MIDIATIZAÇÃO, MOVIMENTOS SOCIAIS, PÓS-MODERNIDADE E DEMOCRATIZAÇÃO: O PAPEL DA NOVA ESQUERDA

A mídia como um todo não manda nada. A mídia como um todo não tem um poder maquavélico, alquímico, lobotomizante ou hipnotizante de dominar, manipular, e nem tampouco de persuadir a todos do jeito que quiser.

Parece contraditório? Parece uma defesa da mídia? Não! De forma alguma: apenas sabe-se hoje com toda a certeza de que o receptor, por menos escolaridade que possua e por mais distante da vida urbana que esteja, ESTÁ LONGE DE SER UM ATOR PASSIVO. Afinal de contas, cada indivíduo, independentemente dos grupos sociais aos quais pertença e que necessariamente moldam e são moldados pela sua personalidade e são determinantes e determinados pela sua visão de mundo, age e pensa de acordo com seus próprios interesses.

Mesmo quando se manifesta a fim de ver suas demandas coletivas supridas, pensa, antes de tudo, individualmente. Afinal de contas, é preciso ter orgulho, satisfação e receber alguma vantagem para motivar-se a atuar socialmente. A vantagem, diga-se de passagem, não precisa ser financeira nem de atribuição de poder: basta que seja capaz de elevar a sua auto-estima ou de dar-lhe o prazer de sentir-se útil e reconhecido por causa disso.

O que a mídia corporativa tem é a autonomia de exercer de modo vicário sua principal função: ir até o centro de cada um dos demais campos sociais (jurídico, médico, religioso, político, científico) para traduzir a linguagem meramente compreensível apenas entre os pares dentro de cada um desses campos para traduzi-la em uma linguagem simples, coloquial, utilizando-se de uma gramática audiovisual peculiar, com o objetivo de tornar a produção, a atividade, os  objetivos e as demandas dos demais campos sociais conhecida para toda a sociedade laica.

A mídia corporativa está longe de ser o tal “quarto poder” que muitos atribuíam a ela: afinal de contas, possui brechas, furos e lacunas bastante significativas dentro do seu próprio ambiente interno de produção, perceptíveis até de maneira gritante quando se observa com atenção não as palavras ditas ou escritas, as caras e bocas feitas, a entonação da locução, o ritmo da edição de imagens ou o ângulo que é mostrado pelas câmerasa diferença entre o que diz a manchete e o conteúdo da matéria mas, sim, quando se observa O QUE NÃO FOI DITO.

Toda a informação por detrás das câmeras, dos microfones e dos teclados possui significados muito importantes: o que está PARCIALMENTE escondido; o que aparece de maneira opaca e desfocada possui, mesmo que adormecido ou latente dentro de si,   o poder de desmistificar e de alterar toda a lógica de produção midiática, oferecendo uma fagulha capaz de alterar a sua estrutura de funcionamento mas, principalmente, o direcionamento da sua agenda discursiva.

Portanto, a mídia corporativa é um ator industrial repleto de contradições que podem ser exploradas, tornando explícitas as suas inúmeras fragilidades.

A estrutura macroeconômica que sustenta a mídia corporativa é formada pelos mantenedores do sistema capitalista industrial taylorista-fordista atravessado pela lógica neoliberal e, mais recentemente, pelas formas de trocas de informações e de bens simbólicos e não físicos. São três formas de capitalismo concorrencial, individualista e competitivo que se misturam e correm em paralelo.

A mídia corporativa não sobrevive sem audiência. A baixa qualidade intelectual e o fraco papel social da maior parte da programação da TV aberta tende a ser assim mesmo enquanto as notícias forem confundidas com o espetáculo e o espetáculo for misturado com a notícia (v. Guy Debord, A Sociedade do Espetáculo). Segundo essa forma de viabilidade financeira, o que importa e o que vale não é a programação em si mas, sobretudo, os intervalos comerciais e o merchandising divulgado dentro do espaço do próprio programa. Logo, a maioria dos programas da TV aberta não passa de uma mera justificativa para atrair anunciantes. O poder da técnica serve tão-somente para despertar atenção, desejo, interesse e gerar ação por parte dos consumidores – a tradicional técnica publicitária conhecida como “fórmula AIDA” é, desde que notícia deixou de ser informação e desde que o espetáculo deixou de ser um mero espetáculo, uma reles mercadoria. Dessa forma, o jornalismo corporativo é puramente comercial.

