A ESQUERDA PÓS-MODERNA

12 comentários sobre “A ESQUERDA PÓS-MODERNA”

  1. Helião, salve, salve, paz e bem.

    demorô, eu tô ligado, mas apareci. quae sera tamen, no entanto, que não se vive, como eu vivi, 30 anos nas Minas Gerais impunemente…
    muito bom, mesmo, tudo por aqui, com o que, hoje mesmo, qual um operador de telemarquetim, “vou estar lincando” o blogue do senhor lá na minha caxanga. isto, claro, não lhe trará “audiência” digna de nota, mas a intenção não é essa, e sim a de permitir a outras e tantos mais a leitura de bons textos – e, para mim, jornalista ôldi iscul que sou, quem tem que “ganhar”, e sempre, é o público, não o veículo.

    bueno, mas eu, sem nem pedir licença, gostaria de contar uma passagem que vivenciei recentemente, dado o ocorrido, de um jeito ou de outro, ter a ver com a lúcida observação que fizestes sobre o comportamento das gentes, as de ontem [equivocadas] e as de hoje [mais eficientes], nos ditos “protestos”.

    fui visitar uma amiga que mora em Ipanema. em dado momento, quis pitar um meu cigarrinho – é, não sou nada moderno, pois ainda pito e, como sou cafonérrimo, ainda gosto de mulher -, mas dado a casa não ter fumantes, e ainda ter crianças, desci à rua, pra baforar sem causar danos que não a mim mesmo. no que dou a primeira tragada, olho do outro lado da rua, e quem vejo? diogo mainardi.
    rapá, devo admitir: na hora, de mim para mim, exclamei aquele “é hoje” ao qual, normalmente, se segue alguma atitude pra lá de macha – nunca menos impensada, portanto -, compreendendo, ao final, alguma merda carecendo intervenção da turma do “deixa disso”.
    assumi, então, minha melhor pose do James Coburn – te lembras deste? – nos uésternis em que este fazia o tipo “não parece, mas sou capaz das piores coisas, beibe” – manjas, né? – e, com a língua, mandei o pito prum canto da boca, ajeitei a cintura da calça e danei a pensar ondé que eu meteria o balaço – no caso, de saliva.
    enquanto preparava a munição, buscada lá nos recônditos mais sinistros da pleura, a visão de um seu filho pedindo atenção ou colo me fez retroceder – e que bom isso. explico.

    primeiro, ocorreu-me que, cuspisse-lhe a fuça de gondoleiro em dia de chuva (ele morou em Veneza, afinal…), dar-lhe-ia uma espécie de ‘medalha’ da qual, depois, se orgulharia em sua coluna, dizendo o que tem provocado em petistas espalhados pelaí. isso, no entanto, seria o de menos. o que me fez retroceder, mesmo, foi o fato de pensar que eu, quando menino, se visse o meu pai tomar uma escarrada na cara, e sem reagir – porque alguém aí, em sã consciência, é capaz de imaginar aquela valentia exibida em revistinha sendo posta em prática na, como dizem fãs de novela, “vida real”? -, mas, dizia, eu, se menino fosse, carregaria aquela cena para o resto de minha vida, e não sem me envergonhar e entristecer pela mesma.

    mano, eu não tenho religião, tampouco minha fé vai para além do que pode – e deve – fazer quem me cerca, então a questão não era carregar um “pecado” desse na cacunca até o perdão final, mas de não querer deixar constar de minha já tosca biografia um ato tão vil, como o de arruinar os sonhos de uma criança, nos quais, ou em sua maioria, altivo e invencível, o pai é o protagonista.
    me ocorreu, entretanto, que ele mesmo, mainardi, não tá nem aí, quando escreve o que escreve unicamente para fortalecer o “estabelecido”, que, abusado que só ele, diariamente escarra na cara de quem o sustenta, mais do que com impostos e ou consumo, com o suor do trabalho, e com, apesar das humilhações diárias, aquela ‘paciência’ que o pragmatismo da sobrevivência reveste aqueles que não tiveram a “sorte” de saber escrever pra veja e afins – e os filhos destes humilhados que se fodam com os seus dilemas existenciais, referenciais, humanos, enfim. então, um último impulso, digamos, bobcuspeano ainda teimou em pedir vazão, mas, valente e cool qual James Coburn, resisti, e assim, acho (ainda não tenho certeza), fiz a minha parte – humanamente, digo. mas fiz, digamos, “algo”.
    antes de subir novamente ao apartamento da amiga, chamei o cabra com um “ei”. ele virou-se para o meu lado e me olhou com aquela cara de “é comigo”. antes de confirmar e dizer o que me ocorrera, aproveitei pra fazer a minha performance do Coburn – afinal, eterno garoto, não podia perder essa chance…. então, tirei o pito da boca, segurei-o em dois dedos, e depois deixei-o cair ao chão. canastrão pra chuchu, esmaguei o pito com a ponta da imaginária bota, e, com uma expressão de quem até perdoa, mas não esquece, disparei:

    – lembra, sempre, desta cena, de você pegando teu filho no colo, e dele olhando pra ti, quando for escrever as tuas colunas.
    – o quê? – indagou-me, perplexo, o colunista.

    dei-lhe as costas e subi ao apartamento.
    olha, Helião, sei que tu, como alguns para quem contei esta história, pode pensar que falhei, que tive a chance de redimir muitos, e não a aproveitei.
    pode ser, pode ser, meu camarada. mas rogo-te uma última atenção: a de não desconsiderar, em tua reflexão, que, ao fazer o que fiz, ao não fazer o que “deveria” ter feito, de alguma maneira, acho (eu ainda não tenho certeza, apenas sinto isso), eu nunca fui, em toda minha vida, tão homem – e não digo no sentido macho da coisa.

    perdoa aí o abuso do espaço. segue com este trabalho bom pra cacete que estás fazendo, salve, salve, paz e bem.
    baita abraço meu

  2. RODRIGO: Valeu a lembrança! ;)

    MAIA: sem julgar ideologia, pessoas nem condições financeiras, é inaceitável que, hoje em dia, a sede municipal do PT não tenha internet banda larga nem um PC rápido (rápido não é sinônimo de caro). É inaceitável que, em uma sociedade na qual mais de 80% de todos os assuntos comentados por TODA a população têm origem na mídia, a maioria dos assessores de quase todos os parlamentares petistas – que são jornalistas – não monitorem o que se fala deles na mídia corporativa e não municiem seus chefes de material farto e verídico encontrável em sites do Governo e na mídia alternativa nos debates. Aliás, surpreende muito o fato de que a retórica antiga e o despreparo estético e discursivo dos candidatos de esquerda diante das câmeras poderia ser facilmente contornado através de aulas e de um treinamento pouco dispendioso e pouco rigoroso a fim de concorrer pau a pau com a esperteza de seus adversários na exposição midiática.

    Seria muito fácil destruir todo e qualquer argumento da direita e reconquistar a classe média caso houvesse coesão e interesse.

    []’s,
    Hélio

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