FOLHA/UOL: DEMISSÃO DO OMBUDSMAN MÁRIO MAGALHÃES
Depois de ler o post gravíssimo do EDUARDO GUIMARÃES sobre esse fato estarrecedor, enviei um e-mail para leitor@uol.com.br que está copiado na íntegra logo abaixo:
“Nunca vi tamanha arbitrariedade: a única voz dissonante e o único jornalista com J maiúsculo que trabalhava nas empresas do Grupo Folha foi sumariamente calada.
Por que é proibido criticar o pseudo-jornalismo praticado por pseudo-jornalistas que repetem um pensamento único comandado por seus pseudo-editores a mando de seus patrocinadores?
Vocês não passam de meros cupinchas e pelegos da pior espécie. Quem trabalha aí e é competente e bem-intencionado deveria repensar seus conceitos. Os poucos bons jornalistas da Folha não são escravos nem de sua direção, nem de seus patrocinadores.
Todas as corporações de mídia brasileiras sem exceção estão perdendo credibilidade, abrindo um precedente muito perigoso: o de darem o direito a seus consumidores e ex-consumidores jogarem em uma vala comum centenas de profissionais de Comunicação julgando-os covardes por preferirem achar que fazem um bom trabalho só porque fazem parte de uma das raras corporações de mídia que paga um salário acima da média de mercado para ficarem calados diante do lado da história que vocês não mostram à sociedade.
A pretexto de reivindicar uma liberdade de imprensa sem responsabilidade e sem concorrência dissonante quando o Governo propõe uma TV pública nos moldes da BBC; ou de ridicularizar blogs de pessoas responsáveis que sabem que podem pagar caro se mentirem ou se acusarem sem provas (justamente por isso é que falam a verdade), ao blindarem os governos Serra, Kassab, Yeda, Fogaça e Aécio de uma série de escândalos que são de conhecimento público através de fontes alternativas que não possuem o mesmo alcance que vocês estabeleceram através de benesses da ditadura militar.
Ao contrário do que pensam, vocês não são nem o primeiro, nem o segundo, nem o terceiro e tampouco o “quarto poder”.
Folha, Globo, Abril, Estado, RBS, SBT, Band, Record e outros menos votados… Assim como a Folha, todos esses enormes conglomerados oferecem tão pouca informação capaz de fazer a diferença na rotina da sociedade e de contribuir para a auto-estima e para o crescimento positivo de todos, independentemente de crença ou de ideologia…
Parece que ser profissional nessas empresas virou sinônimo de subserviência, peleguismo, puxa-saquismo, parcialidade e má fé. Pelo menos é para esse caminho que vocês estão levando os leitores mais críticos e independentes do agenda-setting do status quo ao qual a mídia corporativa da qual o Grupo Folha faz parte a pensar.
E isso é triste demais não apenas para a profissão de jornalista mas, sim, para um país inteiro. Cada vez mais vocês precisam torrar milhões em publicidade institucional e em endomarketing para provarem a si mesmos que fazem um trabalho respeitável.
Não vou dizer que veículos de baixa circulação e de maior credibilidade estejam “certos” ou que sejam perfeitos. Afinal de contas, não existe imparcialidade. Essa é a maior falácia do jornalismo. Todavia, seria muito mais justo e honesto da parte de vocês todos que estão mancomunados com seus patrocinadores políticos e empresariais (todos os veículos de todos os meios de comunicação afiliados ou parceiros das corporações Folha, Estado, Globo, Abril, RBS, SBT, Band, Record e outros menos votados) que fizessem como no jornalismo francês: ao invés de enganar as pessoas, lá eles são constantemente informados quais são os veículos de esquerda, quais são os de direita, quais são os que defendem o neoliberalismo, quais defendem o socialismo, quais defendem a pena de morte, quais são contrários a ela, quais defendem o aborto e quais são contra o aborto e assim por diante.
Guy Debord dissecou muito bem o fenômeno da Sociedade do Espetáculo, que justifica plenamente o modus operandi da mídia corporativa ao transformar notícia em show e show em notícia: ao invés de utilizarem a batidíssima (e justa) técnica da pirâmide invertida que qualquer macaco lobotomizado que sonhe em ser foca conhece de cor e salteado, vocês editorializam toda e qualquer notícia. Ao invés de deixarem suas opiniões para os editoriais, agem como se fossem velhinhas fofoqueiras que passam o dia inteiro na janela observando a vida dos outros para terem o que “assuntar” com as “comadres” enquanto esperam a morte chegar.