Logo, ao invés de uma informação capaz de gerar o novo, de questionar, de ajudar a fazer a diferença na sociedade, é quase inexistente na TV aberta, nas rádios AM e nos jornais dos grandes conglomerados midiáticos. Afinal de contas, nem os seus patrocinadores (bancos, agronegócio, multinacionais, grandes empresas da nova economia de fluxo digital) e, menos ainda, seu próprio discurso, pode ser contradito ou questionado. Do contrário, os patrocinadores vão-se embora e a sua credibilidade escorre ralo abaixo.

A mídia corporativa é, mais do que qualquer outra coisa, uma indústria que depende severamente de seus financiadores. Há uma classe empresarial oligárquica e hegemônica disposta a tudo para não largar o osso. No momento em que suas práticas forem denunciadas em um amplo espectro, suas idiossincrasias irão alcançar a todos os rincões do país e a máscara finalmente irá cair. Repito: não é preciso ser branco, alto, poliglota nem ter pós-graduação para perceber que há algo de podre no Reino da Dinamarca… Desde que se saiba aonde fica esse reino, quem é o seu rei, quem são os seus ministros e a história do reino.

O problema maior está em quem ainda não se deu conta disso e se considera tanto súdito quanto herdeiro ao trono e faz parte de uma massa ou de oportunistas pouco espertos, ou de inocentes úteis.

A microestrutura financeira, comercial, produtiva, negocial e social que compõe a mídia corporativa nada mais é do que um componente da macroestrutura de manutenção do status quo. Os verdadeiros donos do poder são aqueles que conseguem fazer a mídia divulgar a sua agenda de valores morais, com o objetivo (nem sempre cumprido, pois, como já dissemos, a mídia de massa é extremamente falível) de ver suas demandas serem aceitas pela maioria.

Logo, a luta fundamental da pós-modernidade não implica mais em correr o risco de perder a vida e nem tampouco de torrar uma gigantesca quantidade de energia na direção errada, isto é, rumo a não apenas ver as demandas sociais deixarem de ser cumpridas como de vê-las serem sepultadas.

Alguém já parou para perceber por que a classe média odeia manifestações com faixas, cartazes e megafones?! Por que o MST não consegue o que quer? Porque os professores não conseguem o que precisam? Por que os operários também não conseguem? Da mesma forma, ninguém entendeu por que nos raros espaços da mídia onde já houve programação operária ou classista criada pelas minorias para os seus próprios pares nunca funcionou?!

Em primeiro lugar, vivemos em uma sociedade de fluxos, onde a informação possui mais valor de mercado do que um bem industrializado: é a era dos bens simbólicos, que transformou a mídia nascida no século XX e transformada no século XXI através da internet em um eco global, de alcance ubíqüo e onipresente.

O dinheiro é eletrônico e é imediatamente transferido de Porto Alegre a Tóquio com o simples digitar da tecla enter; a informação na internet está em um lugar e está em todos os lugares ao mesmo tempo; a ruua deixou de ser um lugar de convívio, de troca, de afeto e de debate político para ser um mero espaço do fluxo e de rápida contemplação, pois a paisagem urbana privilegia o tráfego de automóveis, que não pode parar nunca, em detrimento das pessoas. O fetiche da máquina (o automóvel) faz com que muitos a percebam como uma prótese, como uma extensão de seu próprio corpo. A violência urbana faz do veículo motorizado um casulo, uma carapaça, de onde seus felizes proprietários sentem-se protegidos e isolados da miséria e da violência.

As festas da adolescência refletem o momento atual através das relações meramente teatrais de sedução instantânea e efêmeras, raramente voltadas a algum desdobramento emocional ou social contínuo. Vive-se o aqui e o agora do presenteísmo: como pensar no futuro se, devido à incerteza em relação à profissão que o jovem deverá seguir, à dificuldade de sonhar e ao baque que leva ao perceber a abissal dificuldade em ter 5% desses sonhos realizados, está cercado por todos, comunica-se com todos, sabe de tudo um pouco (mas não domina quase nada) ao passo que, na verdade, vive um profundo vazio na mais absoluta solidão?

