança se dava justamente pela enorme falta de informações que, seja lá por quais motivos estivessem sendo negligenciadas, na verdade não o poderiam, pois o GRÊMIO não é, juridicamente, uma empresa. Ao mesmo tempo, a quantidade de associados e de torcedores é enorme. Portanto, os interesses sociais, econômicos, ambientais e de cidadania sempre serão enormes em uma situação dessas.

Bem ou mal, as pessoas trazem consigo seu histórico de atitudes. O que importa, neste caso, são as atitudes políticas e profissionais dos dirigentes. Pela amostragem na prática parlamentar e no modus operandi da gestão de pessoas, de patrimônio e de capital, a preferência é pela desoneração, pela solução rápida porém paliativa e pelo cobertor curto. Livram-se de custos operacionais a partir da venda do patrimônio construído por uma coletividade repassando sua propriedade, gestão, oferta de serviços e todo o seu lucro para terceiros. Ao Estado, ao contribuinte e ao cidadão, restou apenas o bônus do usufruto e o pesadíssimo ônus das despesas, sem a contrapartida da melhora substancial da oferta e a um custo muito mais alto para o público.

No caso do Estado, as conseqüências são social e financeiramente trágicas, complicando a vida de milhões de gaúchos. Já no caso do GRÊMIO, o clube e seus torcedores – associados ou não – são os maiores interessados pelo andamento transparente do projeto e, acima de tudo, pela garantia da autonomia financeira e de propriedade dos bens acumulados pelo e para o clube durante mais de um século de vida.

O EXÉRCITO DE FERRO COM A ALMA CASTELHANA ainda é o detentor da marca GRÊMIO, que possui um vasto capital simbólico acumulado desde 1903, formado por uma história emocionante que remete a uma perspectiva futura de esperança. O futebol, mais especificamente o TRICOLOR, é um lazer-paixão que funciona como válvula de escape, meio de consumo e constitui fortemente a identidade de mais de seis milhões de adeptos.

Hoje em dia, podemos dizer que há muitos fatores que propiciam uma visão mais ponderada em relação à ARENA DO GRÊMIO. Quero crer que, apesar do perfil empresarial e ainda ligado a entidades de classe patronais e a partidos de direita reinante entre boa parte dos conselheiros mais influentes dentro do clube, todos os cuidados estejam sendo tomados. O presidente do Conselho Deliberativo, advogado Raul Régis de Freitas Lima, é um conciliador; o Conselho Fiscal possui representantes da oposição que conhecem como poucos a área de finanças e parece que o CD vive um clima de paz. No próximo dia 21, teremos novidades. Enquanto isso, trago-lhes casos de novos estádios fora do olho do furacão do futebol.

Recentemente, ocorreu a triste tragédia do estádio da Fonte Nova e, hoje cedo, em um telejornal da Rede Record, assisti a uma chamada que dizia que o estádio Rei Pelé em Maceió, construído na década de 1970, foi interditado por falta de segurança. Em uma edição do GloboEsporte de algumas semanas atrás sobre o assunto, mostraram também a fragilidade do Mineirão. Esse tipo de visão faz com que o torcedor menos crítico pense que é fundamental pôr tudo abaixo e começar do zero, sem se importar se a sua paixão tornar-se-á restrita a uma pequena parcela da população capaz de pagar por serviços mais caros, afastando o torcedor habitual, que já tem pouco tem condições de ir ao cinema mensalmente que seja – ao teatro, então, nem se fala.

Outro fator que incentiva as pessoas a crerem na versão que a mídia corporativa e seus patrocinadores esperam que elas engulam é a suntuosidade e a impressão de desenvolvimento ético, político, social e ecinômico da cidade e do país através das obras alardeadas para a realização dos Jogos Pan-Americanos de 2007 no Rio de Janeiro. Contudo, a realidade mostrou que, apesar do sucesso de sua realização, houve uma plêiade de falhas gravíssimas e inadmissíveis. Entre elas, os perigosos atrasos, a falta de pagamento aos empreiteiros, a falta de comprometimento de alguns desses empreiteiros (inclusive aqueles que foram muito bem pagos), as pesadas injeções de capital federal, as licitações e as concorrências sob suspeita e o não-uso público ou privado de alguns dos caríssimos estádios construídos. A Globo e a RBS jamais investigaram ou insistiram nesses problemas. Apenas a ESPN Brasil preocupou-se em realizar uma cobertura honesta e plural do evento.

