"DONA” DO PALÁCIO X “DONA” DO THEATRO: A LUTA DO SÉCULO

Historinha antiga. No final de 2006, a atual desgovernadora do estado mais racista e preconceituoso do Brasil – então recém eleita – fez uma visita de transição ao ex-desgovernador. Ao deparar-se com um dos escribas do poder oligárquico nas imediações da Praça da Matriz, foi indagada sobre o que estaria a fazer. De bate-pronto, respondeu, com uma sinceridade atroz:

– Vou visitar o MEU palácio!
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Uma senhora hoje octogenária foi, há quase duas décadas e meia atrás, a meritosa iniciadora do movimento de restauração e reutilização do antiguíssimo Theatro São Pedro. Desde então, refere-se em off ao patrimônio público e cultural que administra como “MEU teatrrro”, com seu forte sotaque de imigrante das atrocidades da II Guerra Mundial.
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Na noite de ontem, o Marco Weissheimer publicou no RS URGENTE que a “dona” do Palácio Piratini encaminharia hoje pela manhã direto à Assembléia Legislativa projeto que transformaria alguns órgãos públicos, entre eles o teatro “da” octogenária, em OSCIP (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público).

Na prática, OSCIP é uma forma enrustida de dizer PRIVATIZAÇÃO.

Uma amiga que propõe diversos projetos na área cultural anualmente disse que boa parte dos artistas gaúchos (não sei se os mais influentes, nem se seria a maioria, nem tampouco a sua origem, mas, ao que tudo indica, não seriam poucos) é a favor da privatização do Theatro São Pedro por três razões:

1) Porque acreditam que entrará uma gestão profissional baseada em método organizacional e em resultado financeiro capaz de finalmente afastar a octogenária do processo;

2) Porque acreditam que não precisarão mais ser obrigados a desistir de apresentar seus espetáculos no Theatro São Pedro porque negam-se a desembolsar a bagatela de R$7.000,00 POR APRESENTAÇÃO apenas para abrir o teatro.

O palco é impróprio para espetáculos de dança. Então todas ac companhias precisam alugar o linóleo para cobrir o piso. Os sistemas de iluminação e de som são precários. E, apesar do custo de limpeza, energia elétrica, água, segurança, manutenção e funcionários, O VALOR NÃO SE JUSTIFICA. É UM ABUSO!

Isso significa que uma montagem vencedora do fomento do Fumproarte ou da LIC (Lei de Incentivo à Cultura) que receba, vamos supor, R$30.000,00 de verba, se quiser utilizar o próprio teatro “do povo gaúcho” para quatro noites, terá que devolver ao próprio sistema público que o financiou R$28.000,00. Sabemos que o teatro é deficiente e exige o aluguel de parte da infra-estrutura, fora a produção de figurino, cenário, maquiagem e o justíssimo pagamento de diretor, coreógrafo, maquiador, maquinista, iluminador, sonoplasta e de todos os artistas envolvidos, além da logística (transportadora para levar todo o equipamento para o teatro).

3) Já que o Theatro São Pedro DEVERIA privilegiar os artistas gaúchos mas a “dona” e “guardiã” das chaves do centro cultural prefere privilegiar montagens do centro do país (que podem e devem pagar para atuar aqui e os gaúchos podem e merecem assistir tais espetáculos como forma de diversidade de idéias, estímulo à criatividade, lazer, diversão e reflexão), muitos artistas conhecidos da minha amiga acreditam então que, se é para terem sua vida sempre dificultada lá dentro, que privatizem-no de uma vez para desonerar o erário.
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Somente a título de registro: a Cláudia Cardoso mencionou por diversas vezes no DIALÓGICO a transformação da Fundação Piratini (rádio e TV Educativa) em OSCIP. Neste caso, a maioria dos artistas que apóia a privatização do Theatro São Pedro (mais para se verem livres da ‘dona’ e sem esperança de serem privilegiados por serem da terra, diga-se de passagem) é veementemente contra a privatização da Fundação.

Ela não soube me explicar por que diabos não afastam a tal senhora. Creio que causaria uma comoção absurda através da mídia representante da agenda partidarizada agrária, racista e preconceituosa da oligarquia gaudéria. Nem mesmo o PT teve a coragem de assim fazer, pois sabia muito bem que tal fato teria sido muito mais explorado e nocivo do que a bandeira de Cuba na posse de Olívio Dutra, da bandeira do MST no gabinete do secretário da fazendaa Arno Agustin, da depredação do relógio dos 500 anos da Globo e da pegação de pé sobre o secretário da Justiça e Segurança José Paulo Bisol.

Nunca entendi por que diabos a superproteção oligarca sobre essa senhora. Nunca entendi por que diabos cobrar tão caro a diária de utilização do teatro.

ALGUÉM SABERIA EXPLICAR?!

De qualquer forma, algo vai mudar muito. A briga entre as duas mulheres mais arrogantes e centralizadoras da história político-administrativa do Rio Grande do Sul ainda vai dar muito pano pra manga, caso a mídia amiga não puxe a sardinha para o lado da desgovernadora. Afinal de contas, a oligarquia guasca tende a favorecer a velhinha.