O fluxo do trânsito, a competitividade, o stress, o desemprego, a violência, a fome, a doença, a saturação de notícias e a enorme dificuldade de conviver mais vezes e com mais tempo com as pessoas que se gosta contribuiu para a MIDIATIZAÇÃO da sociedade.

Isso significa que toda a sociedade atual é atravessada pela mídia. Seja ela corporativa ou alternativa; gere ela diferença ou não; seja no meio urbano ou rural, não importa: nós fazemos e somos feitos pela mídia. Nós criamos e somos criados pela mídia. Nós determinamos e somos determinados pela mídia.

Ora, como o espaço político da rua e da praça não é mais o espaço político, como o homem é um ser político e a política jamais irá deixar de existir em nenhuma instância da vida, nossas demandas, nossas agendas e nossas pautas também são as pautas da mídia. E nossas discussões não mais travadas com complexidade nem com conhecimento de causa suficiente no ambiente público presencial são agora travadas com maior profundidade através da internet e em diversos relances editados com o intuito de manter o status quo de seus patrocinadores na tela da TV.

A TV está nos quartos, nos bares, nos carros. Sofremos milhares de impactos publicitários e lemos, mesmo sem perceber, centenas de manchetes por dia. Todos, sem exceção, temos uma opinião formada (e deformada) através da superficialidade e da parcialidade excessiva com a qual a mercadoria chamada notícia nos é ofertada.

No mundo inteiro, em qualquer idioma e em qualquer classe social, a média da população lê cada vez menos livros, brinca cada vez menos na rua e sente-se capaz de dissertar professoral e doutamente sobre qualquer assunto, sem o necessário embate entre visões antagônicas. Ao contrário do que se imaginava, a mídia corporativa não possui o poder de alienar ou de persuadir. A verdadeira questão é a seguinte:

– COMO CAPTAR, MULTIPLICAR E MANTER RECURSOS CAPAZES DE MANTER NO AR UMA ESTRUTURA MIDIÁTICA ALTERNATIVA, SEJA ELA MASSIVA OU SEGMENTADA PARA CENTENAS DE PEQUENOS GRUPOS SOCIAIS DE NATUREZA DIFERENTE?

A discussão sobre a validade das concessões do espectro eletromagnético é muito menor do que a discussão sobre como fazer funcionar e manter viva e crescente uma estrutura paralela. Se tentarem frear a mídia corporativa já estabelecida, ela receberá cada vez mais recursos de seus mantenedores e mudará de discurso para algo mais contundente e messiânico do que aquilo que temos hoje disponível.

Não é fechando a Globo, a RBS, os grupos Folha e Estado, a Band, o SBT, a Record e todos os seus milhares e milhares de afiliados que irá se resolver, através da censura ou do freio de mão puxado, o problema da desinformação e da visão hegemônica não-voltada para o social.

A discussão do FNDC é contraproducente na medida em que, ao invés de agir diretamente sobre o que fazer com o espectro eletromagnético quando ele ficar livre da mídia corporativa assim que o período de transição da TV analógica para a TV digital estiver terminado. Com a tecnologia disponível para a TV digital, pode-se tudo, sem restrições. Não existe tecnologia nem investimento errado feitos pelo Governo Federal. Não é a escolha do padrão de codificação, decodificação, compressão ou de transporte do sinal que define se é mais caro ou mais barato, nem tampouco se a informação vai ser mais ou menos plural: a questão da democratização é tão-somente JURÍDICA e não técnica. O debate deve ser, portanto, político e politizado exclusivamente no que tange às restrições impostas pela lei. Deve-se lutar para alterar a lei, de forma que a população e a chamada mídia pequena possam pproduzir e emitir conteúdo com liberdade, sem nenhum empecilho imposto pela demanda dos atores que controlam a mídia hegemônica.

