ZERO HORA NÃO SE IMPORTA COM A NOTÍCIA

O objeto de pesquisa da dissertação de minha colega de mestrado Camila Arocha é uma pergunta aos jornalistas de Zero Hora:

– Para eles, qual é o seu leitor construído?

A pesquisa exploratória oferece algumas observações preliminares (ainda não-conclusivas):

1) Embora todo jornalista esteja na profissão porque gosta de conhecer pessoas, de apurar fatos e de informar ao público, parte ainda impossível de quantificar dos funcionários desse veículo detesta conhecer e manter contato com o leitor. Não é um contrasenso?

2) O Conselho Editorial também é composto por um pequeno grupo de “notáveis”. Dentre eles, alguns reitores, pró-reitores, ex-reitores, ex-pró-reitores de universidades. Seria, portanto, uma espécie de elite intelectual;

3) Alguns jornalistas responderam dizendo que escrevem para a “Dona Maria” entender. Que há um entendimento de que o leitor “médio” do jornal seja composto principalmente por donas-de-casa, que são responsáveis pelas decisões de compra e pela transmissão de valores para a família inteira.
____________________

Pessoalmente, acho que a possibilidade desses “notáveis” serem encarados como leitores e também de influenciarem na qualidade e na pauta do jornal é relativamente pequena: para o jornal, restaria o status de apresentar esses nomes no expediente como forma de fazer crer que se preocupa com a qualidade do serviço prestado. E, de parte dos “notáveis”, ver seus nomes lá também é uma questão de status, pois é “chique” ver seus nomes atrelados a grandes empresas.

Como toda empresa, a RBS vive de publicidade. Uma informação alarmante que chegou até a pesquisadora é que o departamento comercial, responsável pela venda de espaço publicitário no jornal, é quem define a pauta. Na prática, isso significa que se o jornal estiver na rotativa e alguém ligar para o comercial no meio da noite pedindo para publicar um anúncio fúnebre (que custa caríssimo), pára tudo e às vezes o próprio redator ou editor é chamado às pressas para cortar o seu texto, a fim de fazer caber o anúncio.

Portanto, a qualidade da informação e o leitor são o de menos: o que importa é que trata-se de uma indústria que precisa se manter através dos anunciantes. Se não houver anúncios suficientes para manter sua estrutura, quebra.

Finalmente, pergunto: QUAL A CREDIBILIDADE DA MÍDIA CORPORATIVA?!

Quase zero.

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5 comentários em “ZERO HORA NÃO SE IMPORTA COM A NOTÍCIA
  1. Camila Arócha disse:

    Hélio! Meu trabalho virou discussão no teu Blog! Adorei. Vou fazer um artigo! Bjs
    ** Valeu pela Força!

  2. paulovilmar disse:

    Hélio!
    Tenho pensado muito sobre a chamada Grande Imprensa, que para nós no sul, acaba se resumindo na (argh) RBS. É claro que eles não veem a notícia/informação/opinião como norte, para eles este trio é simplesmente o produto que vendem. Um jornal, por exemplo, não sobrevive de venda, sim de publicidade. Quanto maior a tiragem maior os valore$ da publicidade. Fora isso, existe os grandes interesses políticos dos donos do “negócio”. Sabemos que eles fazem e desfazem vereadores, prefeitos, deputados e governadores! Não é a toa que tivemos recentemente o deprimente beija-mão de políticos de esquerda(?), por ocasião dos 50 anos da EMPRESA. Nos discursos não caberia uma pequena crítica? Uma ironia fina? Cadê os grandes oradores?
    Creio, sinceramente, que a proximidade dos cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda ( matérias e professores em comum), cria no futuro jornalista uma visão mais de comércio que de informação/opinião! Ele vê os veículos, estuda Zero Hora, Veja, Isto é, Folhas, Estadões, Rede Globo,Record, SBT e outras mil e já se molda ao mercado, vira boneco antes de ter um ventriloqüo, sebem como ninguém escrever textos palatáveis, medianos, não ousam(e, dizer que um dia o Movimento Estudantil sugeria Imaginação ao Poder). Sem contar que para a televisão, ainda tem que ser bonito, ops bem apresentado!
    Hélio, só uma coisinha, chamar reitores, vice-reitores, pró-reitores de intelectuais …
    Mas, vejo luz no fim do túnel, todos esses veículos ignoram solenemente a Blogosfera, seus mecanismos e formas de interação. Copiam, na Internet, seus veículos físicos e, esse desconhecimento, abre o caminho, para desnudarmos a verdade, antes deles e na cara deles! o Poder da “pequena mídia”!
    Acabei me enpolgando…
    Só falta gritar para todos: – Blogueiros de todo o mundo, uní-vos! (brincadeira).
    Abraços.

  3. Teresinha Carpes disse:

    Frontalmente,e onde fica o teu frontal?hem Maia,tu enche o saco cara,vai ver se tou lá na esquina…Ninguém pode debater com um cara,que não tem argumentos,Os “argumentos”,são falaciosos,foi a mídia que “assoprou”…

  4. Carlos Maia disse:

    As críticas que a ZH fez ao governo Olívio não são tão absurdas assim. O pessoal do PT sempre acha que a imensa rejeição que grande parte da sociedade gaúcha tem com o PT foi criada pela grande mídia. Discordo frontalmente. Essa desculpa é cortina de fumaça para encobrir a verdade verdadeira que está por trás de tudo isso: o governo Olivio foi um caos. Foi tão catastrófico que o próprio PT se encarregou de tirá-lo da disputa para uma reeleição. O governo Olívio alimentou diversas brigas que podiam ter sido evitadas. Não teve capacidade política de resolver seus problemas. Fez a grande burrice de ter preconceito com o capital que deve ser sempre parceiro do Estado. Olívio colheu o que plantou. O PT — a partir de então — nunca mais conseguiu ganhar eleições importantes. E a culpa é da mídia!!!!!. Não, a culpa é do PT e do Olívio.

  5. claudia cardoso disse:

    Hélio, acabo de escrever um artigo que aborda tangencia a credibilidade midiática, mas que foi para revisão, ainda não publciquei no Dialógico. Esta informação sobre a decisão da pauta ser do anunciante, já era sabida, mas, com esta pesquisa, passa a ser fato constatável. Importantíssimo para a campanha “Quem financia a baixaria é contra a cidadania”. Espero que tal trabalho se torne artigo, antes mesmo de fazer parte da monografia final da dissertação.

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