BIOINSEGURANÇA E SUBDESENVOLVIMENTO INSUSTENTÁVEL

2008 Maio 14

Começo este post indicando a leitura do CRISTÓVÃO FEIL no DIÁRIO GAUCHE sobre o ESTILINGÃO.

Convido-os também a visitarem o APOCALIPSE MOTORIZADO e a observarem o que o LUDDITA postou sobre o mesmo tema.

Depois, voltem aqui no PALANQUE DO BLACKÃO e sigam o meu raciocínio.

Daria para construir 35 Km de ciclovias em São Paulo com o dinheiro que se gastou para construir-se 1,8 Km de ponte que liga os nababos aos ostentosos. O governo deveria, isso, sim, subsidiar ainda mais o óleo diesel, que é combustível de transporte coletivo, além de investir no aeromóvel e em metrôs.

O excesso de automóveis tornou Porto Alegre a segunda capital mais poluída do país. O uso de ruas priviloegiando o fluxo de veículos em detrimento do fluxo de bicicletas, coletivos e pedestres torna o espaço público um espaço egoísta e frio, que transforma a paisagem da cidade para pior, eliminando árvores, tornando o verão senegalesco e o inverno polar.

Com menos pessoas circulando nas ruas e considerando os carros como se fossem casulos, a criminalidade aumenta porque poucas pessoas andando na rua são mais vulneráveis do que uma multidão.

O Rio de Janeiro, com bares e mesas nas calçadas da zona sul, é muito mais atraente, simpático e, acima de tudo, representa um verdadeiro espaço de convivência.

Porto Alegre está horrorosa pra se viver. Um carro ocupa o espaço de oito bicicletas.

A diminuição no fluxo de veículos movidos a energia fóssil de apenas 20% da frota nos EUA não prejudicaria em nada a mobilidade urbana e, de quebra, seria responsável pela redução anual de mais de 600 MILHÕES DE TONELADAS DE CO2 na atmosfera.

Pior: o governo brasileiro ainda aposta em soluções como o latifúndio, a indústria de alimentos artificiais e biocombustíveis, a um altíssimo custo social, ambiental e econômico.

Uma utilização massiva de bicicletas no trânsito, de energia eólica, solar e utilizando hidrogênio como combustível transformaria a sociedade como um todo (áreas ricas e pobres, grandes e pequenas cidades) de maneira mais solidária.

Quando eu digo que o Governo Lula é um governo trabalhista de centro e que a direita não pensa de maneira alguma em uma sociedade mais justa não estou de brincadeira.

E, a bem da verdade, uma das economias que mais crescem no planeta, cuja abertura ao capitalismo é elogiadíssima por quase todos é, ao mesmo tempo, uma abertura à depredação irreversível do meio ambiente, com conseqüências severas para o mundo inteiro. A China é um gigante repleto de formigas prontas para devastarem o que vier pela frente, às custas de um regime escravo perpetrado pela esmagadora maioria das multinacionais lá estabelecidas, com o aval de um governo que não está nem aí.

A lógica é a mesma de Lula: o socialismo repressivo da China (comunismo nunca foi, assim como há muitas formas não-exploradas de se estabelecer um regime socialista sem repressão, ao passo que todo capitalismo é repressivo e excludente) considerava como sinônimo de desenvolvimento a industrialização massiva (mesmo que isso não significasse necessariamente inclusão social), pois o que importa é apenas fazer caixa para justificar as receitas em impostos e o seu repasse para o investimento no social.

Como se vê, o privilégio da burguesia, o privilégio do proletariado e a supervalorização da classe média urbana como massa “crítica” são fatores de manutenção do status quo e de luta entre polaridades extremas que são tão limitadas quanto dicotômicas.

Commodities não dão dinheiro – a não ser para os empresários mal-intencionados que vivem delas. A valoração e a mensuração de qualquer patrimônio natural em termos financeiros é um enorme equívoco, pois incentiva o falso desenvolvimento da metade acéfala e/ou oportunista da falsa esquerda, que é irmã gêmea da extrema direita.

Isso também tem tudo a ver com o lixo de governo que o RS tem agora (o pior de todos os tempos para todos aqueles setores da sociedade que não fazem parte da FIERGS, da FARSUL e da FEDERASUL), muito bem apresentado e criticado pelo MARCO AURÉLIO WEISSHEIMER no RS URGENTE e pelo MARCELO DA SILVA DUARTE em LA VIEJA BRUJA.