A parte técnica não tem nada a ver com “abrir as pernas” para o Japão ou para a Globo, nem tampouco com o poder ou a influência do ministro Hélio Costa, ex-funcionário da Globo. O FNDC, levando a discussão para essa direção apenas por puro preconceito ignora que está dificultando a captação de verbas por parte das universidades, a fim de que os laboratórios de computação e de engenharia possam criar, inovar e agilizar a implantação da TV digital no país através de hardware e software 100% nacional.

Nas reuniões do FNDC, falou-se até que os laboratórios da PUCRJ e até de outras universidades estivessem recebendo dinheiro da Globo, o que não é verdade. Boatos tornados públicos em fóruns nacionais fazem com que o Governo acredite neles e corte verbas, até prova em contrário.

Isso posto, a medida do Governo Lula de criar a TV Pública através dos ex-funcionários da Globo Franklin Martins e Tereza Cruvinel é legítima e interessante, pois o Governo entra como um ator com uma capacidade de investimento muito grande e poderá produzir com muita qualidade técnica e discursiva informações totalmente diferentes do PUM – Pensamento Único da Mídia (corporativa).

Esse é o primeiro passo para que associações de bairro, entidades de classe, sindicatos, empresas e centenas de produtores independentes sintam-se encorajados a produzir conteúdo para a TV digital em canais próprios, já que, de início, todos esses atores estariam alijados do processo em função da sua reduzida capacidade de investimento.

No fundo, o Governo Lula não é tão vendido, influenciável ou neoliberal como se pensava que fosse. O que diferencia-o do resto da esquerda latino-americana é que falta pulso e contundência e há excesso de concessões e de diplomacia. Mas talvez porque o Brasil é o maior país, o mais desigual e aquele que contém a pior oligarquia do continente e porque pretende-se, pela primeira vez na história e ao menos em alguns setores da economia, plantar algo a ser colhido a longo prazo, independentemente de quem estiver no poder daquia 10 ou 20 anos.

Dito isto sobre movimentos sociais, midiatização e democratização dos meios de comunicação no Brasil, ao contrário do que o Miguel Graziotin entendeu no post anterior, aquilo que Negri e Hardt falam sobre resistência pós-moderna não tem nada a ver com observar passivamente ou ser 100% polido e diplomático.

O mundo é bem diferente do que era nos tempos de Paulo Freire, Piaget e Marx. O que mudou na forma de resistência é o discurso, isto é, a favor de nossa demanda, mas não somos contra ninguém. E isso se faz de forma descentralizada, em rede, através da internet: comunidades no Orkut, torpedos via celular, listas de e-mail, fóruns de discussão, BLOGS principalmente.

Se não houver internet disponível, a alternativa é agir como em Chiapas, no México: panfletos e diálogo com as pessoas.

Mas não aquele diálogo com cara de sofrimento, com jeito de coitado, muito menos com expressão de inconformismo ou de raiva: afinal de contas, é a luta por um DIREITO e para SUPRIR UMA DEMANDA, não é a luta contra alguém ou contra alguma instituição em si.

Todas essas ferramentas baseadas no AFETO, na EMPATIA e em um discurso NÃO-INTRUSIVO (isto é, mostra-se que existe, mas não se obriga a ser ator quem não quiser ser), além de oficinas, cursos, palestras, mesas de debates (o MST parece estar fazendo isso por onde quer que a sua marcha passe; porém, não deveria prejudicar o fluxo nas estradas e tampouco invadir sem se constituir em uma associação ou em uma ONG legalizada, com estatuto e com advogados).

Além disso, o MST tem um site, que deve ser muito mais divulgado. É impossível conversar com quem olha com ódio oou faz ameaças. Mas aqueles que desconfiam da intenção dos movimentos sociais apenas porque ouvem falar através de boatos e também da mídia corporativa podem, sim, através de um trabalho que poderia englobar visitas de famílias de classe média aos assentamentos com direito a churrasco e a umas 2h de vídeos das atrocidades que os latifundiários e que a polícia fazem com os manifestantes, além de uma mesa de debates.

Feito isso, a própria classe média deverá se encarregar de escrever em blogs e de duvidar da mídia corporativa: “O QUE EU VI LÁ NÃO FOI O QUE ELES MOSTRARAM NA TV. PÔ, A TV MENTE!!!”