Sei que vocês jamais irão entrar em contato comigo e sequer irão publicar esta crítica. Mas quem planta vento, colhe tempestade.
Encerro esta longa missiva que, se houver vida inteligente e honesta aí dentro, será pelo menos lida e refletida pela pessoa que abrir este e-mail, com uma citação que faz com que muito mais pessoas do que o “aquário” imagine lembrem que vocês foram porta-vozes que cresceram e enriqueceram com a ditadura militar a qual chamaram de “revolução”:
“Atiramos o passado ao abismo, mas não nos inclinamos para ver se está bem morto.” (William Shakespeare)
[]’s,
Hélio Sassen Paz
Porto Alegre/RS – Brasil
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“Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil.” (Paulo Henrique Amorim)”
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Marcelo,
Obrigado pela força! Acho que é exatamente esse o tipo de discussão que os blogs honestos, responsáveis e não-fundamentalistas de esquerda deveriam lançar sistematicamente na Rede, a fim de obterem maior visibilidade e credibilidade.
Ainda vai chegar o dia em que, ao invés de criminalizar os blogs e de blindar políticos e empresários de direita, a mídia corporativa ver-se-á OBRIGADA a não apenas monitorar os nossos blogs como já tem acontecido mas, sim, em verificar que, embora não sendo jornalistas, muitos de nós somos mais ágeis, mais críticos e mais investigativos do que eles, que não fazem mais jornalismo e brigam com a notícia.
[]’s,
Hélio
Belo texto, Hélio.
Oi, Conceição!
Que bom que tu gostaste! Tomara que tenha um bom alcance! ;)
[]’s,
Hélio
Como o Leider eu também publiquei sua carta na íntegra no mariafro com a seguinte chamada:
É de lavar a alma dos leitores exauridos do pseudo jornalismo das corporações, reproduzo-a na íntegra:
beijos
Prezado,
Tão boa sua carta que resolvi publicá-la, na íntegra, em meu próprio blogue. Concordo com o teor da mesma, exceto uma pequena ressalva: a Record é pública e notoriamente uma emissora “pro-evangélicos/IURD”, o que não a exime da manipulação, mas dá-lhe transparência. Afinal, as pessoas SABEM.
De toda forma, magníco texto e excelente trabalho!
Oi, Cláudia!
Boooa tarde! Tudo bem com vocês aí? ;)
Eu tô lendo um dos livros que indiquei no PALANQUE DO BLACKÃO que se chama simplesmente BLOG, de um jornalista gringo chamado Hugh Hewitt. Ele custa só algo entre 28 e 32 pilas na Siciliano, na Saraiva ou na Cultura.
Apesar do autor ser um blogueiro assumidamente de centro-direita e de ele bater pé dizendo que, nos EUA, os editores e jornalistas antigos da mídia corporativa são de esquerda (pasmem!), não encontrei livro mais fácil pra servir como livro de cabeceira de todo blogueiro de esquerda.
Basta apenas inverter tudo o que o cara escreve como direita e esquerda para esquerda e direita que todo o discurso dele passa a ser de enorme valia pra gente. Todas as estratégias individuais e coletivas que ele apresenta como estudos de caso em uma sociedade onde a internet e os blogs são altamente difundidos e há muito mais tempo do que aqui no Brasil. ;)
[]’s,
Hélio
Hélio, boa tarde.
Estava eu aqui na dúvida de escrever sobre o dia do jornalismo, esta profissão na corda-bamba da credibilidade e da própria necessidade de formação específica.
Pois bem, na minha gira diária nos blogues amigos, deparei-me com o teu texto e, pimba! Por este viés, vale a pena chamar a atenção para o 7 de abril.
Irretocável o teu texto. Até eu já tenho mudado de opinião em relação ao quarto poder / mídia. Ela é a base de sustentação do modo de produção da direita na luta de classes, mas está perdendo terreno no que diz respeito à imposição da pauta. Por enquanto, nós gaúchos não estamos conseguindo driblar a ZMentira, mas Globo e Folha estão perdendo audiência e assinantes cada vez mais.
Abraço!