Tudo vai mal no Rio Grande do Sul, um dos piores estados do Brasil na atualidade…

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4 comentários em “"DONA” DO PALÁCIO X “DONA” DO THEATRO: A LUTA DO SÉCULO
  1. miguel grazziotin disse:

    Por estas e popr outras que eu digo que o Rio Grande do Sul é um estado atrasado, facista, oligarquico, que pensa ser uma perola em meio aos porcos, mas que nao passa de um canto bolorento, falido do Brasil. Sou gaucho e posso falar tranquilamente disto, porque tapar o sol com a peneira nao vai adiantar. Chega de adesivos da bandeira do RS, cantar o hino e outras açoes facistas que a midia e a classe media amam e que o poder sabe muito bem uasr e contra quem mirar.
    Me serve uma frase de David Bowie:
    As fronteiras só servem para demarcar a posse de cada capitalista, nao servem ao povo.
    Um abraço

  2. Hélio Sassen Paz disse:

    Infelizmente, em plena semana da polêmica do encaminhamento de projeto de lei para transformar o São Pedroo em OSCIP, faleceu Paulo Autran – um ator maravilhoso que nada tem a ver com o pato.

    Paulo Autran por certo não conhecia nem 5% do que significa para os artistas locais a atividade da dita senhora como “guardiã” do teatro. Afinal de contas, em todas as vezes em que se apresentou por aqui, foi maravilhosa e merecidamente bem tratado pela tal senhora como diz a boa educação, o respeito e a admiração por alguém que muito contribuiu com a arte brasileira.

    Todavia, minha amiga da classe artística gaúcha injuriada com o valor cobrado pela diária de uso do Theatro São Pedro, pela falta de infra-estrutura proporcionada pelo mesmo e pelo fato de que a casa de espetáculos mais famosa do Governo do Estado do Rio Grande do Sul não privilegia os artistas locais, lembrou que o bom tratamento a personalidades do tamanho de um Paulo Autran não era repetido junto à esmagadora maioria dos artistas gaúchos.

  3. Teresinha Carpes disse:

    Hélio,que ótimo Post!Assino em baixo em cima,onde você querer…Quando o Olívio era governador,é que foi começado toda esta obra do Teatro São Pedro! Eu lembro que o então prefeito Raul Pont,que doou o terreno atrás do São Pedro,estava lá assistindo a remoção dos entulhos!Eu estava fazendo um trabalho,por ali e cada vez que eu ia ali na Assembléia,eu voltava a pé e lá estava o nosso ex-prefeito vendo o início da obra!Quando o Olívio ganhou as eleiçoes,o Estado do Rio Grande do Sul,deu todo o teatro de mão beijada,para os gaúchos,claro que tinha uma parceria com uma empresa,mas tijolos cimento mão de obra,tudinho,foi Prefeitura e Governo do Estado do PT!Quando nos perdemos as eleições para o Rigotto,só faltava os tais palcos…Pois esta velha,octogenaria que não tem nada de caduca,quando foi convidada,pelo o monstrengo “jornalista”Diego Casagrande,para falar nos planos para o teatro São Pedro,elogiou o Rigotto,que não tinha ainda completado 6 meses,elogiou as empresas,não foi capaz de dizer e agradecer uma só vez,o Governador Olívio Dutra,nem tocou no nome dele!logo depois umas emissôras de rádio,foram entrevista-la (a véia)Novamente ela se negou a mencionar o nome de quem fez de fato todas estas benfeitorias,tanto para o teatro,como nos prédios em volta,onde hoje é um sindicato da promotoria,um prédio que estava já caindo o telhado(era uma espécie de Cavalariça e onde guardavam as carruagens)No dia que esta senhorra estava elogiando a si própria,e aos seus cupinchas na Rádio Bandeirantes,eu andei um fax,dizendo á ela,que era assim mesmo a vida,as pessôas geralmente são mal agradecidas,e que eu estava muito triste,por saber que ela se esqueceu de quem tinha feito e tocado as obras até 6 meses atrás!O tal do Felipe Vieira ficou possesso,disse que não ia lêr…e que essa senhora,esta desrespeitando um símbolo de mulher…e por ai foi
    eu telefonei novamente e o produtor me xingou!É isto ai,faz parte deste jogo sujo da mídia,que ensina amar,quem ela quer e odiar quem também ela quer!!Abs

  4. CLAUDIA CARDOSO disse:

    Acho que os artistas estão enganados em relação à privatização do São Pedro, não em relação à octogenária. Os termos de parceria entre poder público e oscip, nada mais é, do que financiamento do estado para que a oscip funcione, ou seja, o estado repassa verba à oscip que, por sua vez, faz operar o teatro que, por sua vez, recebe dinheiro do público e que, por sua vez, fica no caixa da oscip e não retorna para o estado. Que beleza, hein? Isso sem contar que, mesmo exigindo-se licitação, a desgovernadora pode pular por cima deste “detalhe” e formar parceria diretamente com a oscip, como acontece em MG. Assim, nada é garantido de que as condições de trabalho no São Pedro melhore. Tenho minhas d´puvidas. A não ser que os artistas estejam se organizando, a fim de se qualificarem como oscip e entrem na disputa (se houver) para administrar a verba estadual e fazer o São Pedro um teatro que acolha todo o tipo de espetáculo. Abraço!

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