13 Responses leave one →
  1. 2008 Maio 16
    ailton filho permalink

    Hélio,
    Cara, vou tentar. Abraço

  2. 2008 Maio 16

    AILTON,

    Procura nos links à esquerda pelo DIPLO BRASIL, pela revista FÓRUM e pelo site RESISTIR.INFO e manda um e-mail oferecendo tuas idéias. Depois da resposta, envia um texto segundo os padrões desses veículos e boa sorte! ;)

    []’s,
    Hélio

  3. 2008 Maio 15
    ailton filho permalink

    Hélio,
    Nunca pensei na possibilidade. Apenas costumo fazer alguns comenários no Azenha, no Cidadania e em mais dois ou três blogs por ai. Por mais irônico que possa parecer trabalho numa agência de propaganda e esse trabalho escroto (mas, que me ajudou e muito a ver o lado de trás das cortinas) toma muito do meu tempo, apesar de eu nem querer tanta coisa assim. Mas, gosto da sua idéia e se puderes me dar umas dicas sobre como eu poderia proceder para dar cabo da idéia, eu agradeço. Tem muita coisa que deve ser revista dentro desse sistema zumbi antes que a gente possa comemorar qualquer avanço social.
    Saudações,
    Ailton.

  4. 2008 Maio 15

    AILTON,

    Cara, teu comentário foi excelente! Não pensas em desenvolver mais esse raciocínio com dados e com uma série maior de exemplos interconectados entre si? Rende um belo artigo para uma revista como a LE MONDE DIPLOMATIQUE BRASIL, por exemplo!

    []’s,
    Hélio

  5. 2008 Maio 15
    ailton filho permalink

    Esse pessoal ainda acredita que o planeta é algo que está dissociado de suas vidas. Santa ignorância.

  6. 2008 Maio 15
    ailton filho permalink

    É meu caro, capitalismo SA, trazendo tantas maravilhas que a gente só vê na televisão e fica querendo e querendo e querendo. E trabalhamos e trabalhamos e trabalhamos. A grande mídia joga do lado de lá, veja só o exemplo: “Se o papel da ministra era compatibilizar crescimento e meio ambiente, ela fracassou porque tomou o partido do meio ambiente que atrasa e/ou bloqueia a atividade econômica.” Esse é o pensamento do economista de plantão da Globo. Tá no blog dele. O dinheiro vem antes. E o resto? Que resto? Produzimos muita coisa inútil, embalamos, propagandeamos e vendemos. $$$. Continuamos escravos do sistema. Não moramos mais em senzalas, mas em caixotes com vários cômodos. O tronco, onde somos “açoitados”, agora é a TV. Não nos inflinge mais dor, aquela sentida, pelo contrário, parece irradiar prazer, porém, ela apenas acorrenta ao tronco. Enquanto isso, os barões ainda comem caviar. Fazemos a roda do mundo girar, gastando nossas horas diárias de vida, pra que apenas alguns pouquíssimos seletos possam se esbaldar.

  7. 2008 Maio 15

    MIGUEL,

    Obrigado pelo elogio, mas eu simplesmente exponho minha visão a partir da maneira como enxergo o mundo. Muitas vezes, posso estar redondamente enganado. Posso até ser maniqueísta e preconceituoso em alguns momentos. Porém, te garanto que não há como acreditar em uma determinada forma de desenvolvimento e ser meramente contemplativo ou imparcial. ;)

    []’s,
    Hélio

  8. 2008 Maio 15
    Miguel Grazziotin permalink

    Caro Hélio,
    Brilhante exposição.
    Quanto a este Maia, que contamina os sites de equerda, nem perca tempo dialogando. Alguem que acha estes governo Yeda o mehor que já existiu só tem uma,e óbvia, explicaçao, ganha para dizer isto. A truculencia da policia com os movimentos sociais, a entrega do bioma gaucho as papeleiras, os roubos do DETRAN e Banrisul, só podem ser defendidos por ladroes do mesmo naipe.
    Continue com seus artigos centrados e deixe os lacaios do poder irem latir para os seus donos

  9. 2008 Maio 14

    MAIA,

    Sobre o Olívio, qualquer pessoa em sã consciência sabe muito bem que uma polícia respeitosa e presente, apesar das limitações, é vista sempre com respeito pela população e dá prazer ao servidor em encarar o seu trabalho de risco sabendo que existe respaldo por trás.