Esta última frase resume toda a seqüência de movimentos da economia, da técnica, da política e da sociedade rumo a algo que ainda não temos certeza de como irá ser, mas que certamente transformará o Brasil em um lugar melhor para se viver.

A esquerda ortodoxa é muito pessimista e só pensa no confronto cru, onde sempre perdeu porque acostumou-se a atirar no próprio pé dentro da casa do adversário sem sequer perceber. Criou preconceitos e atitudes mecânicas, segue recitando mantras e suas atitudes não encontram eco na sociedade. Com isso, desconhece as sutilezas não do oponente mas, sim, em si mesma que poderiam ser utilizadas a seu próprio favor. Como tudo o que enxerga através de seus arreios é burguês ou neoliberal, não percebe que é preciso trabalhar as idiossincrasias do modelo hegemônico pescando-as não no discurso mas, sim, no que ficou opaco. Por isso, seu discurso se perdeu no tempo, assim como o discurso da direita que, por sua vez, oferece todas essas opacidades.

Para finalizar, a direita pescou na esquerda a opacidade por debaixo do seu discurso e antecipou-se a ele décadas atrás, determinando o tipo de subjetividade que prevalece na classe média nacional.

As referências da nova esquerda não devem mais ser os filósofos e os sociólogos de 200 anos atrás. Estes são importantes como alicerces teóricos, mas não como referenciais práticos ou da experiência atual.

Hoje, a direita é que parece estar mais engessada na condução de suas práticas e no seu modus operandi técnico. Se a atuação de resistência da esquerda deixar de reagir à imagem e semelhança da atitude da direita, então teremos um mundo mais interessante para viver.

Do contrário, mesmo que a educação e o empreendedorismo cresçam no Brasil, a única coisa que irá mudar de fato será o poder de compra e a auto-satisfação individual das pessoas. A mentalidade continuará sendo a mesma.

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6 comentários em “MIDIATIZAÇÃO, MOVIMENTOS SOCIAIS, PÓS-MODERNIDADE E DEMOCRATIZAÇÃO: O PAPEL DA NOVA ESQUERDA
  1. […] – inócuo modelo emissor-receptor-mensagem mas, sim, pensar em REMIDIAÇÃO (Bolter e Grusin),  MIDIATIZAÇÃO (Eliseo Verón) e no PRODUSER (Axel Bruns). Aliás, dicas interessantes pra quem quiser saber um […]

  2. […] ESSE O DISCURSO QUE ELES CONSEGUEM E GOSTAM DE […]

  3. paulovilmar disse:

