PORQUE A PEDAGOGIA TRADICIONAL NÃO FUNCIONA NA ERA DIGITAL
“É preciso estruturar um sistema de ensino que privilegie o COLABORACIONISMO entre professores e alunos e que inverta a equação secular que faz dos livros a principal fonte de informação e de guia para o estudo, tornando-os complementares a um minucioso trabalho de edição de documentários e de criação de jogos eletrônicos pedagógicos com uma linguagem visual e narrativa adequada ao uso que os jovens fazem da internet, dos games e da música.
Caso contrário, não há vestibular, ENEM ou sistema de cotas que resista. A tranformação pedagógica precisa ser acelerada e trabalhada em paralelo com todas essas políticas. Do contrário, continuaremos a ver navios.
HÉLIO SASSEN PAZ, 35, mestrando em Ciências da Comunicação pela UNISINOS, área de concentração PROCESSOS MIDIÁTICOS, linha de pesquisa CULTURA, CIDADANIA E TECNOLOGIAS DA COMUNICAÇÃO.
Tags: ensino, pedagogia, educação, convergência, multimídia, multitarefa, aula, classe, turma, estudantes, comportamento, tecnologia, comunicaçao


Cláudia,
Já te mandei um recado pelo Orkut pra te dar os parabéns pelo teu aniversário! ;)
Claro, é isso, mesmo. E eu também assisti a uma entrevista sensacional do Paulo Freire no You Tube outro dia (se não me engano, dica do DIALÓGICO).
Eu notei, na minha viagem ao Rio de Janeiro, que o ensino de história PULSA. Que os professores municipais e aquela multidão de crianças pobres nos museus são o melhor exemplo que eu já presenciei de entusiasmo em ensinar e aprender, apesar dos pesares.
Isso falta aqui. O gaúcho é sisudo, pouco alegre, extremamente pessimista e muito travado e preconceituoso. Fora a construção subjetiva alimentada pelos oligarcas decadentes, pela mídia corporativa e pelo falso tradicionalismo, não vejo NENHUM motivo de “orgulho” por ter nascido ou deixado de nascer, morado ou deixado de morar no RS.
O RS é um estado atrasado na educação.
Já cantei essa pedra aqui: http://heliopaz.wordpress.com/2008/04/15/no-rio-a-historia-pulsa-no-rs-murcha/
[]’s,
Hélio
Há muitos anos que se discute, em pedagia, que ensinar não é transmitir. Foi uma dos meus primeiros ensinamentos no magistério do Instituto de Educação lá nos idos de 1979e, provavelmente, das gerações que me antecederam tb.
E muito antes de ter contato com Paulo Freire, que, na época, era proibido de ler e estudar, em virtude da ditadura.
Freire já dizia que não existe teoria, sem prática e vive e versa. e mais, que tanto aluno como professor são aprendentes no ato de ensinar. Ninguém ensina ninguém, aprende-se em comunhão.
Se o ensino parece ser o mesmo do século XIX, deve-se justamente aos impecilhos na formação dos professores. Primeiro, pela própria formação em tempos de ditadura. Tenho 44 anos e minha formação em magistério deu-se naquela época. Segundo, pelos problemas elencados pela Zinda, na qual a curiosidade epistemológica – essa coisa que deveria ser a força motriz do professor – é enterrada pelas necessidades vitais do dia-a-dia.
Então, base teória que sustente uma mudança radical na relação ensino-aprendizagem já é antiga. A coisa é trazer esse acúmulo para os dias de hoje, bem como agregar as novas ferramentas que dão sustentação prática à teoria esboçada por grandes edcuadores, entre eles, Paulo Freire.
Abraço!
Zinda,
Eu não ignoro e nem tampouco acho que sejam pequenas as questões da exclusão digital, da fome, da violência doméstica, das famílias desagregadas, da falta de tempo, de espaço, de privacidade e de treinamento à introspecção necessária ao estudo.
Também não nego que os professores ganham muito pouco, que dever-se-ia fazer um investimento monstruoso em esportes e artes nas escolas, que dever-se-ia oferecer refeições de qualidade sem superfaturamento e que as escolas deveriam ser em turno integral.
Todavia, a realidade das lan houses a R$1,00/hora e dos telecentros nas grandes metrópoles está aí para quem quiser ver.
Conheço um monte de jovens bacharéis em História, Geografia, Letras, etc. que simplesmente ignoram a importância da internet e como utilizá-la a seu favor ao invés de vê-la como algo frívolo ou como a maior causa da distração dos alunos em sala de aula.
Nesse ponto, os baixos salários, a falta de atualização pedagógica e o fato de que ser professor não é mais profissão de senhoras bem educadas de classe média com seus filhos criados e marido profissional liberal ou concursado de médio escalão como antigamente passam para o terreno das desculpas.
[]’s,
Hélio
Tecnologia sozinha nao mudará isso. Com professores desvalorizados, deprimidos, cansados, pessimamente pagos e trabalhando em 4 empregos, todas essas atividades mais criativas se tornam impossíveis, porque o professor nao tem tempo nem motivação, e daí os alunos também nao. No Projeto do Nassif há um documento bom de análise de causas dos problemas do ensino no Brasil, que nao dá a palavra só a tecnocratas, mas OUVE professores, alunos, e diretores. Vale a pena ler.