    Não houve fraude nem escândalo de grande monta entre 1998 e 2002 no RS. Foi lá que o Banrisul começou a dar lucro. Foi Arno Agustin o responsável pelo lucro e pelo saneamento das finanças do Banrisul. Foi o último governo no qual ainda se respeitou o magistério, a polícia e ainda se investiu alguma coisa em termos de moradias populares e financiamento DECENTE ao pequeno agricultor.

    Agora, o quarteto que deveria ser julgado em Haia por crime contra a humanidade (Tarso pela indicação da Mallmann, Yeda por lavar as mãos e assinar em tudo o que o cel. Mendes faz, Mallmann por ser o chefe direto que endossa os desmandos de Mendes e, por fim, este último, por ser um exemplo de autoritarismo, revanchismo, ignorância e estupidez, desonrando a história secular da Brigada Militar) está incentivando o assassinato de policiais porque a ordem não é abordar com respeito: é agredir, humilhar e atirar primeiro para perguntar depois.

    A Europa e os EUA não querem saber das papeleiras. A Europa não quer saber de chaminés. A Europa não quer saber de transgênicos. Quem mais torra combustível fóssil e aço no mundo são os EUA. A Suécia recicla tudo o que pode. A Dinamarca cobra 600% de IPVA para quem quiser circular com seu veículo no centro de Copenhagen. A República Tcheca, a Austrália e vários outros países não aceitam mais importar sapatos de couro natural. Espanha e Dinamarca estão repletas de cataventos gigantes.

    Quais são as culturas e as economias atrasadas? A nossa ou a deles?

    []’s,
    Hélio

  10. 2008 Maio 14

    MAIA,

    Que bom que a classe média está crescendo. No entanto, não existe preocupação suficiente com o desenvolvimento SUSTENTÁVEL, que é a única modalidade possível para a SOBREVIVÊNCIA do planeta.

    Eu prefiro a evolução consciente do sujeito em relação ao mundo que o cerca e ao seu papel social associada ao consumo consciente do que a dependência de um modo de produção voltado ao desperdício e à exclusão em benefício de poucos.

    O benefício deve ser para todos.

    Mas só quando a Terra estiver pela bola 8 que talvez a mídia corporativa (que vive basicamente do financiamento de quem depreda a natureza) e os políticos (de todos os partidos) passem a se preocupar em fazer a população correr atrás de um prejuízo quase irreversível.

    []’s,
    Hélio

  11. 2008 Maio 14

    Não acho o governo Yeda o pior de todos os tempos. É um governo que tem problemas que se enredou na vergonhosa operação Detran que tem sim que ser bem averiguada, inclusive a casa da governadora, mas o governo em si está na direção correta de gestão. O trabalho de Aod Cunha, Fernando Schuller e Osmar Terra é muito bom e o governo Yeda é o que mais está fazendo para contornar o grave problema financeiro do Estado. O pior governo da história do RS é aquele que o partido do governador impediu a sua reeleição e que sempre apareceu como um dos mais rejeitados do Brasil nas pesquisas de opinião pública da época. Ah, mas vão dizer, a mídia construiu isso. Negativo, se o governo tivesse sido bom ele teria sido reeleito. Não foi e o partido se encarregou de tira-lo do páreo.

  12. 2008 Maio 14

    Basta o Brasil copiar a Europa. É só copiar e colar. Os europeus circulam ‘alegremente’ por suas cidades, pelo menos por enquanto. O centro da cidade européia é o shopping da cidade brasileira. Os transportes coletivos são limpos e seguros. A classe média européia anda de ônibus, de metrô e de trêm e frequenta o centro. Aqui no Brasil a classe média frequenta o centro, mas não gosta, ela prefere ir ao seguro shopping, onde as melhores lojas estão e andam de carro, afunilando as ruas. . E nossa classe média aumenta todo o dia. A classe C é a nova classe dominante brasileira e por isso ( e que bom que isso ocorre) a situação de nossas ruas vai piorar e muito. O que o Brasil precisa fazer? Acaber de vez com essa visão de que o único meio de transporte é o carro ou o caminhão. O Brasil precisa urgentemente investir em transporte ferroviário. Que venham os trêns, os trêns bala, os metrôs (Está na hora de Porto Alegre começar a construir os seus nos labirintos da cidade) e os bondes que o Brizola tirou de POrto Alegre.

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