    Hélio!
    Que fôlego rapaz! Mas, vamos discordar de alguns preceitos. A mídia como um todo, é um tanto vago como silogismo. Mas, manda sim e maquiavelicamente falando, manipula, sim. Daí seu poder. Ela é mais importante no que não diz do que no que diz. Ao omitir dados importantes, ela mantém os atores sob pressão e ao mantê-los sob pressão ela os manipula. Só para citar um exemplo próximo, enquanto lhe convinha, ela nunca atacou Calheiros, mantinha-o sob pressão, quando achou que ele não mais servia, entregou sua cabeça, aos poucos, um pedaço cada semana e tenha certeza, tinha muito mais pedaços para servir.
    Não, meu amigo, a mídia não é feita para os pobres mortais, ele é feita para mandar recados, promover os atores que no momento interessam e pisotear os que já foram deglutidos, tudo em nome do Nosso Santo Senhor, o Mercado. Enquanto vender, está ótimo, mais publicidade, mais lucros, mais poder. Em nosso país, a ditadura celebrou o Jornal Nacional, criou nas mentes a imagem que, se passou no JN é verdade. Isso continua no imaginário médio e faz com que telejornais de sucesso, no Brasil, nada mais sejam do que clones do JN, quem não agir assim, fica sem patrocínio. O estilo JN e a palavra impressa, no Brasil, são sinônimos de verdade. A média não questiona, pelo contrário, cita. Vide outro exemplo aqui de nossa aldeia, no aniversário da RBS, nenhum deputado deixou a data passar em branco, todos, entusiástica ou sucintamente elogiaram…
    É lógico, que possui brechas, furos e lacunas. Mas isso, todos os outros três poderes têm de sobra. Note-se, que quem observa o que não foi dito, são somente os críticos, principalmente os que não estão na… mídia. Hoje, observa-se o fenômeno dos Blogs e aí se abre um espaço para a crítica, mas a mídia não está omissa em relação a esta nova forma(vide campanha do Estadão, os Blogs dos articulistas dos Jornais, das revistas semanais).
    Quanto à audiência da TV aberta, você está coberto de razão. Há tempos, o Faustão dava mais importância ao seu programa do que aos comerciais, chamava-os de reclames, etc… Mas, no interior do programa, cada quadro era patrocinado, ou seja, o grosso da publicidade estava no bojo do programa. Atualmente, notei que invés de chamar os reclames do plim-plim, como sempre fazia, ele disse mais ou menos assim, agora fiquem com o show de nossos publicitários, no intervalo, prestem atenção na qualidade e nas ofertas, ora, agora poucos quadros são patrocinados dentro do programa, o grosso da publicidade se transferiu para o intervalo.
    Se a sociedade é de fluxos reais ou virtuais, deve-se, sim pensar novas formas de interagir, de reivindicar, de reclamar. Mas isso não significa jogar velhas fórmulas no lixo. As festas da adolescência refletem a …adolescência, sempre foi assim, ninguém ia, em 1960 á uma festa de arromba, a fim de buscar uma esposa ou um marido. Ficar, já ficavam nossos avôs, a fórmula pode ter mudado um pouco, mas a essência é a mesma. Hoje, as meninas também tomam a iniciativa, coisa que deixaria nossas avós ruborizadas, mas não vai muito além disso não.
    Sim, somos frutos da mídia, pensamos em ritmo de vídeo-clip, mas também redigimos eruditas e enormes teses sobre a 13ª parte do movimento cultural de 22. O mundo, pode ser bem diferente dos tempos de Paulo Freire, Piaget e Marx, mas o homem, como essência continua o mesmo. Vide teu próprio exemplo, Chiapas.
    Devem os movimentos agregar as novas técnicas ao que já existe de bom no movimento. Não acho que o MST pose de coitado, agora, imagine, o MST com um canal de TV, com as marchas filmadas, com as assembléias lotadas registradas em sites e Jornais. Porque não um Jornal do MST, não para ser distribuído entre os sem-terras ou entre os seus apoiadores, mas distribuído ao povo, nada de panfletos mal escritos e reproduzidos. Usar a tecnologia a seu favor é o grande desafio para os movimentos nestes novos tempos. Imaginem, a grande Marcha de Mao, totalmente documentada em vídeo e sendo acompanhada em tempo real pela Internet, ou a coluna Prestes, ou a revolução Cubana?
    Acho, por final, que devemos continuar com nossos filósofos, mas usando o olhar deles para ver o mundo atual.
    Abraços
    Paulovilmar

  4. Zeno disse:

    Referente a influência da mídia recomendo ver o documentário “Muito além do cidadão Kane”, deve estar no YouTube, e isso é apenas 1:23 de tudo!
    Leia Conflitos no campo Brasil, da CPT – Comissão Pastoral da Terra.
    Na NET há muitas vozes que a mídia ainda não pode calar “mas tenta”…

    Prova:
    -Futebol, política e religião não se discute.
    Bom o interessante é que são os três núcleos mais corruptos do nosso país.

    -O brasileiro não tem orgulho de seu país.
    Esta sensação é devido a mídia.

    -Piadinhas pejorativas da pátria ou do povo, ou região contra região.

    -Avalanche de más notícias “já estamos acostumados”

    Isso tudo baixa a auto-estima do povo, quebra o sentimento de nação.
    A Globo sempre enfatizou “A nação brasileira está em festa”, em em casos de tragédia “o povo de tal lugar”, “a região”, emntão em momentos de crise é povo não é nação.

    faça uma enquete de rua e verá, como as pessoas criaram uma imágem distorcida de nação.

    MST ha é aquele povo tá com problema!

    Que povo?
    O problema de uma pessoa numa nação deve ser visto por toda a nação é o papo, um por todos e todos por um.