Agora, a Copa do Mundo de 2014 é o motivo-mãe da necessidade de construir novos estádios. Bem ou mal, o dinheiro vai aparecer e os interessados são muitos, pois o mercado da construção civil apresenta cifras bilionárias e ninguém vai querer deixar de levar o seu naco.

Independentemente de serem selecionados ou não como sedes dos jogos do Mundial, a construção e a reforma de muitos estádios país afora é inevitável. Comunidades do GRÊMIO no Orkut babam o ovo de projetos europeus e asiáticos. Todavia, o mais viável é levantar aparelhos que representem um meio-termo entre a simplicidade dos novos estádios africanos e a metade do custo de um estádio de 55.000 lugares dos emergentes (Ucrânia ou Rússia, por exemplo) ao invés de compararmo-nos aos bilionários clubes top de linha da Inglaterra, da Espanha, da Alemanha, da Itália e de Portugal, assim como aos faraônicos estádios da Coréia do Sul e do Japão.

Em Gana, onde será disputada a CAN’08 a partir de amanhã, grande parte dos estádios é nova. Foram construídos por empreiteiros chineses. São aparelhos seguros, confortáveis, porém pequenos (os dois maiores possuem capacidade para apenas 43.000 espectadores) e sem nenhuma ostentação. Gana é um país paupérrimo e é a primeira vez na história da CAN que estádios são construídos tendo como estopim justamente a realização do maior torneio oficial de seleções da Confederação Africana de Futebol (CAF).

No site Can Qualifiers, encontrei uma notícia em inglês, do dia 20/09/2007, publicada no BBC Sport pelo correspondente Kennedy Gondwe, que fala da construção de um estádio para 40 mil lugares em Zâmbia, pois o Independence Stadium já possui 43 anos e suas estruturas estão severamente abaladas. A idéia é que esteja pronto a tempo de que alguma seleção cuja sede na Copa de 2010 seja no norte da África do Sul opte por Zâmbia como sua concentração. Mais adiante, em 18/09/2007, o Lusaka Times fala em um acordo governamental entre Zâmbia e China, cujo anúncio oficial foi feito em uma cerimônia entre o chinês Zhang Zijun e o ministro do trabalho zambiano Bizwayo Nkunika, comunicando sobre a construção do novo estádio no norte do país da África meridional a um custo de 70 milhões de dólares.

A CAN 2006, no Egito (um dos países menos pobres ou mais ricos da África) teve apenas um grande estádio (o Cairo International Stadium, para 74.100 lugares). Todos os demais eram semi cobertos ou até mesmo descobertos. O estádio da Academia Militar do Cairo, o segundo maior, possui apenas 25 mil assentos. Os dois estádios de Alexandria, o de Port Said e o de Ismailia todos com lotação máxima de apenas 22.000 lugares. A grosso modo, não são melhores do que o Colosso da Lagoa, em Erechim, ou do que o Alfredo Jaconi, em Caxias do Sul.

Dessa forma, sendo o futebol o esporte mais praticado, acompanhado e suportado do planeta, se formos verificar, a população do Egito é superior a 80 milhões de habitantes. E o Cairo possui dois clubes quase seculares, de uma rivalidade gigantesca: o Zamalek e o Al-Ahly dividem a atenção de mais de 7,7 milhões de habitantes, fora o interior do país. São torcidas maiores do que as do GRÊMIO e do tradicional adversário que dividem um estádio 15% maior do que o Beira-Rio atual.

