NENHUM JOGADOR PRECISA SER ANTA

Embora as questões da baixa escolaridade e da falta de estrutura familiar predominantes em nosso país influam diretamente em como um jogador brasileiro irá gerir (ou deixar de gerir) sua própria carreira, a fala do ex-atacante do Stüttgart e da Inter de Milão e ex-técnico da seleção da Alemanha na Copa do Mundo de 2006 Jürgen Klinsmann no FOOTECON 2007 me leva a crer que, mesmo na escolarizada e rica Europa, muitos jogadores, se forem mantidos de maneira solta e alienada, também tendem a não conseguir manter uma seqüência de regularidade durante anos a fio se não forem ENSINADOS a estruturarem a si mesmos.

É por isso que eu acredito na qualificação dos técnicos de futebol e dos dirigentes mais próximos à rotina dos gramados, das concentrações e das viagens. O papel da Psicologia tem que crescer no futebol, a fim de fazer com que cada vez mais atletas consigam manter-se felizes com o esporte, com o clube, com a seleção, com os companheiros e que sejam pró-ativos e tenham um papel de cooperação ampla e irrestrita visando o bem comum.

Parece até discurso de empresa, daquele mantra muitas vezes ridículo que funciona só da boca para fora, tipo missão, valores, compromisso, etc. Mas quantos grandes jogadores tiveram dois ou três anos iniciais brilhantes e, pouco tempo depois, degringolaram?! Eis a íntegra dos fragmentos da palestra de Klinsmann capturados pela matéria do GloboEsporte.com:

Mercado

Não é mais um mercado especificamente brasileiro. É globalizado. Não é mais o mercado nacional que toma as decisões, mas sim o global. Mas isso só acontece porque vocês produziram os melhores jogadores do mundo.

 Continuidade na seleção alemã

Eu disse que não era mais parte da equipe. Você quer ter em volta pessoas que ajudem os jogadores a alcançar todas as metas definidas, a crescer. Percebi que na federação e em outros pontos muita gente queria ganhar, fez os seus contatos e desejava ficar por ali.

 Preparação da Alemanha

Na Alemanha, percebemos que estávamos deficientes em algumas áreas. Então procurei os melhores pelo mundo, mesmo em outros esportes, mas nunca no futebol. Trouxe algumas pessoas e decidimos que teríamos blocos de treinamentos que seriam repetidos. Falei para os jogadores que eles precisavam entender o que a gente queria fazer. Se você não explica para o jogador o que vai fazer, só terá 70%
dele. Essa geração de jovens precisa saber por que realizamos determinado exercício.

 Atividades para concentrar o grupo

Trouxemos um relojoeiro para dar um workshop e colocamos os nossos jogadores para se concentrarem na construção de um relógio. Queríamos captar a atenção deles, mantendo o grupo ocupado. Se você preencher o seu tempo na sua vida profissional como jogador, terá algo que te levará para um nível acima. A palavra-chave para um jogador de futebol é foco. Construímos elementos para o time. Vamos para o
campo, e depois deixamos os atletas escolherem outras coisas para fazer. Eles estavam trabalhando forte e estavam prontos para a Copa do Mundo. Muitas vezes eles viam as namoradas e dávamos o descanso também. Não queríamos entediá-los.

 Preparação para o futuro

Sei que os brasileiros valorizam muito os valores familiares. Ninguém consegue
responder quando um jogador deve sair do país. Eu tinha 24 anos quando saí do meu país e fui jogar no Inter de Milão. Temos que focar o que está acontecendo na vida dos jogadores. Os brasileiros têm o sonho de jogar na Europa, até porque tem dinheiro envolvido nisso. Eu, se fosse um técnico brasileiro, teria a preocupação de preparar o meu jogador para dar esse passo no futuro. Se um jogador já fala inglês ou espanhol, isso facilita muito. Ele não corre o risco de voltar seis meses depois. Gostar apenas da bola não adianta. Vocês, brasileiros, parecem gostar mais da bola do que nós, da Alemanha. O jogador é como uma flor. Se ele não puder desabrochar, vai murchar. Os encorajo a pensar nisso. Veja qual é o interesse do seu jogador. A vida profissional é falsa. 

 Ilusão da carreira profissional

Fui dois anos técnico da Alemanha. Foi como se tivesse deixado centenas de pessoas atrás de mim. Eu nunca tive tantos amigos. O que eu vou fazer com esse monte de gente que entrou na minha vida? Gente que não me via há muitos anos me
pedia ingressos. Fui responsável por deixar aquele mundo falso e entrar em uma vida normal. Dêem uma chance para os jogadores crescerem fora do jogo.

 Michael Ballack

Criamos uma atividade para superar o episódio do Ballack no primeiro jogo da Copa. Acendemos velas e fizemos os jogadores declararem que estavam ali por causa do outro. Tudo isso aconteceu porque tirei Ballack do primeiro jogo. Ele não tinha treinado durante seis dias e não poderia usá-lo. Isso deve ser feito. Não importa quem seja. Pode ser o Kaká, ou o Ronaldo ou o Ronaldinho.

 Oliver Kahn

Antes da Copa, tínhamos dois ótimos goleiros. Decidi dois meses antes da Copa que eu ia usar o Lehmann e eu não sabia como o Kahn reagiria. A gente até brinca com ele, mas depende de seu humor. Tivemos que elaborar formas de criar uma química entre ele e o time. Fizemos com que ele se tornasse parte de todo o projeto. No fim, a franqueza foi a melhor forma de resolver as coisas. Ficamos com os dois goleiros por termos sido honestos com ele. Você precisa delegar responsabilidade para os seus jogadores.

 Schweinsteiger

Como lidar com uma montanha-russa emocional que era o Schweinsteiger? Sobrecarreguei esse jogador de responsabilidade. Disse para ele seguir a sua cabeça, e hoje em dia ele é um dos maiores talentos da Europa. Os jogadores fazem parte de um quadro maior, de um mundo global que é louco por futebol. 

 Alemanha x Argentina, em 2006

No jogo contra a Argentina, tivemos uma briga em campo porque um dos nossos jogadores perdeu o controle por um segundo. Fizemos um bate-papo com o grupo e disse que ele tinha que falar perante o grupo. Quando o atleta tem que falar para o time, sente que tem uma responsabilidade.

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