COMO VENCER A MÍDIA CORPORATIVA E AJUDAR A SOCIEDADE?

2008 Outubro 22
EDUARDO GUIMARÃES teve a iniciativa de fundar a ONG MOVIMENTO DOS SEM-MÍDIA (MSM), que preconiza um procedimento de resistência muito mais racional e organizado do que os tradicionais painéis e mesas-redondas que não servem pra porra nenhuma.

O BRASIL é um caso sui generis de concentração, oligopólio, monopólio dos meios de comunicação de massa que impede a blogosfera independente de esquerda de estabelecer uma relação de colaboração e respeito mútuo de um modelo midiático massivo e industrial que influencia e é influenciado por, faz depender e é dependente de outro modelo midiático – desta vez, não-massivo, descentralizado e em rede.

Ainda sonho com uma mídia madura, transparente e severamente fiscalizada, que faça jornalismo de verdade, investigando, denunciando e, acima de tudo, comprovando tudo o que fala sem deixar pedra sobre pedra na política e nos negócios.

Ainda sonho com uma esquerda apartidária, não-panfletária e descrente na hipocrisia dos sindicatos, que não queira forçar a barra querendo “conscientizar” a tudo e a todos fazendo cara feia sem alegria, sem sorriso, sem intrusão.

Enquanto isso não ocorrer, nosso alcance será muito diminuto.

MEU BLOG SOBRE FUTEBOL teve uma contribuição inestimável para que uma oposição fiscalizadora e experiente obtivesse 50 vagas no Conselho Deliberativo do clube em uma eleição quase perdida dentro do GRÊMIO, graças à exposição que obtive através do colunista HILTOR MOMBACH do jornal CORREIO DO POVO.

Esse episódio ocorreu há mais de dois anos. A partir de então, passei a interagir quase diariamente com blogs escritos por conselheiros e ex-conselheiros do clube ligados a essa oposição, bastante críticos em relação ao modelo de negócio proposto pelos idealizadores do PROJETO ARENA (prefiro uma OUTRA VISÃO).

Não sou jornalista. Não pretendo mais ser conselheiro do clube, como um dia já pretendi. Embora tenha um posicionamento de esquerda do qual não me escondo nem mesmo quando discuto com eles (em sua maioria conservadores) e tenha dito que já participei de uma série de campanhas pelo PT, o fato de eu não ter vínculo formal com partidos nem sindicatos e de eu crer na resistência pós-moderna ao invés da política partidária e das lideranças centralizadoras me dá um crédito que eu não teria caso tivesse um vínculo com instituições nas quais eles não acreditam.

Aliás, creio menos ainda nas instituições patronais às quais muitos deles pertencem.

Ao mesmo tempo em que critico a atual situação (que virará oposição a partir de 01/01/2009), ainda consigo manter um relacionamento cordial com algumas correntes que defendem o estado das coisas, sem fazer média e sem ser adesista.

Fora o trabalho do AMIGOS DA RUA GONÇALO DE CARVALHO com o POA VIVE, com o PORTO ALEGRE DE FOGAÇA e com o AMOVITA, as ações e as informações trocadas pela maior parte da blogosfera gaúcha independente de esquerda infelizmente não têm sido transformadoras.

Não seria por excesso de crença na política partidária e no sindicalismo?

Não seria por não saber a quem nem como denunciar/acusar dentro da mídia corporativa?

Não seria por não conseguir distinguir possíveis aliados lá de dentro que possam agir com coragem e independência nem que seja por debaixo dos panos?

Não seria por falta de tato + desinteresse em tratar com pessoas e entidades com redes sociais muito mais amplas só porque elas têm dinheiro e não votam na esquerda?

Afinal de contas, é sempre bom lembrar que nem todo direitista é reacionário, anti-ecológico, anti-patriota, ignorante e não-solidário.

Não ha comentários

Deixe uma resposta

Nota: Você pode usar HTML básico em seus comentários. Seu endereço de email jamais será publicado.

Assine o feed destes comentários via RSS