    Um exemplo triste é o caso GURGEL, lutaram bravamente, vários tentaram ajudar mas não teve jeito fechou. É a crise mundial. Diz isso pra China, Taiwan, Coreia…

    E sabe porque fechou?
    Ordem das montadoras de fora. Será?

    Por comentar de montadoras e a Volks não ia fechar as portas no Brasil?
    Há, tá certo era campanha do Lula, metalúrgico, sindicalista, iria pesar na campanha hã… a dívida milhonária … ops! … que dívida?

    Exportamos 48 sacas de soja (R$) para compra de um Processador (U$), beleza a balança comercial está equilibrada, mas para produção da soja é necessário adubos e defensivos agricolas importados (U$). E o lucro que lucro a terra te deu de graça e eu utilizo alta tecnologia. Então sigamos o exemplo de Taiwan e China.

    Resumindo:
    Nossos políticos e imprensa são marionetes, comprados e manipulados a servirem aos interesses de outras nações ou empresas, a nós resta oque temos e somos hoje.

    Provo com uma pergunta:
    Você já viu noticiar o nome de alguma empresa multinacional envolvida em algum escândalo no Brasil?

    O citado caso Aracruz e MST, a imprensa pôs pele de cordeiro numa empresa com milhares de hectares de terra, adquirida de forma duvidosa via grilagem (ROUBO de terra), e mostraram o tamanho da destruição do MST três galpões com no máximo 200 m2, com destruição de uma quantidade de mudas relativa ao plantio de dois campos de futebol. Foram perdidos 10 anos de pesquisa, vai plantar eucaliptos na Australia, eucalipt e pinus não são plantas nativas, ambas empobrecem e danificam o solo, não foi feito estudo de impacto ambiental, etc.
    Outro foco:
    As arvores tiram o carbono do ar (mentira as plantas retiram CO2 e não CO “monóxido de carbono” o principal poluente)
    Preocupação com aquecimento global (quem polui deve se preocupar mais que nós)
    Os países ricos pagarão por isso (não foi nada definido, e se houver os beneficiários serão a Empresa e o governo que com certeza desviará a verba)
    Vamos viver de esmolas?
    Papel, Madeira e ar puro para os estrangeiros?
    Enquanto nossos sem terra não tem nem papel higiênico.
    A mídia fez com que réu virasse vítima, em menos de 3 minutos, se isso não é poder então…

    E a mídia cria moda e nos obriga a aderirmos ou seremos questionados e julgados pelos colegas e os que nos rodeiam, como quando escutamos alguma piadinha que degrada nossa nação e engolimos a seco com uma risadinha medíocre, para evitar-mos o vexame ou passar-se por ridículo.

  5. Claudia Cardoso disse:

    Hélio, boa tarde. Foi graças a uma ação do FNDC que, em 2002, foi adiada a decisão da TV Digital japonesa ser implementada ainda naquele ano. Em 2003, o Min. Das Comunicações Miro Teixeira assina o decreto da criação do SBTVD – Sistema Brasileiro de TV Digital – destinando 50 milhões de reais para a pesquisa do sistema brsileiro. Com a decisão final, em 2006, pelo sistema japonês, o FNDC denunciou que o Brasil deixou de ser protagonista e soberano naquilo que é patrimônio nosso: “inteligência” industrial.
    Concordo contigo, quando afirmas que existem brechas na relação mídia X pensamento humano autônomo e que devem ser exploradas. As derrotas midiáticas globais no que concernem ao mensalão e à eleição do Lula são exemplos típicos. Porém pautou o afastamento do Calheiros, bem como a decisão do STF em processar 40 pessoas supostamente envolvidas num esquema que, até agora, ninguém provou – o “mensalão” de novo. Talvez porque os “influenciáveis” sejam da mesma classe social dos donos da mídia…
    E acho teu pensamento contraditório. Ao mesmo tempo que afirmas não existir o poder midiático (por existirem brechas), falas em “midiatização”. Ora, se 80% daquilo que as pessoas conversam são pautas midiáticas; se os gastos em publicidade são gastronômicos, como uma coisa é dissociada da outra?
    Abraço!

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