Pra terminar, uma notícia muito interessante do BBC Sport de ontem, 09/01/2008: a capital econômica de Marrocos, Casablanca, terá um novo estádio para 80.000 torcedores pronto em 2008, segundo informação do prefeito Mohamed Sajid. Ele irá substituir o antigo estádio Mohamed VI de 70.000 lugares a um custo de 260 milhões de dólares. O ministro dos Esportes e da Juventude Nawal Moutawakil promete manter o ritmo dos investimentos na infra-estrutura do esporte no país saariano: ele destacou, ainda, que outros estádios já estão sendo construídos em Agadir, Marrakesh e Tangier. Esse país pretende fixar-se como uma potência futebolística reconhecida não apenas no continente, mas também no mundo inteiro.

Portanto, os quatro novos estádios com cerca de 40.000 assentos construídos agora para a CAN 20087 em Gana terão uma sobrevida de pelo menos três décadas e apresentam-se como aparelhos mais compatíveis com a realidade do torcedor ganês.

Portanto, não é nenhum absurdo o GRÊMIO construir um novo estádio: a preocupação é, sim, COMO, POR QUEM e A QUE PREÇO. O local é o de menos.

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3 comentários em “ARENA: NOVOS ESTÁDIOS EM TODA A ÁFRICA
  1. […] PARA O GRÊMIO 26/11/2007: ARENA, OLÍMPICO E FONTE NOVA: ESTABELECENDO RELAÇÕES 10/01/2008: ARENA: NOVOS ESTÁDIOS EM TODA A ÁFRICA 16/02/2008: ARENA: VÍDEO DO PROJETO PARA A AZENHA 08/03/2008: ARENA: DÚVIDAS ATUAIS […]

  2. Hélio Sassen Paz disse:

    A rede social, política e econômica da RBS é enorme. Não sei se tu fazes ou se já fizeste política dentro do Grêmio mas, certamente, se não fazes nem fizeste, deves conhecer quem o faça.

    Em comparação à política partidária, há uma grande semelhança: salvo raras e honrosas exceções, os princípios maquiavélicos dominam o espaço. Todavia, como praticamente não há presença da esquerda constituída e institucionalizada dentro de grande parte dos grandes clubes de futebol, o que se convencionou chamar de situação e de oposição nada mais é do que a briga entre panelas com demandas particulares não-coincidentes.

    Se não existe direita x esquerda e se o espaço dado em estatuto para a renovação do Conselho Deliberativo possui um monte de cláusulas excludentes como era no Brasil da época da política do café com leite, não há tampouco conflitos de interesses que possam ser considerados verdadeiramente contrários e nem tampouco conflitos de classes.

    O futebol é utilizado midiaticamente pela torcida como um catalizador de emoções, funcionando como uma válvula de escape relativamente barata e bastante popular para as mazelas da sociedade, independentemente do tamanho do bolso do torcedor: cada um tem suas fobias, seus preconceitos, suas demandas. E tanto o poder econômico como o legislativo, o executivo, o judiciário e o coercitivo mais graúdos e mais ramificados em todos os setores públicos e privados da sociedade estão fortemente arraigados dentro dos clubes de futebol. Como não poderia deixar de ser, o totalitarismo se dá quando uma mesma casta faz-se presente no poder decisório de instituições pertencentes a todos os espectros sociais.

    O mercantilismo do futebol contemporâneo tem contribuído para a elitização de um esporte que, para sobreviver, infelizmente, ainda não encontrou mecanismos através dos quais possa prosperar fora dessa lógica.

    Mas, não adianta: a gente ama essa abstração tricolor chamada GRÊMIO, que também constitui parte da identidade falsamente forjada por pseudovirtudes gauchescas e não temos o menor poder de decisão, a não ser votarmos nos “democratas” ao invés dos “republicanos” do clube.

    []’s,
    Hélio

  3. Hélio não te chama a atenção que de uma hora para outra nenhum estádio serve. E, quando a campanha é comandada pela Globo e RBS, sai de baixo, ai tem jogo grande de interesses.

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