[CTL] Nacional/URU 3×1 Internacional/BRA

Dada a incrível surpresa do resultado e pelo fato de os dois clubes já terem se defrontado por quatro vezes em 2006, prefiro fazer uma análise do ambiente que envolve o atual campeão da América do Sul e do mundo, pois a circunstância da derrota colorada de ontem foi apenas o reflexo das dificuldades que estão por vir: não se pode fazer terra arrasada e nem tampouco considerar o revés da estréia em Montevideo como um jogo “atípico”.

Agora que o Tradicional Adversário começa uma temporada com alguns jogadores MUITO importantes lesionados e que, apesar de ter mantido a base e de ter dois jogadores fora de série como Fernandão e Pato e dois outros muito bons como Iarley e Christian, todo o resto do plantel colorado é muito comum.

Para alegria e sucesso colorado, o grupo ainda estava suficientemente “pilhado” para não ter sentido as perdas inestimáveis de Tinga, Jorge Wagner (ou Vágner?), Rafael Sobis e Bolívar a tempo de ainda poder conquistar o Mundial de Clubes.

Agora que perdeu Fabiano Eller e que Fernandão mal jogou, fica fácil perceber que o plantel colorado de 2007, embora tenha os dois extra-classe já citados, no geral, constitui-se em um grupo de jogadores pra lá de comum.

No ótimo Bola da Vez com o genial Abel Braga, gravei bem quando o técnico disse que é fundamental que o jogador seja cidadão, homem, profissional e tenha, acima de tudo, caráter, acima da sua qualidade física e técnica. Ele citou a confiança descomunal que tem em Adriano Gabiru e por que já o levou para a França e para o próprio Inter, apesar de o jogador ter uma estrutura emocional fraca para agüentar o rojão quando a coisa aperta, pois precisa sempre de um líder para seguir e para ouvir, já que não consegue extrair de si mesmo o máximo de testosterona necessária para encarar o desafio sozinho.

Vou mais além: mesmo que o T.A. consiga vencer algum campeonato em 2007 (até mesmo a Libertadores outra vez, embora ache a concorrência deste ano muito mais competitiva), tudo será muito mais difícil, pois, além das perdas técnicas, houve uma perda de personalidade enorme com as defecções já citadas de jogadores que foram embora do clube.

Se formos observar apenas pelo jogo de ontem, feitas as ressalvas pela falta dos zagueiros titulares, do Ceará, Pato e Fernandão e ainda sem contar com Christian como opção, um detalhe importante que passa pela má atuação de Edinho não foi citado.

Antes de mais nada, o jogador não pode ser o principal responsável. E, apesar da perda técnica devido aos desfalques, se Abel disse no Bola da Vez que tem o grupo na mão e que não precisa se preocupar com entrosamento, o problema todo foi que não havia nenhum meio-campista armador. Então, o volante, que é muito bom na marcação e muito focado no pouco que sabe fazer bem feito, viu-se forçado a tentar sair jogando. Com isso, colaborou para desguarnecer os zagueiros reservas.

De qualquer forma, o Nacional está longe de ser considerado um time medíocre: é ruim, mesmo. Todavia, não chega àquela ruindade da covardia cautelosa, nem da nulidade técnica que costuma resultar em goleadas: sua baixa qualidade técnica foi compensada pela velocidade, pela insistência e, acima de tudo, por um bom técnico, capaz de observar os defeitos colorados e de explorá-los com eficiência.

Esse time sequer foi à decisão do Apertura! Além disso, campeão e vice (Danubio e Peñarol, respectivamente) nem estão na Libertadores. O Nacional entrou graças ao Clausura ou à Liguilla – conquistas de seis meses atrás. Inclusive ressuscitaram o enganador-mor Tejera, um antigo projeto de craque que nunca vingou em times fracos da Itália, nem na Celeste e, hoje em dia, até calvo está.

Vocês jogaram contra este mesmo adversário quatro vezes em 2006! No geral, ambos mudaram para pior. Só que a perda de qualidade colorada foi proporcionalmente mais significativa.

Cuidado: o Emelec é melhor do que o Nacional. Além disso, o Vélez tem um ataque respeitabilíssimo (Castromán, o mesmo que era da Lazio, e Zárate). O time é jovem e está entrosado desde o ano passado. Só não foi melhor no campeonato argentino porque eles ainda não estão maduros para compreender a diferença entre um torneio tiro curto (para o qual estão talhados) e um campeonato onde o mais importante é o “conjunto da obra”.

Apesar de tudo isso, repito: o grupo colorado não é o mais difícil da Libertadores 2007.

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