A PARTICIPAÇÃO POLÍTICA DO GAÚCHO É PREDOMINANTEMENTE BOVINA

2008 Setembro 19

Não é tão simples assim esforçar-se para aprender algo que não se esperava ter que aprender a fazer. O modo mais eficiente de praticar política é pôr pressão e desacreditar no sistema representativo eleitoral atual.

Os partidos perderam o sentido de representar partes da sociedade não por causa da corrupção, da falta de problematização na discussão político-ideológica, das alianças ideologicamente incoerentes ou da transformação dos candidatos em produtos vendáveis: eles perderam o rumo à medida que  conceitos como democracia, liberdade e autonomia são apenas abstrações utópicas que, ao contrário de anos atrás, não significam mais um sonho a ser concretizado. As utopias ainda críveis pelas quais as pessoas correm atrás (felicidade, por exemplo) têm por base o que o avô de um amigo meu dizia:

“Alguém precisa fazer o bem. Não necessariamente eu.”

Parece cruel, egoísta e alienante. Mas é um pensamento nascido a partir de uma vida de decepções.

Outra coisa: o Lula não é mais o (ou do) PT. Ele tornou-se um líder carismático para muitos e um bocó para poucos (coincidentemente, a maioria desses poucos ou tem muito dinheiro, ou paga pau pra quem tem muito dinheiro). Sempre foi assim. Mas agora que é parceiro do PMDB e do PP, muitos estão se dando conta disso sem pensar em dicotomias.

Claro que há sempre duas visões antagônicas e que o conflito de classes JAMAIS irá acabar, mesmo que o Brasil vire uma Suécia. Porém, é burrice ainda pensar em “burguesia” x “proletariado”, pois o ambiente de trabalho predominante do pobre hoje não está mais na indústria.

Os excluídos estão no (ou vieram do) campo e são os grupos de pessoas que são discriminados desde 1500 (negros, índios, homossexuais e mulheres – estas últimas cada vez menos).

Pois a maioria desses excluídos que aprendeu a fazer política na atualidade briga pela sua causa sem delegar a briga para terceiros (os políticos).

Cada vez mais me convenço de que político nasceu pra ser cobrado, pressionado e vigiado: se for honesto, se tiver um ideal, se quiser MESMO representar o papel SOCIAL de ser a voz de uma determinada parcela da sociedade, precisa aceitar submeter-se à patrulha da mídia, de seus pares e de quem votou nele.

Como isso é raríssimo, o sistema de representatividade político-partidária PERDEU SEU SENTIDO sob o modelo que o Brasil utiliza.

Fora os blogueiros de associações de bairro que mobilizam gente pra lotar as galerias da Câmara Municipal ou alguns sindicatos ainda organizados e não-pelegos (cada vez mais raros) que têm demandas claras, o RS como um todo é quase feudal: tanto se falou no coronelismo em função da miséria e da ignorância do nordestino por aqui que o grosso dos gaúchos não percebeu que é tão-somente GADO VACUM ENGORDANDO PARA O ABATE.

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